| Malavolta Jr. |
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| Grupo Elite em apresentação na Praça Machado de Mello no Dia do Samba, em 2017 |
"Eu sou o samba, sou natural daqui do Rio de Janeiro. Sou eu quem levo a alegria para milhões de corações brasileiros". O verso do sambista Zé Keti eternizada na voz de Demônios da Garoa define um pouco sobre o que esse ritmo, que comemora seu dia nacional neste domingo, simboliza para muitos dos que o escutam e vivem: a alegria.
Pelos bairros de Bauru, muitos se dedicam ao samba, seja profissionalmente ou só pela paixão, e envolvem a comunidade nesse universo. Como acontece com o Projeto Dia Nacional do Samba, que terá sua 5.ª edição hoje, a partir das 14h, na Vila Pacífico. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
Idealizador do Projeto, Silvio dos Santos Pereira, morador do Jardim Redentor, conta que o objetivo do evento é que Bauru seja reconhecida no cenário do samba do Estado. Afinal, as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador comemoram há muitos anos, o dia 2 de dezembro, proclamado oficialmente o Dia Nacional do Samba.
"Bauru não tem a cultura do Samba. Nós não temos muitos bares com essa temática ou uma 'casa do samba' na cidade, como existe em outros lugares. Por isso, é muito importante esse evento para os artistas do meio e a comunidade que gosta do samba", salienta.
SOLIDÁRIO
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Com 13 shows de sambistas de Bauru, o evento ainda é solidário. Os organizadores pedem que o público leve 1 litro de leite para ser destinado a uma instituição de caridade da cidade a ser definida, como já foi realizado em outros anos. "Já arrecadamos alimentos e brinquedos em outras edições. Neste ano, contamos com uma boa participação do publico para fazermos uma boa entrega na instituição que vamos eleger", comenta Pereira.
Para esta 5ª Edição participarão os grupos Elite - 30 Anos, Pra Sambar, Cardápio Brasileiro e Questão de Estilo, além dos músicos Anderson de Paula, Anderson Vianna, Aritana TDB, Danny Panassum, Jô Moura, Luana Cortez, Marquinho Wan Der Ley, Rodrigo do Banjo, Serginho Araújo, entre outros.
PURA PAIXÃO
Uma das atrações da festa, será o Grupo Elite, um dos mais antigos de Bauru, com 30 anos de samba. "A gente começou quando ainda não tinham muitos grupos. Sempre fizemos por hobbie mesmo, por muito amor ao samba, mas mantivemos nossos empregos. Já tivemos muitas formações também. O samba, para nós, é uma expressão de alegria", comenta.
Hoje, o Grupo se apresenta com três integrantes fixos (Silvio Pereira, André Alves e João Batista), além de músicos parceiros que os acompanham em algumas apresentações.
Data comemorativa
O Dia Nacional do Samba não é uma data comemorativa oficial e foi aprovado como lei estadual do Estado da Guanabara (atual município do Rio de Janeiro), através da Lei 554, de 27 julho de 1964.
Na Bahia, também havia um projeto de lei, de 1963, que pretendia instituir o Dia do Samba. Já considerando a sua aprovação, o projeto declara que as comemorações da data nesse ano homenageariam Ary Barroso, compositor brasileiro, autor de "Aquarela do Brasil", entre outras.
É possivelmente por esse motivo que se passou a divulgar a ideia de que a data teria sido criada em homenagem ao sambista. Assim, embora o Dia Nacional do Samba não seja oficial, a sua comemoração é conhecida nacionalmente.
SERVIÇO
A 5.ª edição do Projeto do Dia Nacional do Samba será no domingo, dia 2/12, a partir das 14h, no Clube Fortaleza que fica à rua Wenceslau Braz, 9-65, na Vila Pacífico, em Bauru. A entrada é um litro de leite.
Ritmo que vai além das notas musicais
Considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, o samba, mesmo sendo um ritmo musical, fala mais alto quando conta a história de sua criação. E é tido como bandeira para músicos bauruenses, em parques ou em bares da cidade.
Pensando em divulgar, promover, compartilhar e difundir o samba como cultura popular, músicos de Bauru se reúnem em encontros promovidos pelo Movimento Coletivo Samba, criado em 2014. O berço da criação foi o Encontro dos Sambistas que começou antes, com o grupo Quintal do Brás, em 2005.
Coordenador do Movimento Coletivo Samba, Ivo de Paula Fernandes, como ocorre o evento para a comunidade de sambistas de Bauru. “Ao passar dos anos fomos vendo a necessidade de fazer mais de um Encontro dos Sambistas por ano, para que mais sambistas pudessem participar. O grande ápice do projeto é o dia 1.º de Agosto, onde nos reunimos no Parque Vitória Régia, e a população pode aproveitar o samba e se reunir com a gente. A nossa intenção é agregar todos os sambistas de diversas regiões de Bauru. Nossa única bandeira é o autêntico samba”, comenta.
