A Unesp divulgou, com grande alarde, que vai desligar vinte e sete universitários que teriam cometido fraude ao declararem-se negros para beneficiarem-se do sistema de cotas e ingressarem na universidade. A conduta daqueles, por si só, já seria reprovável porque demonstra a falta de ética de cidadãos em fase de aprendizado educacional, mas infelizmente mascara outra nódoa da sociedade, tão fraudulenta quanto o próprio aproveitamento irregular das cotas para negros.
Pasmei-me com a afirmação do coordenador da comissão da cor ao proferir a insensata frase: "O aluno terá maior chance de entrar por meio das cotas, por exemplo, quanto mais escuro for o tom de sua pele, pois isso significa que o mesmo sofreu mais discriminação racial e desvantagem na sociedade...".
Como assim ele presume que "sofreu mais discriminação racial"? Que tipo odioso e ignominioso de "bônus" é este dado por mera presunção que, quanto mais escuro for, mais discriminação teria sofrido, se nem sabem se isso realmente ocorreu? Que tipo de "desvantagem" seria vítima, se nem se sabe se ele seria apenas um preguiçoso que nunca quis estudar?
O mais incrível é que essa mentalidade vitimista segue, ainda, inabalável quanto à injustiça causada pelas cotas e inútil quanto à falta de medidas adequadas para evitar o demérito da ajuda ao ocioso.
Ora, brancos pobres e em desvantagem educacional existem aos milhões, mas não são socorridos! Houvesse alguma sanidade em voga, há décadas até os grupos afro já teriam que estar exigindo melhoria no ensino de base para que cada cidadão, preto ou branco, ingressasse nas universidades e concursos por suas próprias pernas! Quanto a isso, tais comissões fazem ouvidos moucos e optam pelo caminho mais oportunista.
Com todo respeito, a "luta" de tais grupos de defesa é maculada pelo estrelismo e presunção de desigualdade sem qualquer base racional ou resultado prático, pois parece que gostam de andar na contramão do preceito constitucional mais elementar do artigo 5º de nossa carta magna: todos são iguais, sem distinção de raça e cor, mas, na hora de galgar alguma vantagem, querem distinção.
Noutras palavras, fomentar as diferenças e insistir na teoria da desigualdade nada mais é que manter acesa a chama do ódio e discriminação.