Geral

Bauru terá ato em defesa dos indígenas neste fim de semana

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Ato ocorrerá na Praça Kaingang; na foto, os organizadores Mariza Basso e Irineu N'Jea

Neste final de semana, Bauru receberá um ato em defesa dos povos indígenas. O evento, que ocorre em consonância com um movimento nacional, terá programação cultural no sábado e domingo e reunirá artistas locais, palestrantes, além de indígenas representantes das quatro aldeias existentes em Bauru e região.

Uma marcha pelo Calçadão da Batista iniciará as atividades, no sábado, com concentração na Praça Rui Barbosa, às 15h. As demais atividades seguirão durante à tarde na Praça Kaingang, que fica no interior do Museu Ferroviário. No domingo, a programação ocorre durante todo o dia no museu (veja o cronograma no quadro no final).

Para o evento, são esperados povos das culturas Kaingangs, Terena e Guarani, a maioria, hoje, residente da Reserva Indígena de Araribá, que fica em Avaí.

Um dos organizadores do ato, que terá tom de protesto contra decisões do governo federal, é Irineu Nje'a Terena, presidente da Associação Renascer em Apoio à Cultura Indígena (Araci) de Bauru.

Segundo ele, o manifesto ocorre "após o governo Jair Bolsonaro esvaziar o Ministério do Meio Ambiente", passando atribuições para a pasta da Agricultura, que, agora, é responsável pela demarcação de terras. Antes lotada no Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi transferida para o recém-criado Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, o que também gerou reação negativa.

"A Funai já vinha sendo sucateada e, agora, está pior. O novo governo colocou gente do agronegócio para cuidar das florestas do Brasil e disse que não irá mais demarcar terras. Esse discurso abre brecha para que grileiros e posseiros invadam as nossas terras. Estão todos com medo", cita Irineu. "Eles dizem que, com isso, querem inserir o indígena na sociedade, mas nem nos ouviram. Alguns de nós usam tecnologia sim, mas isso não faz com que a nossa essência se perca. O indígena não tem pensamento capitalista. Queremos viver da terra, não lucrar com ela", completa.

REFLEXÃO

Também organizadora do ato, Mariza Basso diz que um dos principais objetivos é causar reflexão. "Invasões de terra indígenas já estão ocorrendo pelo Brasil e podemos viver um genocídio, se essa política continuar. Nosso dever é proteger nossos ancestrais, os poucos que sobraram. Demarcação já", afirma Mariza.

Para isso, artistas plásticos, músicos, atores, performers, palestrantes e MCs e outras denominações se uniram no ato.

Uma música composta pelo cantor Nel Marques dará o tom ao protesto. Ele se apresenta no domingo.

Bauru, possui, hoje, cerca de 430 indígenas. Outros 800 integram a aldeia de Araribá. 

A Praça Kaingang é a única em homenagem ao povo indígena na cidade, que também possui um bairro, o Índia Vanuíre.

 

Comentários

Comentários