| Douglas Reis/JC Imagens |
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| Luiz Pires: mais de três décadas e meia dedicadas ao Parque Zoológico Municipal de Bauru |
Você imagina o Zoológico de Bauru sem Luiz Pires? Pois esta passa a ser a realidade a partir de hoje. O zootecnista, que comandou o parque por 36 anos, se aposentou após decidir encerrar um ciclo de conquistas.
Aos 59 anos, Pires continuará a atuar em prol da fauna selvagem prestando serviços de consultoria, além de seguir como membro do Núcleo Gestor da Prefeitura de Bauru, cargo que já ocupava desde o início da gestão Clodoaldo Gazzetta. De acordo com o prefeito, o nome de quem assumirá a diretoria do Zoo ainda não foi definido, mas sairá de dentro dos quadros da instituição.
Em entrevista concedida no parque ontem, ao JC, Luiz Pires relatou que a decisão foi tomada para que ele pudesse dedicar mais tempo à família e para permitir novos olhares sobre a gestão do Zoo - que conta atualmente com 650 animais e 61 funcionários. Revelou, também, que foi uma resolução amadurecida nos últimos dois anos, quando sua equipe passou a ter mais autonomia para tomar decisões.
"Depois de tantos anos, a condução do Zoo estava personificada em mim. Então, comecei a descentralizar, acompanhando as decisões tomadas e interferindo quando necessário. Agora, chegou o momento de concluir este processo", conta, sem fazer questão de esconder a complexidade emocional envolvida. "Para mim, vai ser difícil. Sei que venho me preparando, mas não sei como vai ser quando a ficha realmente cair".
TRANSFORMAÇÃO
Nascido em Bauru, Luiz Pires formou-se em zootecnia pela Unesp de Botucatu em 1982. Em 1 de janeiro de 1983, começou a trabalhar no Zoo, já como zootecnista responsável pelo parque, fundado três anos antes.
Na época, o Zoológico era subordinado à Secretaria Municipal de Obras, quando as políticas de bem-estar animal no País ainda eram incipientes. "Não tinha nem água para a limpeza do Zoo. Vinha um caminhão-pipa lavar as vias de acesso público antes de abrirmos para visitação", lembra.
De lá para cá, muita coisa mudou. Com todos os avanços alcançados nestas últimas décadas, o Zoo se transformou em um dos mais respeitados do País, dando o respaldo necessário para que Pires, funcionário de carreira da prefeitura, se mantivesse à frente do parque em todas as administrações municipais desde então.
Amigo pessoal do diretor cessante desde 1993, Gazzetta destacou o papel fundamental que Pires teve, com o apoio de sua equipe, para tornar o Zoológico o parque que é hoje. "Reinventando-se a cada dia, ele marcou a história da cidade, fazendo do Zoo não só um espaço de visitas, mas de pesquisa e conservação da fauna. É algo que poucas pessoas conseguiram realizar em termos de gestão pública", destaca.
MISSÃO CUMPRIDA
Pires também atuou como professor universitário por 15 anos, além de acumular, em alguns momentos, a função de secretário municipal de Meio Ambiente. Agora, encerrou sua missão como diretor do Zoológico de Bauru com números recordes: em 2018, o parque teve a maior visitação de sua história - um total de 330.448 pessoas.
"Foi um ciclo de muitas alegrias e realizações, com orgulho muito grande de ter sensibilizado milhares de pessoas para a necessidade da proteção de nossos ecossistemas e, consequentemente, da conservação de nossa fauna", relatou Pires, em carta publicada hoje na Tribuna do Leitor (leia a íntegra na página 2 da versão impressa ou digital).
Nessa quarta-feira (16), pouco antes de revelar nas redes sociais a sua tatuagem no braço esquerdo em homenagem ao Zoo, Luiz Pires se despediu da reportagem do JC. Estava em outro prédio do parque, um pouco distante de sua sala e, mesmo diante da chuva, recusou a carona oferecida pela equipe. "Deixa eu caminhar um pouco pelo meu zoo", argumentou, seguindo, com a intimidade de quem passou a vida toda em contato com a natureza, a pé, debaixo d'água.
