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Planto sol e colho energia: força e luz

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

"Lembre-se que todos os dias, ao nascer, o sol dá um espetáculo maravilhoso para uma grande plateia que ainda dorme". Valho-me da luz de Lucila Azevedo para iluminar o título acima. Lembro que entre as visões lúdicas dos crepúsculos do nascer e do pôr do sol, temos o auge da irradiação solar, protagonista da preservação ambiental e energética. Nesse intervalo do dia, o mundo presenteia-nos com o chamado império do sol.

Lembro que a energia solar absorvida pela Terra é dez mil vezes superior ao consumo. Mas, como sempre, há um porém. Nem sempre está no local desejável, tem a intensidade necessária e custo acessível. Para se ter ideia de nosso privilégio, "o pior sol do Brasil, que está no Paraná, tem irradiação superior ao melhor sol da Alemanha".

Mesmo assim, a Alemanha é uma das pioneiras no aproveitamento da energia fotovoltaica. Pude constatar essa realidade na década de 90, em visita técnica às concessionárias de eletricidade europeias. À época, de carro, observei placas fotovoltaicas instaladas ao longo das rodovias alemãs.

Lembro que para gerar eletricidade com as fontes tradicionais, nas construções e operações das usinas, ocorrem danos ambientais. É o caso das hidrelétricas e termoelétricas: gás natural; óleo; carvão. Temos também as usinas de biomassas, louváveis pela reciclagem, porém poluentes. Temos ainda as nucleares, que embora não poluentes, em caso de deslize operacional podem ser catastróficas.

Lembro que a natureza coloca à disposição outras fontes renováveis: sol; vento; ondas do mar. Ao utilizá-las, colocamos em prática o legado do sacerdote Paulino, Timóteo Giaccardo: "A natureza é o grande lar que Deus nos deu. Cuidemos dela".

Lembro que não por amor à natureza, mas pela necessidade energética, em 2017 a China consolidou como maior fabricante de painéis e usuária de energia fotovoltaica do mundo. Como fabricante, entre 2010 e 2017, produziu 80% dos painéis do planeta. Como usuária, só em geração de energia solar, "tem mais que toda geração do Brasil, em todas as fontes". Apenas no ano passado, a China instalou 53 GW, equivalente a três Itaipu ou cinco usinas Belo Monte.

Lembro que os maiores geradores solar são a China, Japão, Alemanha, EUA e Itália. A maior usina está na China e pode abastecer 2,6 milhões habitantes (sete Bauru). No Brasil, a maior está na cidade de Pirapora, MG, e pode abastecer 700 mil habitantes (quase duas Bauru). Na região, a maior está em Guaimbê - JC 05nov17 - e pode abastecer 300 mil habitantes (80% de Bauru).

Lembro que no Brasil, a chamada "geração distribuída", instituída pela Aneel em 2012, permite ao consumidor gerar sua própria energia, através de fontes renováveis. Tem aí duas opções: 1. Consumir diretamente ou armazenar em baterias; 2. Transferir à rede da concessionária, que lhe fornecerá energia e, através de medidor apropriado fará a compensação.

Lembro ainda que o Papa Francisco inseriu em uma de suas reflexões: "O sol não brilha para si mesmo". À luz desses conceitos, tenho painéis fotovoltaico instalados em minha casa. Daí o verbo do título estar na primeira pessoa.

O autor foi regional da CPFL, executivo de Gabinete da prefeitura e da Cohab, é assessor de civismo e cidadania da governadoria LC8 do Lions.

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