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O Natal sem Papai Noel!

José Ranieri Neto
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de 12 hora de viagem de carro, finalmente chegamos a Florianópolis! Deve ser a sexta ou sétima vez que estamos aqui. Eu, esposa e filhas. Viemos passar o Natal e Ano Novo. Alugamos um apartamento de frente para o mar. Pela manhã, 7h30, acordei e fui pra sacada do apartamento.

Escrevo olhando para o celular e para o infinito oceano à minha frente, ouvindo os pássaros e o barulho das ondas. É dia 23 e hoje (quando da publicação) já comemoramos o Natal e, alguns dias depois, vem a chegada de um novo ano no qual nós, brasileiros, depositamos nossas esperanças em um futuro melhor com um novo governo.

Me lembro quando era criança. Passei uma infância maravilhosa na chácara. Morava talvez no melhor lugar que alguém pudesse morar. Minha mãe sempre diz da preocupação que tinha, pois era um lugar afastado da cidade, as noites eram longas e ela ficava conosco até tarde da noite sozinha cuidando de mim e da Chiara, minha irmã.

Havia um caseiro, sr. Otaviano, e sua esposa, a dona Joana, e seus filhos - me lembro do Jaime e do Everaldo. Comi muito pão assado em um forninho de barro a lenha cuja massa era enrolada em folha de bananeira, molhado no café que era plantado na chácara, colhido, secado e torrado pelo Otaviano e preparado pela dona Joana. Nunca fui tão feliz. Meu pai, dono de escola, colocou a gente para estudar cedo. Também estudei na melhor escola do mundo, o Liceu Noroeste. Depois, Direito na ITE e Biologia na USC. Antes do final dos cursos já trabalhava na escola em que passei minha vida toda, depois veio a FIB, também imaginada pelo pai e na qual todos os quatro irmãos trabalham hoje. Todos os Natais eram de festa, todos lembrando do aniversariante, Jesus Cristo, razão por estarmos aqui. Em todos os Natais recebi presentes do meu pai e da minha mãe. Inclusive nos últimos... e mesmo marmanjo.

Neste Natal não queria presente, queria presença. Queria meu Papai Noel de volta, queria meu pai comigo. Ele me deu todos os presentes que escrevi, me deu passado, me deu futuro e, mesmo não estando presente em carne, estará presente em espírito. Dedico o texto a todos que passaram seu Natal sem seu Papai Noel, pela primeira, como eu, ou por qualquer vez.

Não existirá tempo que nos faça esquecer nosso pai, nossa mãe...

O autor é professor, advogado, diretor administrativo das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), diretor executivo do Canal Universitário de Bauru.

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