Ainda de acordo com o ele, o projeto tem como objetivo viabilizar projetos de samba reunindo músicos, produtores, formadores de opinião, Poder Público, iniciativa privada e admiradores do gênero. “Nós queremos levar maior conhecimento ao público em geral sobre o samba e seu vasto universo e aspectos culturais. Lembrando que o movimento é aberto. Quem se sentir à vontade de participar ou propor projetos para nós, pode estar com a gente”, diz.
O Grupo Quintal do Brás, idealizado por Ivo e amigos, ficou parado por um tempo e retornou em 2017 para fazer um novo projeto com uma turnê ‘Quintal do Brás Caciqueando’. “Fizemos alguns tributos e fomos contemplados com o circuito SESI, no ano de 2018, e fizemos algumas datas. O que foi muito positivo para o nosso trabalho”, destaca.
SOM DA RESISTÊNCIA
O samba também cruzou com o caminho da sambista Jô Moura que vem se especializando no ritmo e leva o samba como bandeira pelos bares da cidade. “Comecei com alguns amigos, com o Balaio de Sinhá que era samba com moção ao sagrado afro e em 2016, tive a necessidade de pesquisar mais sobre a história do samba. E comecei a conhecer o samba em todos os espaços em que ele transita”, comenta.
Jô ainda destaca a importância histórica e cultural do ritmo fora do contexto unicamente musical. “Eu entendo a história do samba como um ato político, por que a gente teve uma resistência. O Samba tem apenas 102, é pouco tempo se for ver. O samba resistiu a muitas pressões da sociedade, as pessoas não respeitavam o samba antigamente, ele era marginalizado, então foi uma luta, uma conquista, um cenário que foi se abrindo conforme os anos foram passando”, diz. “Para mim o Samba me ajuda e a me posicionar enquanto mulher negra, ele me ajuda a dar vida à minha arte enquanto artista e é por onde eu caminho e pretendo caminhar por um bom tempo”, completa.
Origem
| Quioshi Goto Quioshi |
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| Ivo de Paula Fernandes (em pé) comanda Movimento Coletivo Samba, em 2015, no Parque Vitória Régia |
Considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, o samba, mesmo sendo um ritmo musical, fala mais alto quando conta a história de sua criação. E é tido como bandeira para músicos bauruenses, em parques ou em bares da cidade.
Pensando em divulgar, promover, compartilhar e difundir o samba como cultura popular, músicos de Bauru se reúnem em encontros promovidos pelo Movimento Coletivo Samba, criado em 2014. O berço da criação foi o Encontro dos Sambistas que começou antes, com o grupo Quintal do Brás, em 2005.
Coordenador do Movimento Coletivo Samba, Ivo de Paula Fernandes, como ocorre o evento para a comunidade de sambistas de Bauru. "Ao passar dos anos fomos vendo a necessidade de fazer mais de um Encontro dos Sambistas por ano, para que mais sambistas pudessem participar. O grande ápice do projeto é o dia 1 de agosto, onde nos reunimos no Parque Vitória Régia, e a população pode aproveitar o samba e se reunir com a gente. A nossa intenção é agregar todos os sambistas de diversas regiões de Bauru. Nossa única bandeira é o autêntico samba", comenta.
Ainda de acordo com o ele, o projeto tem como objetivo viabilizar projetos de samba reunindo músicos, produtores, formadores de opinião, Poder Público, iniciativa privada e admiradores do gênero. "Nós queremos levar maior conhecimento ao público em geral sobre o samba e seu vasto universo e aspectos culturais. Lembrando que o movimento é aberto. Quem se sentir à vontade de participar ou propor projetos para nós, pode estar com a gente", diz.
O Grupo Quintal do Brás, idealizado por Ivo e amigos, ficou parado por um tempo e retornou em 2017 para fazer um novo projeto com uma turnê 'Quintal do Brás Caciqueando'. "Fizemos alguns tributos e fomos contemplados com o circuito SESI, no ano de 2018, e fizemos algumas datas. O que foi muito positivo para o nosso trabalho", destaca.
SOM DA RESISTÊNCIA
O samba também cruzou com o caminho da sambista Jô Moura que vem se especializando no ritmo e leva o samba como bandeira pelos bares da cidade. "Comecei com alguns amigos, com o Balaio de Sinhá que era samba com moção ao sagrado afro e em 2016, tive a necessidade de pesquisar mais sobre a história do samba. E comecei a conhecer o samba em todos os espaços em que ele transita", comenta.
