Ciências

O que importa são as perguntas! Por Alberto Consolaro


| Tempo de leitura: 3 min

O que faz o mundo evoluir são as perguntas e não as respostas. Quando a resposta é dada, já temos outra pergunta! A melhor pesquisa é aquela que responde à uma pergunta interessante, mas para ser a melhor tem que deixar outras indagações em aberto para novas buscas e questionamentos!

Há um dilema: pedir para os pupilos estudarem e se bitolarem nas ideias dos outros ou orientar para não estudarem e sim pensar sem compromisso, aleatoriamente e livre para deixar a criatividade aflorar com perguntas brilhantes. Einstein recomendava: não estude muito, seja criativo!

Analisar currículos por onde se passou e se formou não diz muito! Se tirou dez em tudo e passou pela Usp, Ita, Harvard e Caltech, isto não me impressiona nem um pouco. Os mais brilhantes não passaram por sistemas rígidos de formação! Os melhores profissionais e as pessoas mais felizes de uma turma, não necessariamente são os que tiraram as melhores notas.

Na graduação e pós, as pessoas estão aprendendo coisas além do conteúdo da escola como viver longe de papai e mamãe! Estão treinando compartilhar a vida, o mesmo teto, os mesmos objetos e espaços com pessoas fora do seu grupo familiar. Estão precisando de ajuda ou ajudando outras pessoas, aprendendo a amar, namorar, conviver e se achando no mundo afetivo. Estão a aprender com a lida diária de uma casa, a pagar contas, arrumar e escolher as roupas, se preocupar com o transporte e tudo mais que a vida exige!

Se a pessoa só estuda e tira dez, vai ficar faltando os demais aprendizados tão importantes! Escolas exigentes tecnicamente, formam pessoas muito centradas em estudos, mas egoístas, pedantes, soberbos e poderosas em relação às demais. Já sei, vão me dizer que existem exceções e direi: claro que sim!

CIÊNCIA

O ambiente científico deve ser amplo, múltiplo, transdisciplinar e necessariamente livre e solto, sem rédeas ou limites! A universidade nasceu autônoma, crítica e pensante! As primeiras universidades mudavam de cidade, condado ou país quando o governo local tentava interferir!

Continua assim: os grandes cientistas e cérebros quando o governo interfere na universidade, mudam silenciosamente de país! Algumas pessoas têm dificuldade para entender a autonomia das universidades, pois "formaram se" em colégios classificados como de "terceiro grau", mas sem ambiência científica. "Universidades" sem liberdade para qualquer pergunta e sem produção científica são "colégios" formadores de profissionais para o mercado!

ESSÊNCIA

A essência da universidade é a formação de cidadão crítico, analítico e com capacidade de decisão. Para se chegar a este objetivo, ela ensina e forma profissionais, faz ciência e pesquisa o desconhecido, ou ainda, oferece serviços para a comunidade. Mas tudo tem um objetivo: formar um cidadão que pergunte muito!

Pobre universidade que seus dirigentes dizem que existe para cumprir um "tripé" formado pelo ensino, pesquisa e extensão de serviços. Isto mostra que quem disse isso nem sabe como nasceu a universidade. Este "tripé" representa apenas as ferramentas ou instrumentos para se chegar à essência!

Universidade não é para acabar com os problemas da sociedade, mas sim para apontar e apresentar as soluções para estes problemas. Quem deve implantar as estruturas para estas soluções são os governos e não a universidade! Universidades não devem montar hospitais enormes, ou montar fábricas e nem centros de alta tecnologia para prestar serviços como fossem empresas. Ela apresenta como resolver e o governo com a sociedade usa estes conhecimentos para montar as estruturas e processos adequados.

FUGA

Ciência, tecnologia e educação devem ser livres, soltos, criativos e especialmente protegidas de qualquer interferência. Estudantes estrangeiros estão deixando de ir aos EUA e os professores pesquisadores de lá migram para países livres de patrulhamentos ideológicos e preconceitos ou retornam para seus próprios países. É o chamado efeito Trump!

São as perguntas que movem o mundo e apenas se ascendem onde o oxigênio da liberdade circula livre e solto, com respeito e reverência, sem patrulhas!

Fora isto, oremos!

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todos os sábados no JC. 

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