Tribuna do Leitor

Sobre a mortandade de peixes em sabino

Eng° Civil João Carlos Herrera ? especialista em Engenharia de Saneamento e Engº Civil Eric Edir Fabris ? especialista em Engenharia Geotécnica
| Tempo de leitura: 2 min

Em função da mortandade de peixes ocorrida em Sabino, a cerca de 180 km de Bauru, e de comentários relacionando fenômeno ao lançamento de esgoto do DAE, gostaríamos de esclarecer o que segue.

1. Trata-se do fenômeno de eutrofização das águas do rio Tietê, ou seja, proliferação de algas decorrente de alto teor de nutrientes, o qual ocorre anualmente nesta época não só naquele rio como em muitos outros mananciais.

2. Nesta época do ano, os proprietários rurais adubam suas terras esperando pelas chuvas para iniciar o plantio. Quando as primeiras precipitações ocorrem, parte desse adubo (nutrientes como fósforo e potássio) é carreada para os rios desencadeando a proliferação de algas.

3. O rápido crescimento da população de algas alimentadas pelos nutrientes resulta em alta demanda de oxigênio da água, e isso pode provocar a mortandade de peixes.

4. O lançamento de esgoto não tratado, feito por Bauru e outras cidades, ocorre durante todo o ano de maneira contínua e com característica estáveis. Não pode, portanto, ser indicado como a principal causa desse problema que é pontual e sazonal.

5. Vale lembrar ainda que o caudal médio do rio Tietê é de 2.500 m³/seg enquanto o efluente lançado pelo DAE-Bauru é da ordem de 0,7 m³/seg, ou seja, ínfimos 0,03% da vazão. Lembrando ainda que no percurso de 180 km entre Bauru e Sabino existem dois grandes lagos de usinas hidrelétricas (Bariri e Ibitinga) onde a retenção prologada promove a digestão desse esgoto lançado.

6. No site http://g1.globo/sp/bauru-marilia/2018/12/05 pode-se ler notícia onde a própria Cetesb informa que até o momento não foi possível identificar a fonte poluidora e comenta sobre o carreamento de fertilizante causadores da eutrofização.

O tratamento de esgoto é um objetivo importante que a administração municipal vem perseguindo, buscando a superação, dentro da legalidade, das muitas dificuldades encontradas. Entretanto, atribuir ao lançamento de esgotos do DAE a mortalidade de peixes a 180 km de distância é, no mínimo, especulação que não encontra sustentação como demonstramos acima.

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