Regional

Escorpiões: Santa Casa de Jaú esclarece sobre soro

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Luiz Carlos de Oliveira
Pediatra Luís Gerlin esclarece sobre casos de picada de escorpião

Em razão das recentes ocorrências de crianças picadas por escorpião na região, algumas evoluindo para óbito, a Santa Casa de Jaú (47 quilômetros de Bauru) divulgou informações importantes sobre como são feitos os atendimentos nesses casos, quando a aplicação do soro antiescorpiônico é necessária, quais são as garantias de melhora no quadro do paciente e se ele pode causar eventuais reações alérgicas.

Segundo o diretor técnico do hospital e pediatra Luís Gonzaga Gerlin, os sintomas subsequentes a picada do escorpião vão determinar a gravidade do caso e eventual necessidade de uso do soro antiescorpiônico. Ele conta que, quando uma criança chega para atendimento, é analisado o grau de sudorese, taquicardia, vômito e variação de temperatura. "Se os sintomas forem intensos, o sinal é de gravidade", diz.

O pediatra afirma desconhecer casos de adultos que morreram em decorrência de picada de escorpião, mas ressalta que podem ocorrer complicação no quadro de saúde quando se tratam de idosos, gestantes e pessoas com a saúde debilitada e baixa imunidade. Normalmente, de acordo com o médico, adultos e crianças com quadro leve recebem apenas analgésicos para dor e medicamentos anti vômito.

Gerlin conta que muitas pessoas questionam por que uma criança que recebeu o antídoto após a picada pode morrer enquanto outra que não recebeu a dose pode apresentar melhora e ter alta e esclarece que a reação ao veneno do escorpião varia de um paciente para outro. Segundo o médico, a explicação para as diferentes respostas ao tratamento pode ser a quantidade de veneno injetada pelo aracnídeo.

"Existe a suscetibilidade. Em algumas crianças, o efeito cardiológico é menor. Em outras, o coração não aguenta, mas não há uma explicação clara para isso", revela. Em casos graves, mesmo quando o paciente é alérgico ao soro, o pediatra argumenta que o antídoto deve ser administrado de qualquer forma e que, posteriormente, é necessário que se faça uma medicação para tratar a reação anafilática.

De acordo com ele, porém, o percentual de alérgicos é pequeno. "A Santa Casa está preparada. O principal recurso é o soro e, se a evolução não for boa, é necessário um suporte intensivo. A criança tem que ser levada para a UTI e monitorada", afirma. O hospital de Jaú é referência na região e conta com soro contra veneno de escorpião e outros aracnídeos para atender emergências com reposição rápida, caso necessário.

Mortes na região

Desde abril deste ano, quatro crianças - um menino e três meninas -, com idades entre quatro e nove anos, morreram na região após serem picadas por escorpiões. As ocorrências foram registradas em Barra Bonita, Cabrália Paulista, Ourinhos e Bariri. No caso mais recente, ocorrido na última sexta-feira (23), o atendimento prestado foi rápido, assim como a aplicação do soro antiescorpiônico, mas a paciente sofreu uma série de paradas cardiorrespiratórias e morreu na UTI Pediátrica da Santa Casa de Jaú.

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