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Entrevista da Semana: Luiz Henrique Sormani Barbugiani

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 10 min

Dedicação e amor pelo direito 

Samantha Ciuffa
O procurador do Paraná, Luiz Henrique Barbugiani, mantém boas lembranças de Bauru

Fotos: Arquivo pessoal
Barbugiani esteve em um evento da ONU recentemente
Barbugiani tem 2 doutorados e é professor de pós-graduação
Barbugiani com a esposa Catia e as filhas Helena e Sophie

A escolha de Luiz Henrique Sormani Barbugiani pelo Direito aconteceu cedo, ainda no Ensino Médio, e após estudar na Unesp de Franca, passou em diversos concursos da área. Procurador do Estado do Paraná, atualmente ele mora em Curitiba, mas não se esquece da infância e juventude em Bauru, onde marca presença quando possível para visitar familiares e amigos.

O gosto pela profissão vai além da atuação no mercado de trabalho. Desde 2003, ele já fez sete pós-graduações lato sensu, um MBA em Gestão Estratégica, duas especializações, dois mestrados, dois doutorados e um estágio pós-doutoral. Além disso, deu palestras em institutos da ONU, e afirma que dar aula é uma grande realização. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Como foi a sua infância em Bauru?

Luiz Henrique Sormani Barbugiani - Minha infância e adolescência foram muito tranquilas na cidade de Bauru, naquela época, os campeonatos de vídeo-games e as pedaladas de bicicleta com amigos eram sensacionais. Recordo-me do carinho e da dedicação de meus pais e da amizade com meus irmãos Fernando, Juliana e Luciana. Um dos locais preferidos era o Bosque da Comunidade. Outro local era o Vitória Régia, onde andávamos de bicicleta, soltávamos pipa. O parquinho ao lado dele era parada obrigatória, em que brincamos muitas horas. Uma tradição na família eram os passeios semanais ao Horto Florestal e mensais ao Zoológico. Lembro com certo saudosismo o verde e os animais antes da praça Rui Barbosa ser remodelada. No primeiro e segundo ano do primário, estudei na Escola Adventista de Bauru, fui aluno das professoras Nilza e Vilma. No terceiro e quarto ano do primário estudei na Escola Estadual Rodrigues de Abreu e quando iniciei o ginásio fui para a Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Ernesto Monte. Durante o sexto, sétimo e oitavo ano, passei a estudar no Colégio Preve Objetivo, quando pude participar de olimpíadas de matemática, tendo obtido a medalha de prata na oitava série e, devido ao desempenho acadêmico, figurei, com muito orgulho, no Anuário Brasileiro da Educação. No primeiro colegial passei a estudar no Colégio Interativo e passei para o Colégio Anglo durante o segundo e terceiro colegial graças a uma bolsa parcial de estudos. Durante a minha infância e adolescência sempre escutava atento às histórias que meu pai contava sobre Bauru, os bailes no Automóvel Clube. Recordo-me de uma cerimônia na Sociedade Hípica em que ele foi homenageado e lhe concederam um título honorário remido de sócio fundador, sendo que até hoje tenho a carteirinha com a indicação de sócio honorário n. 09. Outra lembrança que possuo bem marcada em minha memória são os prêmios que minha mãe recebeu em exposições de artes plásticas. Devido a esses prêmios nossa família viajou para muitas cidades para exposições e cerimônias.

JC - Em que momento e por que decidiu escolher o direito?

Barbugiani - Sempre gostei de ler e escrever, mas adorava sobretudo a matemática, química e física. Talvez justamente essa paixão pelas ciências exatas tenha me impulsionado para o Direito, pois a ciência jurídica exige conhecimentos em raciocínio lógico que se aproxima mais do raciocínio da matemática do que das ciências humanas. Além disso, tanto na dosimetria da pena quanto na estipulação e adequada interpretação da base de cálculo ou alíquota de um tributo dependemos da matemática. Desde o colegial acabei escolhendo o Direito como o curso de graduação mais adequado para o meu perfil. Todavia, como sou bem eclético, prestei vestibulares desde o segundo colegial para diversos cursos superiores.

