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Queda brusca no nível da lagoa de captação preocupa o DAE


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DAE/Divulgação
Lagoa de captação do rio Batalha

Técnicos do DAE foram pegos de surpresa na semana passada com a queda acentuada no nível da lagoa de captação do rio Batalha, o único manancial de superfície da cidade que abastece 140 mil pessoas, equivalente a 1/3 da população de Bauru.

Esse nível que se mantinha desde o dia 1º de dezembro acima de 3,14m caiu para 2,98m na segunda-feira (10) e de terça até sexta-feira despencou 31 centímetros, chegando a 2,67m, uma redução média de quase 8 centímetros por dia. Vale ressaltar que após quatro meses de estiagem, de abril a julho deste ao, a queda de nível foi da ordem de 3 cm por dia.

A recuperação da lagoa veio no final de semana, com o nível subindo do sábado para domingo, de 2,71m para 2,95m, portanto 24 centímetros em apenas dois dias.  Isso pode ser explicado pelo bom volume de chuva, de 32,5 milímetros, que caiu no sábado (15) e também na noite de segunda-feira. Com isso o a lagoa de captação chegou a 3,18 metros na manhã desta terça-feira (17).

Preocupados com essa queda rápida de nível, inédita nessa época do ano em que as chuvas já se iniciaram técnicos do DAE acompanhados pelo presidente efetuaram vistoria, tanto terrestre como aérea, da bacia a montante da captação para identificar eventual intervenção ou desvio de água que pudesse dar causa ao episódio. Como nada foi encontrado de significativo restou a hipótese de perda de nível por evaporação uma vez que ao longo de 10 dias a temperatura máxima esteve acima de 32 graus e não ocorreram chuvas.

Para o presidente do DAE, Eric Fabris, o episódio revela o estado de vulnerabilidade em que se encontra o abastecimento de água da cidade a partir do manancial de superfície que é o rio Batalha. “A bacia de contribuição acima da captação é bem pequena e, apesar dos esforços dos últimos 25 anos para manter a cobertura vegetal da área, ela ainda encontra-se bastante degradada”, diz Fabris, acrescentando que o Plano de Contingência de Estiagem, lançado no ano passado está sendo implantado e visa reduzir a dependência das águas do Batalha em curto prazo.

Plano de Contingência de Estiagem

 
O plano de contingência deverá disponibilizar carca de 212 litros por segundo de água de diversos poços para a região abastecida pelo rio Batalha, que consome normalmente 550 litros por segundo. Isso será possível em curto prazo através da construção de 10 quilômetros de adutoras interligando unidades com produção ociosa e a perfuração de 3 novos poços no Jardim América, no Geisel e no Santa Cândida.

Para financiar essas benfeitorias, o DAE contava com a reestruturação tarifária que só ocorreu no mês de novembro deste ano. Mesmo assim, foi possível inserir no orçamento de 2018 a compra da quase totalidade do material para as adutoras e a licitação de dois dos três poços: Jardim América e Geisel.

Conforme informa o presidente do DAE, Eric Fabris, os dois poços já estão com ordem de serviço e as perfurações deverão se iniciar nos primeiros dias de janeiro. Nessa mesma época serão iniciadas mais duas adutoras nos poços Manchester e Rasi.

“Haverá um incremento de disponibilidade de água em diversas regiões, sendo que o excesso será direcionado para a região abastecida pela Batalha apenas em caso de problemas naquele sistema”, prevê Fabris.

Solução definitiva

Ainda segundo o presidente do DAE, a solução definitiva para a fragilidade de abastecimento a partir do rio Batalha só será resolvida de forma completa com as soluções já preconizadas pelo Plano Diretor de Água, que prevê a construção de uma nova captação de água no mesmo rio Batalha, 22 quilômetros abaixo da captação atual, onde a bacia de captação é maior e o manancial permitirá a retirada de 350 litros por segundo, ficando para ser retirados na captação atual apenas 200 litros por segundo, além da reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) atual ou construção de uma nova ETA.

Segundo Fabris, a prioridade é a construção da nova captação, que está orçada em R$40 milhões de reais. “Estamos abrindo uma licitação para a execução do projeto executivo dessa captação e ao mesmo tempo investiremos cerca de R$ 1,5 milhão nos filtros da ETA atual para assegurar o melhor tratamento da água, até que todo o sistema seja recuperado”, enfatizou.

Segundo o presidente, o total de investimento no sistema Batalha/ETA deverá ser da ordem de R$ 85 milhões, sendo que o DAE terá disponibilidade de cerca de R$10 milhões por ano para investimentos nessas obras. “Considero que uma espera de 8 anos é muito longa para recuperação de um sistema tão fragilizado. Teremos que buscar outras fontes de recurso e, sem dúvida, as sobras do Fundo de Tratamento de Esgoto poderão ser utilizadas, desde que autorizado em lei”, ponderou Fabris.

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