| Aceituno Jr. |
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| Mesmo com queda na oferta, Renato Camargo de Paula não desiste de se recolocar no mercado |
Com a chegada de dezembro, a oferta de empregos formais - que não contabiliza os temporários - cai mais de 50% em Bauru. Isso é o que mostra um levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon) com base em 2017 e em 2018. Mas os dados não devem ser encarados com total desânimo, já que janeiro, de acordo com a pasta, é o mês com maior oferta de empregos. Por isso, o bauruense pode arregaçar as mangas, logo no início de 2019, em busca de uma recolocação no mercado de trabalho.
Ainda que com poucas vagas nesse período, tem quem não deixe nenhum dia de procurar pelo registro na Carteira de Trabalho. De acordo com a Sedecon, normalmente, arrimos de família, nordestinos que estão morando em Bauru há pouco tempo (vieram através de uma oportunidade de emprego específico, porém, foram desligados após encerrar o período do contrato de trabalho), pessoas que moram com parentes, universitários fora do mercado de trabalho e jovens em busca do primeiro emprego são os que mandam currículos diariamente.
CORRENDO ATRÁS
O gestor de recursos humanos Renato Camargo de Paula, de 36 anos, engrossa a camada daqueles que não desistem nem diante da queda de ofertas no fim do ano.
Ele está em busca de emprego com registro na carteira há três anos. Sem encontrar nada em sua área de atuação, partiu para os bicos, mas não sem buscar por novas oportunidades formais. "Estou fazendo alguns trabalhos como segurança, mas não tiro nem R$ 1 mil por mês. Ainda ajudo um amigo, alguns dias da semana com vendas, para ganhar mais um pouco. Mesmo assim, não deixo de mandar currículos todos os dias", conta.
Além da dificuldade dele para se recolocar no mercado de trabalho, Renato conta que a esposa também passa pela mesma situação. "É complicado porque, juntando os meus filhos e os dela, temos quatro crianças em casa. Minha esposa também está desempregada e procura vaga como atendente ou vendedora. Esse final de ano seria bom para ela, mas ela teve que cuidar das crianças e o horário de trabalho não ajuda", explica. "Nessa época, até tem oportunidades, mas as vagas são voltadas para outras áreas".
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QUEDA
E Renato está certo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Sedecon, quem busca recolocação no setor industrial sente ainda mais a queda de vagas nesse período.
Já a construção civil e área de serviços, com destaque para operador de telemarketing, cuidador de idosos, servente de obras e técnico de telecomunicações, são os segmentos que ainda contratam no final do ano.
Em novembro de 2018, 73 vagas eram oferecidas, segundo os dados da Sedecon. Em dezembro, o número de oportunidades se resumiu a 27, mais de 50% a menos que no mês anterior. "Enquanto o comércio aquece, o setor industrial entra em férias coletivas, faz acordos e diminui a produção nessa época. Isso muda de local para local, mas, no nosso caso, isso é bastante nítido", explica a secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Aline Prado Fogolin.
FÔLEGO
Já com 109, 107 e 106 vagas, os meses de janeiro, julho e outubro de 2018, respectivamente, foram os que mais contrataram. Janeiro e outubro justificam-se pelo aquecimento nas vendas de final de ano. Já em julho, a explicação vem de outro segmento. "Por sermos uma cidade universitária, muitos jovens que chegam à cidade nesse período ou deixam as universidades e continuam aqui buscam por empregos. Telemarketing e cuidador de idosos são duas vagas que se destacam nesse período", finaliza a secretária.