JC - Como foi a sua trajetória até a faculdade?

Barbugiani - Como passei em diversas faculdades particulares optei por iniciar meus estudos fora de Bauru na universidade menos cara. Isso me levou ao Instituto Mackenzie, em São Paulo. Nessa época, permaneci na capital paulista poucas semanas e fiquei hospedado na casa de um amigo. Infelizmente, como o custo de minha manutenção em São Paulo era incompatível com a renda de meus pais tive que deixar o curso e voltar para Bauru, estudando em casa sozinho. Curiosamente nesse período descobri que existia o "Super Bolsão do Liceu". No intuito de testar a qualidade dos meus estudos solitários, inscrevi-me nesse concurso. Acabei obtendo o primeiro lugar dentre os candidatos, com uma bolsa integral de estudos para o Colegial Técnico, que se pudesse ter cursado, teria optado pelo de Processamento de Dados. Como fui aprovado na Unesp, acabei indo para Franca e não pude fazer esse curso. Recordo-me com carinho do professor Dudu Ranieri. Como iria para a faculdade, sugeri a meu pai que fosse ao Liceu e verificasse a possibilidade de aproveitar a bolsa de estudos para as minhas irmãs. Meu pai marcou uma reunião com o Dudu e retornou com uma bolsa de 50% para cada uma delas. Durante o curso de Direito na Unesp percebi que o universo jurídico era bem amplo. Isso me agradou imensamente devido ao meu gosto pela diversidade. Como, no último ano, a Unesp possibilitava uma especialização em diversas áreas do Direito, das quais deveríamos eleger uma, resolvi direcionar o último ano da graduação à habilitação especial em direito empresarial. Nos dois últimos anos da faculdade paralelamente resolvi estudar italiano em uma sociedade filantrópica em Franca e isso me propiciou, após terminar a faculdade, participar de um concurso internacional denominado América Latiníssima, promovido pela União Latina. Consegui obter o quarto lugar e, com isso, uma bolsa de estudos que me possibilitou permanecer um período no ano de 2000 na Itália, tudo custeado pelo governo italiano, para aprimorar meus conhecimentos linguísticos.

JC - Em seguida, vieram os concursos?

Barbugiani - Após retornar ao Brasil percebi que o meu destino seriam os concursos públicos. Passei para Analista Especialista na Execução de Mandados do TRT da 15ª Região e em terceiro lugar para Procurador do Município de Araraquara. Assumi o cargo de Procurador. Depois disso, passei em outros concursos ao longo dos anos. Fui aprovado em quarto lugar para Procurador do Município de Lorena, em primeiro lugar para Advogado Público do Município de Mogi das Cruzes, em primeiro lugar para Procurador do Município de Atibaia, em segundo lugar para Assessor Jurídico da Câmara de São Bernardo dos Campos. Ainda consegui aprovação para o cargo de Procurador da Câmara de Hortolândia e Procurador do Município de Santo André, por fim, para Procurador do Estado do Paraná, onde assumi e me encontro até os dias atuais.

JC - Quais conquistas trouxe mais satisfação?

Barbugiani - É uma pergunta difícil de responder, pois creio que toda conquista nos traz satisfação de alguma forma. Passar em um vestibular ou em um concurso público é incomensurável. Viver um curto período na Itália como estudante, por ela ser a terra natal de meus antepassados, foi inesquecível. Todavia, dar aulas na pós-graduação é uma das experiências mais engrandecedoras para um professor-pesquisador. Acredito que nos últimos anos as palestras na Espanha e Costa Rica, essa última em um dos institutos da ONU, foi a realização de um sonho. Agora se me perguntar o que mais me sensibilizou, nos últimos tempos, posso afirmar que foi o convite da Rosa Leda, aprovado pelos demais membros da Academia Bauruense de Letras, para participar de seus quadros como membro correspondente. Não sou só bauruense de nascimento, mas principalmente de coração e essa acolhida por grupo tão seleto e preocupado com o desenvolvimento da cultura na cidade encheu meu coração de alegria.

