Polícia

'Forte comunitário' protege vizinhos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.
Os vizinhos da quadra 1 da rua Augusto Boemer participam do projeto Vizinhança Solidária

Um grupo de 13 pessoas provou que a união faz a força. Há pouco mais de quatro meses, os moradores da quadra 1 da rua Augusto Boemer, na Vila Falcão, em Bauru, montaram um verdadeiro forte de segurança. Desde então, câmeras, concertinas, placas e até grupo de conversas garantem a paz da vizinhança, outrora marcada por constantes furtos a residências. 

Tudo começou quando a vendedora Tânia Ávila Sollero, de 50 anos, se juntou com alguns vizinhos, inconformados diante da sensação de insegurança que permeava o bairro onde vivem. 

O primeiro passo da vizinhança foi criar um grupo de WhatsApp, denominado "Nossa rua, nossa casa". "Nós percebemos a vulnerabilidade dos moradores, já que a maioria é formada por mulheres sozinhas e idosos", complementa.

Devido à proximidade da favela São Manoel, onde existe grande fluxo de usuários de drogas, a rua Augusto Boemer recebia diversas pessoas em atitude suspeita.

Para deixar todos ainda mais em alerta, um dos vizinhos decidiu demolir a residência, que virou um terreno baldio, utilizado, basicamente, para o consumo de drogas. "Os noias chegaram até a invadir a casa de um vizinho. Eu ouvi, chamei outro morador e, juntos, espantamos os caras", relata.

Três dias depois, um grupo furtou a fiação elétrica e a rua inteira ficou no escuro. Neste momento, os moradores decidiram acionar a Polícia Militar (PM), que apresentou o Vizinhança Solidária, projeto da corporação que mescla policiamento preventivo com prevenção primária dos crimes.

Malavolta Jr.
Ivanilda e Tânia participam do grupo que 'cuida' das casas situadas na rua Augusto Boemer

A partir daí, a vizinhança instalou câmeras de segurança voltadas para a rua, cujas imagens, futuramente, poderão ser compartilhadas via celular, bem como concertinas e placas de aviso sobre o projeto.

Além disso, toda e qualquer atitude suspeita é notificada pelo WhatsApp e, muitas vezes, comunicada à polícia, que passa pela região com frequência.

E mais: em vez de ceder um prato de comida quando alguém bate à porta, o grupo optou por indicar a entidade assistencial mais próxima, que recebe, inclusive, ajuda da vizinhança. "Antes, nós éramos educados com os vizinhos. Agora, nós nos preocupamos com eles, afinal, o Estado, sozinho, não consegue garantir a nossa segurança", constata a vendedora.

EFICÁCIA

Subcomandante da 3.ª Companhia da PM, responsável pela região da Vila Falcão, o 1.º tenente André Luís do Nascimento afirma que os moradores do bairro, de imediato, abraçaram o projeto. O grupo, inclusive, foi o primeiro da área de abrangência da 3.ª Cia a aderir ao Vizinhança Solidária.

Ainda de acordo com o 1.º tenente Nascimento, o procedimento é capaz de reduzir boa parte da criminalidade, porque associa o patrulhamento preventivo às ações da própria comunidade. "Tanto que, desde que o programa foi implantado na Vila Falcão, há quatro meses, a PM não registrou qualquer ocorrência no local", acrescenta.

O subcomandante da 3.ª Cia explica, também, que, ao reforçar os vínculos com a polícia, a vizinhança ajuda a identificar os pontos de tráfico. Estes locais dão origem ao grande fluxo de usuários e aos furtos a residências, cometidos, justamente, para adquirir drogas.

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