Sim. Realmente, nesse clima de final de ano, renasce aquele momento de pura reflexão e introspecção e, sendo assim, fui levado a pensar na minha geração, a famosa "Geração X". Essa definição é usada para os nascidos entre 1965 até 1977, sendo que o termo foi criado pelo fotógrafo Robert Cap, em 1950, na busca de identificar a geração que viria após a Segunda Guerra Mundial.
Faço questão de ressaltar aqui um artigo do jornalista e meu amigo João Jabbour que, de forma talentosa, sua característica profissional, abordou o tema sobre a geração Baby Boomer que antecedeu a Geração X. Toda essa introdução para dizer (e talvez lembrar) que fomos adolescentes nos saudosos anos 80 e, sinceramente, foi maravilhoso!
Mas também foi revolucionário, nós que vivemos os tempos de namoro no portão, somos a geração que mais se divorciou no Brasil. Fomos forjados para que o casamento fosse único (e duradouro), mas não foi bem assim... Rompemos paradigmas de sexualidade, aprendemos a respeitar e conviver assim. Muitos de nossos filhos fazem parte da família "mosaico", na qual filhos por parte da mãe e também filhos por parte do pai sentam-se na mesma mesa e de forma harmoniosa passam a ser uma só família.
Quebramos preconceitos, avançamos na ciência e tecnologia, despertamos a consciência entre desenvolvimento e meio ambiente. Estávamos lá quando caiu o Muro de Berlim, pintamos nossas faces no final do governo Collor de Mello, nos emocionamos ao cantar Coração de Estudante na voz do mineiro Milton Nascimento. No futebol, fomos tricampeões em 1970, tetra em 1994 e pentacampeões em 2002. Pisamos na arena do primeiro Rock in Rio, passamos a entender de Fórmula 1 por causa de um brasileiro corintiano (tanto quanto meu querido amigo Sérgio Murilo) que levava no cockpit a Bandeira Nacional e o sentimento de patriotismo de toda a nossa nação. Saudades.... Airton...
É, juramos não envelhecer, mas essa mesma geração invade academias de ginástica em peso (e também com um pouco mais de peso na balança). Aprendemos a viver e a transformar o mundo todos os dias, e mesmo assim nossos filhos ainda receberam muito dos ensinamentos dos nossos pais.
Também fomos chamados de a geração da "revolta". Que bom! Somos agraciados pelas músicas dos anos 80, no cenário internacional Queen, The Police, Elton John, entre tantos... no Brasil, compramos os primeiros LP's do Legião Urbana, do Clube da Esquina, do Zé Ramalho e de muita gente boa que traduziu e compôs a trilha sonora da "Nossa Linda Juventude" (14 Bis), músicas que simplesmente transcendem o tempo.
Enfim, todo esse relato tem um fundo e a certeza de que continuamos com o compromisso de fazer o novo, fazer melhor, criar e superar, e nunca deixar as ideias e os ideais envelhecerem. Somos responsáveis pela mudança do nosso mundo, para melhor ou não. Continuamos acreditando e buscando uma sociedade melhor! Na esperança do ano que está para começar, que seja de fato novo para todos, sigamos sempre com a leveza e o espírito da juventude! Termino este artigo com a riqueza da poesia do cantor e compositor Erasmo Carlos: "Semente do amanhã: Fé na vida. Fé no Homem// Fé no que virá. Nós podemos tudo// Nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será!"
Erasmo Carlos cantou essa música em 1984, no comício pelas "Diretas Já", no Rio de Janeiro (nossa geração também estava lá). Feliz 2019!
O autor é contador/jornalista, presidente do PPS Bauru.