Jô ainda destaca a importância histórica e cultural do ritmo fora do contexto unicamente musical. "Eu entendo a história do samba como um ato político, porque a gente teve uma resistência. O Samba tem apenas 102, é pouco tempo se for ver. O samba resistiu a muitas pressões da sociedade, as pessoas não respeitavam o samba antigamente, ele era marginalizado, então foi uma luta, uma conquista, um cenário que foi se abrindo conforme os anos foram passando", diz. "Para mim o Samba me ajuda e a me posicionar enquanto mulher negra, ele me ajuda a dar vida à minha arte enquanto artista e é por onde eu caminho e pretendo caminhar por um bom tempo", completa.
Geração que 'não deixa o samba morrer'
| Divulgação |
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| Ney, Julinho do Sereno, João Gano e Cristiano Castilho compõe o Grupo Sereno que mistura o samba ao sertanejo |
No que depender de alguns grupos, a velha guarda do samba bauruense não têm com o que se preocupar. Grupos como o Sereno e Nosso Esquema são exemplos, dentre vários, espalhados pela cidade que utilizam o samba como referência máxima de seus trabalhos, sem deixar de inovar e acompanhar os sucessos atuais.
Vale lembrar que, no samba, existem variações com outros estilos músicas. Entre eles, o mais popular é o samba pagode, mas o ritmo conta com o samba rock, o samba carnavalesco e o samba de gafieira, entre outros (veja quadro).
Em Bauru, o grupo Sereno foi além e decidiu mesclar o ritmo com o sertanejo. "Nós tínhamos relações pessoais com o sertanejo, mas tocávamos samba. Um dia, resolvemos tocar uma moda de viola com o pandeiro e percebemos que dava certo", conta Cristiano Castilho, vocalista do grupo que completa 20 anos, em 2019, com João Gano, Ney e Julinho do Sereno.
Com essa levada, a comunidade do bairro Nova Esperança estava acostumada a acompanhar os ensaios do grupo na garagem de um dos integrantes no início da carreira. Com o tempo, o espaço foi ficando pequeno e a galera do Jardim Bela Vista é que passou a escutar o som do grupo, quando mudaram o ponto de ensaio.
"Hoje, nós ensaiamos menos, só para desenferrujar. Mas usamos estúdio, não nos reunimos mais na casa de ninguém. De qualquer maneira, ainda estamos sempre ligados à comunidade. Já tocamos em uma campanha do agasalho que foi muito boa. Arrecadamos mais de 20 mil agasalhos na época", comenta Cristiano.
Mesmo com o uso de viola caipira e as influências do cantores sertanejos, Cristiano garante que a referência do grupo é o samba. "Nosso nome foi dado em homenagem ao Sereno, do Fundo de Quintal. Eles são uma inspiração entre nomes do samba como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e muitos outros. Fico feliz em ver que Bauru conta com muitos grupos que valorizam o samba, nessa nova geração, mesmo sem termos casas específicas do ritmo", comenta.
SAMBA NOS BAIRROS
Outro grupo bauruense que está na linha de mesclar o samba é o Grupo Nosso Esquema. Com 13 anos de estrada, Digão, Toko e Wellington Custódio fazem um misto do repertório dos clássicos do samba com as novidades do pagode pelas casas noturnas de Bauru e região, além de eventos pela cidade. "Nossa maior referência é o samba. Mas não deixamos de inovar com os sucessos do pagode, que está sempre se atualizando", comenta o vocalista do grupo, Wellington. "O pagode usa, hoje, de muitos recursos de mixagem. Já o samba raiz, que é sempre pedido, tem um som mais acústico e limpo", explica o músico.
Ainda de acordo com ele, o ano de 2019 começará com uma novidade encabeçada pelo grupo. "Nós estamos vendo o apoio da Secretaria de Cultura para realizar nosso projeto 'Samba nos Bairros'. Nós nos apresentaríamos uma vez por mês em algum bairro da cidade, como já fizemos em cinco anos, no aniversário do Mary Dota e na praça da árvore, no Beija-Flor", finaliza Wellington.
Samba no pé
Quem não toca, dança. Não precisa ser profissional para se mexer quando o pandeiro toca. Mas há como se especializar nesse "ziriguidum". Com turmas de dança de salão, uma escola de dança do Jardim Europa, em Bauru, oferece também o curso de samba de gafieira para quem deseja aprimorar ou aprender o ritmo.
De acordo com a professora do curso, Katiúcia Casavechia, o ritmo é marcado por diversas peculiaridades. "O samba de gafieira é um ritmo muito alegre. É uma dança bem característica do Brasil. O homem tem a postura do malandro, com gingado e, por mais que seja o condutor da dança, não brilha mais que a mulher. Nessa dança, a mulher mostra coragem, charme e conquista", define a professora.
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