Regional

Travessia de balsa é suspensa por excesso de aguapés em Itapuí

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Redes Sociais

Itapuí - Acúmulo excessivo de aguapés e outras plantas aquáticas no rio Tietê, em Itapuí (44 quilômetros de Bauru), levou a concessionária que opera a balsa a suspender o serviço por cerca de três horas nesta segunda-feira (14). Nesta terça-feira (15), as condições melhoraram e a travessia entre o município e Boraceia ocorreu normalmente durante todo o dia.

O gerente de operação da concessionária responsável pela balsa, Rodrigo de Almeida Prado Freitas, conta que a travessia foi interrompida às 17h15 e retomada apenas às 20h06, quando as plantas se dissiparam. "As plantas tomaram conta do rio. Não tinha mais rio", narra.

Malavolta Jr.
As fotos mostram a situação do rio Tietê em Itapuí na segunda (14) e terça-feira (15); as plantas aquáticas se acumulam e até dificultam a navegação

De acordo com ele, se a medida não fosse tomada, a travessia entre as duas cidades, que dura em média oito minutos em condições normais, levaria aproximadamente uma hora e meia para ser concluída. "Para não constranger o usuário, a gente prefere não trabalhar", diz.

Freitas revela que a situação do Tietê na segunda-feira (14) em Itapuí foi bastante atípica. "A ilha (de aguapé) atingiu a largura do rio, que é de 1,2 quilômetro, e, de comprimento, chegou a mais de cinco quilômetros. E não era só aguapé. Também tinha taboa e capim gordura", declara.

O gerente aventou a possibilidade de o fato ter ocorrido em razão da abertura das comportas da usina de Barra Bonita, o que, segundo ele, teria "empurrado" as plantas até Itapuí. "Todo ano aumenta demais a quantidade de aguapés. E ninguém toma providências para tirar", reclama.

"Isso atrapalha a gente, que faz a travessia transversal do rio. A gente precisa trabalhar, os usuários precisam usar a balsa. E quando esse aguapé chega na barragem de Bariri, também atrapalha o pessoal da hidrovia, que faz o transporte longitudinal".

Malavolta Jr.
Nesta terça (15), a quantidade de aguapés diminuiu e a balsa voltou a operar

Em nota, a AES Tietê informou que "periodicamente, para a operação do empreendimento, é realizada abertura das comportas da usina hidrelétrica, o que naturalmente promove seu escoamento". "No entanto, a abertura realizada em Barra Bonita neste momento é exclusivamente para oxigenação da água e em um nível que não impacta o entorno de Itapuí", salienta.

POLUIÇÃO

A proliferação dos aguapés, assim como a das algas, é causada pelo aumento dos nutrientes na água, ocasionado, sobretudo, pelo despejo de esgoto sem tratamento nos rios.

Em setembro de 2018, conforme divulgado pelo JC, a Justiça atendeu a pedido liminar da Promotoria do Meio Ambiente de Lins em ação civil e determinou que a AES Tietê, o Estado de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apresentassem plano de trabalho com objetivo de acabar com a poluição do rio Tietê provocada por resíduos industriais e domésticos.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Cetesb declarou apenas que "a ação civil pública está sob judice". A AES Tietê informou que recorreu da liminar e que, em outubro, o Tribunal de Justiça (TJ) concedeu decisão favorável à companhia.

"A decisão liminar deixou de apreciar os argumentos da AES Tietê, uma vez que essa empresa não possui poder de polícia sobre as fontes de poluição do rio Tietê, que passa pela Região Metropolitana de São Paulo, e não contribui para as causas da eutrofização do rio", afirmou.

"Vale ressaltar que a AES Tietê, como concessionária de geração de energia elétrica, reconhece o seu papel como uma das usuárias do recurso hídrico e atende todas as condicionantes estabelecidas pelo órgão ambiental para desenvolvimento de suas atividades. A busca pela preservação do rio Tietê é de extrema importância. A AES Tietê possui diversos programas ambientais, como produção de mudas de árvores, soltura de peixes e reflorestamento, entre outras ações".

Veja o vídeo:

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