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Calor intenso anuncia verão com temperaturas acima da média

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Doraci Ramos Soares apelou para dupla "água e sombrinha" para enfrentar o calor dessa segunda (17)

Sombrinha, água, sorvete, protetor solar, banho. Vale tudo para conseguir enfrentar o calor registrado nos últimos dias em Bauru. Depois de dias seguidos com temperaturas máximas oscilando na casa de 32 a 34 graus, os termômetros alcançaram 35 graus ontem, segundo medição do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet).

Todo este calorão é avaliado por pesquisadores como o anúncio de um verão, que começa oficialmente nesta sexta-feira, com temperaturas acima da média histórica. O aquecimento é consequência da formação do fenômeno El Niño, que também vai impactar no regime de chuvas.

Meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe), Alice Macedo explica que o El Niño ocorre quando há o aquecimento anormal das águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico. Com o vapor de água mais quente, há a alteração dos padrões de circulação dos ventos, provocando aumento da temperatura e variação na distribuição e intensidade das chuvas.

"O El Niño está atuando dentro de uma intensidade fraca a moderada, fazendo com que as temperaturas se elevem ainda mais do que normalmente ocorre no verão, principalmente na nossa região", adianta, destacando que os termômetros subirão acima da média climatológica não apenas em dezembro, mas também durante janeiro e fevereiro de 2019.

Por consequência, observa a meteorologista, a tendência é de que as pancadas de chuvas características do verão sejam mais intensas do que a média, o que acende um importante alerta para cidades como Bauru, tradicionalmente castigadas por enchentes.

"Para os municípios da região Sudeste, o volume final de chuvas não deve sofrer significativa alteração, mas as temperaturas elevadas devem provocar precipitações mais intensas em fins de tarde", pondera Alice.

EFEITOS

Samantha Ciuffa
Os irmãos Diovany, Larah e Gabriel Querobim Felipe foram presenteados com sorvete pela mãe para amenizar o calorão dessa segunda (17)

A previsão de um verão ainda mais quente do que o normal traz preocupação para a dona de casa Marcela Adriana de Oliveira Querobim Felipe, 35 anos, que tem três filhos pequenos: Diovany, 10 anos, Gabriel, 7 anos, e Larah, 2 anos. "Eles estão sentindo muito este calor todo e agora, nas férias, ficam sem ter o que fazer. Os meninos gostam de soltar pipa e nem estão indo mais, porque não aguentam o sol", comenta.

Nos passeios ou brincadeiras de rua, as crianças usam protetor solar por exigência da mãe e, devido ao suor excessivo, chegam a tomar três banhos por dia. "Dá trabalho, porque tenho de ficar mandando", conta ela, que comprou sorvete para as crianças na tentativa de aliviar o calor da tarde de ontem.

Já a aposentada Doraci Ramos Soares apelou para dupla "água e sombrinha" para percorrer algumas lojas do Calçadão da Batista de Carvalho, dessa segunda-feira (17). Mesmo assim, aos 67 anos, ela conta que o calor excessivo sempre lhe causa mal-estar.

"A pressão fica baixa e parece que a gente vai desmaiar. Eu bebo mais de dois litros de água quando está quente deste jeito para tentar amenizar um pouco o desânimo que a gente sente. A garrafinha é minha companheira", completa.

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