A chegada do novo ano e o clima de Natal nos remetem a refletir sobre o que fazemos, como está nossa vida e o que desejamos para o futuro.
Nesta linha quero, humildemente, externar meus desejos. No âmbito da economia, mais do que desejar que tenhamos crescimento econômico, gostaria que este crescimento se sustentasse ao longo do tempo e, mais que isso, que cheguemos ao desenvolvimento econômico. Com o desenvolvimento econômico, meu desejo é que pratiquemos justiça social.
Como é possível não nos indignarmos com o abismo social quando as estatísticas apontam que, de cada quatro brasileiros, um brasileiro tem que sobreviver com menos de R$ 400,00 por mês e, mais que isso, que dentro deste contingente mais de 15 milhões de brasileiros sobrevivem com menos de R$ 104,00 por mês?
Desejo ainda que não haja aventura na gestão pública. Que a eficiência seja a tônica, que gargalos sejam equacionados e que esta gestão seja alicerçada em melhoria dos indicadores sociais.
O controle inflacionário é fundamental para que os mais pobres sejam protegidos. Desejo, portanto, muito afinco do Banco Central para manter os preços comportados. Desejo que haja redução no déficit habitacional. Não é possível imaginar qualidade de vida quando milhões de brasileiros não têm moradia digna.
Desejo que nossa relação com o resto do mundo seja pacífica e com ela novos mercados sejam conquistados. Desejo que os investimentos em ciência e tecnologia sejam ampliados e desejo fundamentalmente que tenhamos uma revolução interna a partir do ensino de qualidade, para todos. Desejo que os juros caiam e que o empreendedor tenha condições de levar em frente seus negócios. Desejo que as reformas estruturais sejam levadas implementadas e que haja justiça tributária.
Desejo que o combate à corrupção seja exemplar e que o senso coletivo no setor púbico prevaleça em detrimento ao individualismo.
Desejo que a ambição presente no capitalismo não se transforme em ganância e que a solidariedade norteie nossas ações.
Desejo que a cidade em que vivemos priorize a qualidade de vida. Desejo que saneamento básico chegue a todos os lares. Desejo ainda que não faltem remédios nos postos de saúde. Desejo que nossos hospitais estejam estruturados para servir a saúde e não a doença.
Desejo que cada um de nós possa entender que a vida deve ser vivida em sua intensidade e que o equilíbrio entre o trabalho, a família e o espiritual é que nos fornece qualidade de vida.
Desejo finalmente que sejamos mais tolerantes, mais amáveis, menos egoístas, menos interesseiros e que o dinheiro sirva somente como meio de troca e não como segregação social.
Que o Espírito de Natal nos renove e que o desejo de cada um de nós, do bem, seja atendido.
Desejo um fim de ano Santo!
O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.