Tribuna do Leitor

Velho Ano Novo

Cinthya Nunes é jornalista, advogada e professora universitária
| Tempo de leitura: 3 min

E todos os finais de ano é a mesma coisa. A gente faz uma retrospectiva do que passou e fica cheio de esperanças de que as coisas possam ser melhores ou diferentes. Mesmo aqueles mais desiludidos da vida, no fim das contas, bem lá no fundo de seus corações, também aguardam o por vir com desejos de tempos novos, de que seus navios possam encontrar portos seguros ou então que ventos bem aventurados os façam navegar para longe.

Acredito que mesmo cientes da ilusão de que um único momento possa transformar tudo, seja inevitável não se deixar levar pela crença popular e por todo o clima que cerca as festividades que encerram o ano. Muitas vezes, inclusive, essa é a derradeira tábua de salvação: a esperança.

Fico eu pensando também no que se passou nesse ano. Perdi amigos queridos e até um cachorrinho de 16 anos, o Peteco, personagem de muitos textos divertidos que escrevi. Arranjei mais uma gata, a Lika, outra vítima de maus tratos e da crueldade humana.

Não que um amor se faça substituir por outro, é claro. Só que às vezes os espaços vazios ficam desejosos de serem preenchidos, até porque os corações batem melhor quando estão completos.

Foi um ano de várias definições políticas também. Estamos diante de um novo cenário nacional, mas somente o tempo será capaz de mostrar se realmente mudamos o estado das coisas ou se unicamente mudaram-se os nomes. Não mudamos apenas de presidente, mas também de modo de pensar. Espero que venham mudanças no modo de agir.

Deixei de cumprir a maior parte dos planos que tracei para mim mesma. Não consegui começar a correr, muito menos cheguei perto de realizar a mini maratona que almejei. Igualmente não emagreci os seis quilos que considero excesso inútil, bagagem extra pela qual pago a tarifa de ver minhas roupas mais apertadas do que eu gostaria.

Ainda não terminei de escrever os livros que já comecei, mas comecei outro, aquele que vive me atormentando as ideias, gritando para se deitar em uma folha pautada. Somente os dias de 2019 é que poderão me dizer se serei ou não capaz de colocar pontos finais onde só tenho colocado reticências e interrogações.

Não consegui fazer todos os mil projetos de artesanato que separei, mas concluí alguns bem legais e eles me renderam boas risadas em excelente companhia. Assei menos da metade dos pães para os quais comprei farinha, mas aqueles que sovei, assei e comi regados a café quente valeram por todo o restante.

Marquei mentalmente muitos reencontros e encontros, mas a imensa maioria deles não se concretizou. As conversas e confidências trocadas naqueles que a vida permitiu, entretanto, mobilizaram meu coração.

Ao contrário de outros anos, no entanto, nas derradeiras horas de 2018, ao invés de fazer pedidos sobre o que quero, pretendo registrar para o Universo aquilo tudo que não quero, pois se eu ao menos desviar do que me faz mal, do que pode me machucar, tudo aquilo que eu conseguir realizar de positivo, que me for dado viver de bom, será o produto das boas lembranças de 2019.

Desejo a cada um dos meus leitores, ocasionais ou constantes, um ano novo de Paz, sentimento que só vivencia quem está de bem com a vida, ainda que diante dos problemas corriqueiros. E o mais importante de tudo, que mesmo que nossos planos não se concretizem plenamente, que outros melhores nos sejam soprados aos ouvidos, permitindo que, ao findar de 2019, ainda estejamos por aqui...

Feliz Ano Novo!

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