Decorridos anos desde minha infância e por ser este dia pra lá de especial, me fiz recordar com saudades das festivas reuniões em famílias quando da comemoração do Natal.
O Natal tinha cheiro, tinha som e muita devoção. As crianças e, até mesmo adolescentes, nanavam mais cedo, só para sonhar com a chegada do Papai Noel. Éramos simplesmente ingênuos e o que imperava era a inocência. Alheios às dificuldades próprias da época, lembro que diante de um humilde e sagrado presépio, em agradecimento ao menino Jesus, todos se postavam e oravam uns pelos outros. Terminada as orações, a família se reunia em torno de uma improvisada e bem decorada mesa, dando início ao delicioso e inesquecível almoço de Natal.
Era na casa da Tia Rosa que nossa família se reunia. A casa daquela tia que com certeza muitos tem ou gostariam de ter, a tia "Mãezona" que a todos recebia com indescritível alegria e humildade.
Presentes?! Ah, pelo menos um a gente ganhava e a alegria era geral. Tic, Tac, Tic Tac... Só então compreendemos que amor, dedicação e carinho foram os presentes mais humanos e valiosos que recebemos, sentimentos adormecidos que, por força desse amor, faremos despertar.
O mundo mudou, talvez para melhor, quem sabe? A Globalização nos posicionou em condição de igualdade, expondo nossas vidas em tempo real. Condição maravilhosa, porém perigosa.
Atualmente, envolvidos numa incrível disparada tecnológica, estamos desaprendendo a ser, a ser eu, a ser você ou a sermos nós mesmos!
Viciamos em creditar nossas imprecisões à modernidade, atingimos o auge quando consentimos que nossas crianças estejam precocemente "adultas", acreditando que tudo sabem, contudo, não estamos sabendo como ensinar o caminho para o futuro.
E nós, o que aprendemos?
Que nestes tempos de tantos avanços em que ninguém tem tempo para ninguém, ignoramos o mais importante que é o tempo que a gente tem.
Mas, para voltar no tempo e reparar nossos enganos, estamos prontos? Nesta intensa revelação de cristandade quando os corações se fazem mais sensíveis, curtiremos o santo momento refletindo e admitindo nossas imperfeições, anunciando antecipadamente ao menino Deus que seremos mais flexíveis menos intolerantes e humildes ao reparar nossos erros e capazes de aprimorar os acertos.
Então é Natal, a famílias se reúnem, os amigos vão chegando e transbordando de fé, amor e esperanças, as emoções da vida, celebraremos!
O autor é corretor de imóveis.