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Associações médicas propõem plano para saída de cubanos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Marcos Cabello dos Santos, da APM, fala sobre as propostas

A saída dos profissionais cubanos do Mais Médicos segue repercutindo. Tanto que a Associação Paulista de Medicina (APM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) lançaram um plano que deverá ser apresentado ao governo federal. As entidades propõem a reposição do quadro com profissionais brasileiros com até 5 anos de formação, com prioridade para os que hoje possuem dívidas com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além disso, eles pedem um plano de carreira que garanta a estabilidade profissional dos adeptos ao programa. O assunto deve ser levado ao Ministério da Saúde.

Conforme o JC noticiou, dez médicos cubanos já deixaram de atender em Bauru desde a última terça.

Na prática, a proposta da APM e da AMB para compensar o déficit aponta a criação de subsídios e incentivos para os profissionais endividados durante o período em que atuarem no Mais Médicos. Entre eles, a suspensão das parcelas do financiamento e descontos no montante geral da dívida, de acordo com o tempo de permanência e o município ou região escolhido, além da garantia da moradia, alimentação e transporte.

"Há uma informação não oficial de que a inadimplência com o Fies é de 30%%. Tenho certeza que conseguiríamos dez médicos formados aqui interessados em ganhar o que, hoje, é repassado para Cuba, cerca de R$ 11 mil por 6 horas de trabalho diário e 2 horas de estudo", aponta o presidente da APM Bauru, Marcos Cabello Santos.

Segundo ele, o salário médio dos médicos recém-formado na região de Bauru é de R$ 5 mil a R$ 7 mil.

PLANO DE CARREIRA

As entidades sugerem ainda a criação de um plano de carreira. Cabello explica que a ideia é de que o plano garanta a estabilidade dos profissionais, ou seja, que o médico não perca a vaga com a mudança de prefeitos ou presidentes e que haja condições de aprimoramento profissional com parcerias com universidades. "Não há falta de médicos. Há má distribuição. O Brasil forma 33.850 profissionais por ano. Temos colegas com dificuldade de acesso à profissão. Os recém-formados começam a dar muitos plantões para ganhar mais e não têm garantias de emprego nas cidades pequenas, basta mudar o prefeito para perderem o emprego. Na APM, inclusive, rebemos pessoas em depressão por essas situações", observa.

As entidades também defendem uso do Exército para acesso a áreas remotas e indígenas. A ideia é de que, além do profissional do Mais Médicos, outros grupos sejam levados com a infraestrutura necessária a atendimentos.

'DIFÍCIL'

Em Bauru, a prefeitura estima que a saída dos médicos cubanos impacte em até 960 consultas semanais a menos e que o município perca até 13% de sua capacidade no atendimento básico, conforme o JC já noticiou. Ontem, inclusive, os profissionais de Cuba começaram a deixar a cidade.

Sobre a proposta das associações, o médico e secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, acha difícil o quadro ser reposto com recém-formados. "Não conheço bem a proposta, mas, dificilmente, os jovens médicos desistirão da residência para ficar no programa. O Mais Médicos só surgiu porque havia essa demanda nos municípios. As vagas só são oferecidas aos cubanos, porque os brasileiros não as querem", opina o secretário.

Polêmica

No dia 14 de novembro, o governo de Cuba anunciou a saída do programa brasileiro em virtude de declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que exigia mudanças nas regras do acordo, como a obrigação da realização do teste de capacidade Revalida - de validação de diplomas - e direito de recebimento do salário integral aos profissionais cubanos.

Com o fim da parceria, 8,3 mil cubanos terão de deixar o Brasil.

 

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