JC - O País atravessa um momento de cobrança por mais Justiça e combate à corrupção. Como analisa os movimentos?

Barbugiani - Esses movimentos são reflexos direto do exercício da democracia e acredito que demonstram que vivemos em um país em que vigora a liberdade. O acesso facilitado à informação permite à população conhecer os fatos e exigir alteração de condutas irregulares e ilegítimas. Vejo as denúncias de corrupção como algo positivo, pois isso demonstra que há fiscalização e apenação aos responsáveis, por isso não concordo com a afirmação de algumas pessoas de que vivemos no país da corrupção porque esses movimentos demonstram justamente o contrário. Se jamais se tivesse notícia de corrupção ai sim, com certeza, a corrupção estaria tão arraigada que tudo estaria ocultado.

JC - O novo ministro da Justiça é o ex-juiz federal Sergio Moro, que atuava na mesma cidade que o senhor, Curitiba. Em algum momento chegou a ter contato com ele?

Barbugiani - O ministro Sergio Moro é um jurista de mérito no âmbito profissional e acadêmico, em especial devido ao fato de ter sido, até pouco tempo, professor da Universidade Federal do Paraná. Infelizmente, não o conheço pessoalmente, nem cheguei a ter algum contato direto ou indireto com ele, pois a atuação em processos penais não integra a competência da Procuradoria-Geral do Estado. A indicação dele como ministro da Justiça foi uma escolha muito bem acolhida no Brasil por toda a população e acredito que também se projetou no exterior dada a sua atuação nos processos de combate à corrupção. Diria que foi uma "jogada de mestre" do presidente Jair Bolsonaro convidá-lo. O mercado respondeu positivamente à nomeação de Sergio Moro, com expectativas de estabilização e segurança nas relações políticas, jurídicas e sociais.

JC - Como o senhor avalia a qualidade atual da formação na área e a obrigatoriedade da prova da OAB?

Barbugiani - De fato, curiosamente, o Brasil é um dos países com maior número de Cursos de Direito, superando países mais populosos que o nosso, como os Estados Unidos. Isso é fruto da ausência de planejamento educacional. Em alguns países europeus há limites rígidos não só para a abertura de cursos em geral, como também a limitação da quantidade de estudantes em cada área. O Ministério da Educação deveria ser mais restritivo na aprovação de cursos de Direito. É essencial ter maior preocupação com o futuro do país e com a quantidade de profissionais em cada área de atuação para um desenvolvimento equilibrado. Quanto à obrigatoriedade do exame da OAB para viabilizar o exercício da profissão de advogado sou totalmente favorável, inclusive é praxe em diversos países e, oportunamente, deveria ser ampliado a outras profissões.

JC - Como é a sua vida com a família?

Barbugiani - A minha vida profissional é muito intensa, o que acaba prejudicando o convívio familiar e social. Quando consigo sair de férias procuro viajar com a família e me manter próximo da minha esposa e das minhas filhas o máximo possível. Nos finais de semana, quando consigo adiantar o trabalho durante a semana, fico procurando passeios em família, como realizava na minha época de infância em zoológicos e parques. Gostava muito na infância de andar de bicicleta com meus amigos, mas, nesse momento, como minhas filhas ainda são bem pequenas, vai demorar um pouco para eu conseguir reproduzir isso com elas.

PERFIL

Luiz Henrique Sormani Barbugiani nasceu em 2 de junho de 1976, em Bauru, filho de Luiz Vicente e Odília Maria. Casado com Catia Helena, é pai de Helena Luiza e Sophie Louise. Na música, seu gosto é eclético. Aprecia desde música clássica a sertanejo e pagode, além de música italiana e espanhola. O gosto variado também ocorre na literatura. Aprecia livros como os da Antologia da Academia Bauruense de Letras. No momento, está lendo 'Minha Tribo', de Cláudio Dangió. Torce para o São Paulo, Real Madri e Milan, além do Noroeste. Os filmes preferidos são ficção científica, ação e terror.

 

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