| Estadão Conteúdo |
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| Bicampeão mundial de surfe, Gabriel Medina quer aproveitar a "pegada" e estar nas Olimpíadas do Japão, em 2020, quando o surfe estreia como modalidade |
Antes de 2014, pouco se falava do surfe no Brasil. Até que Gabriel Medina fez história, se tornando o primeiro e único brasileiro a conquistar o título mundial. De lá para cá, a modalidade cresceu muito, desde o número de atletas na elite, até a visibilidade e a quantidade de fãs. Muito disso, é claro, passa pelo sucesso de Medina, que completou 25 anos no último sábado e, com ele, comemora o também inédito bi campeonato mundial na modalidade.
Segundo ele, o triunfo do Brasil no surfe começou porque os atletas começaram a acreditar que era possível. Medina também destacou a importância de se apoiar e incentivar o esporte como um todo, já que ele é capaz de mudar vidas. "O surfe mudou minha vida, o tênis mudou a vida do Guga. É super importante apoiar o esporte já que muda a vida de muita gente. Eu me sinto grato e feliz por ter tido essa oportunidade, porque eu era apenas um menino que sonhava, como muitos outros. E através do esporte eu pude dar alegra para a minha família, para o meu país. É muito difícil realizar um sonho e esse dia chegou. Então sou muito a favor, o que puder fazer pelo esporte é muito importante", frisou.
E além de inspirar e incentivar milhares de crianças ao redor do mundo, Medina também tenta ajudar de outras formas. "Pela minha parte, o que eu tenho feito, é investir na nova geração. Tenho o Instituo Gabriel Medina, em que a gente dá a oportunidade de crianças virarem surfistas profissionais, vivenciarem a rotina. Eu torço muito por essa geração. Esse ano a gente teve um campeão mundial júnior. Acredito que daqui a pouco teremos mais surfistas brasileiros no tour", completou.
RELEITURA
O surfista campeão mundial em 2014 repetiu a dose este ano no Havaí. De quebra, ainda foi campeão da etapa de Pipeline, um sonho antigo. No início do ano, ele já havia falado que sabia o que precisava fazer para ser campeão porque já tinha percorrido o caminho quatro anos atrás. Agora, com a sensação de dever cumprido, promete que em 2019 o foco estará maior ainda, até por causa da corrida olímpica.
"Ano que vem será muito importante, quero me concentrar 200%, quero me qualificar e estar no Japão, representar nossa bandeira. Agora é hora de curtir, mas vou ter de me dedicar mais. Sei o que quero e vou atrás disso", avisou o atleta, reconhecendo que está mais amadurecido com a experiência que adquiriu nos últimos anos.
"Desde 2014 o que mudou foi a experiência. São alguns anos no circuito, bati na trave, tive vitórias, derrotas e fui aprendendo. Sou mais maduro e me sinto mais preparado para tudo isso. Esse ano foi mais tranquilo, o tempo passou mais rápido, consegui me concentrar mais. Acho que a diferença é que me sinto mais maduro", continuou.
Após ganhar o título mundial em 2014, o surfista lembra que relaxou um pouco. Acabou vendo Adriano de Souza, o Mineirinho, seu amigo, ganhar em 2015 e nos dois anos seguintes quem ficou com a taça foi o havaiano John John Florence. Mas neste ano Medina voltou ao lugar mais alto do pódio e sabe que todo aprendizado das disputas anteriores foi fundamental para sua nova conquista.
"Em 2014, o que aconteceu era tudo novo. Querendo ou não dei uma relaxada, aproveitei mais a vida, mas esse ano foi um pouco diferente. Pela lição dos últimos anos que bati na trave, me dediquei um pouco mais. Lembrei o que tinha feito em 2014 e o que precisava fazer para chegar com chances de título. Esse ano botei um pouco mais de mim, todos os treinos estava me sentindo bem. Mesmo quando perdia, era surfando bem. Estava bem animado, queria muito isso. Foram escolhas que deram certo e acabaram sendo recompensadas agora", revelou.
