As cervejas comercializadas no Brasil, sejam nacionais ou importadas, deverão informar em seus rótulos especificações sobre os ingredientes utilizados durante a fabricação, de maneira mais clara. A norma está prevista em instrução normativa do Mapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
As empresas terão até um ano para adotar as novas regras previstas pelo Mapa (especificamente até 6 de novembro de 2019). A norma deixa clara a "obrigatoriedade de constar, de modo claro, preciso e ostensivo, na rotulagem de cervejas, as informações que indiquem os ingredientes que compõem o produto, substituindo as expressões genéricas 'cereais não maltados ou maltados' pela especificação dos nomes dos cereais e matérias-primas efetivamente utilizados como adjunto cervejeiro", foi o que informou o Ministério.
Na prática, o rótulo deverá constar de informações que explicitem se a cerveja foi feita a partir de trigo, arroz, milho, triticale, aveia, sorgo ou centeio. A portaria também prevê, além disso, que os açúcares acrescentados durante a fabricação da cerveja sejam adicionados, com nomenclatura correta, acrescida do nome da espécie vegetal de origem (como é o caso do açúcar de cana, por exemplo).
Segundo a presidência da Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal), os itens considerados não maltados são largamente utilizados por empresas multinacionais produtoras de cerveja. Isso ocorre porque sua utilização permite aumentar a produção, ainda que se percam características sensoriais do produto.
O problema é que essa perda de qualidade não ficava clara para o consumidor, já que é utilizada uma denominação que encobre o uso desses ingredientes. A Abracerva acredita que a nova norma traz mais transparência ao consumidor, já que agora ele saberá exatamente o que está consumindo.
A iniciativa serve de impulso para o ramo de cervejas artesanais e independentes, que já apresenta crescimento acentuado no Brasil. Até setembro de 2018, mais de 150 novas fábricas surgiram no país, o que significa um aumento de 23% em relação a dezembro do ano passado.
Hoje, 835 cervejarias operam no Brasil e os produtores afirmam trabalhar com produtos que possuam maior valor agregado, já que o processo de fabricação emprega pessoas que se dedicam à qualidade sensorial do produto que chegará às prateleiras. Com a nova norma, o consumidor poderá perceber a real diferença entre os segmentos.