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Oito mortos em Brumadinho já foram identificados

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 7 min

Corpo de Bombeiros/Divulgação
Rejeitos no rio Paraopeba, que faz parte da bacia do rio São Francisco

O governo de Minas informou que já foram identificados oito mortos no rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. O governo chegou a informar que o número de mortos subiu para 40, porém a informações foi retificada - e foi mantido o número de 34 mortos. As buscas por sobreviventes foram suspensas às 20h de hoje (26) e serão retomadas às 4h deste domingo.

Até o momento, foram resgatadas 366 pessoas, sendo 221 funcionários da Vale e 145 terceirizados. Desse total, 23 estão hospitalizados.

As equipes do Corpo de Bombeiros incluem 205 integrantes, sendo 175 especializados no trabalho de resgate de vítimas de soterramento. O trabalho de monitoramento da barragem B6 continua.

Multa

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais estipulou multa de R$ 99 milhões à empresa Vale, por responsabilidade dos danos causados pelo rompimento da barragem. Os recursos, segundo o governo mineiro, serão destinados aos reparos. O secretário de Meio Ambiente, Germano Vieira, informou que a empresa deverá ser notificada até segunda-feira (28) e, a partir daí, terá 20 dias para recorrer.

Luto

O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias a contar da data do decreto que foi ontem (25). Zema voltou a agradecer o empenho de todos que colaboram neste momento de sofrimento, desde os bombeiros que vieram de outras cidades e estados, até as autoridades que foram a Brumadinho conferir de perto os estragos, prestar solidariedade e contribuir com medidas que ajudarão a resolver os problemas da região e dos atingidos. O governador destacou as presenças do presidente Jair Bolsonaro - que sobrevoou hoje a região -,do procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet; da procuradora-geral da República, Raquel Dodge; do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; do ministro da Defesa, Fernando Azevedo; do Secretário Nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves.

Rejeito atingiu o rio Paraopeba

Reprodução
Barragem de mineração se rompeu nesta sexta-feira (25) na região de Brumadinho

A estatal Furnas, do grupo Eletrobras, monitora a chegada dos rejeitos da barragem em sua hidrelétrica Retiro Baixo, que funciona no rio Paraopeba, podendo comprometer as operações da usina.

A barragem da usina hidrelétrica Retiro Baixo, confirmou a Agência Nacional de Águas (ANA), está localizada a 220 km do local do rompimento e "possibilitará amortecimento da onda de rejeito". Segundo a ANA, "estima-se que essa onda atingirá a usina em cerca de dois dias".

O rio Paraopeba faz parte da bacia do rio São Francisco. A hidrelétrica Retiro Baixo está localizada entre os municípios mineiros de Curvelo e Pompeu. A usina tem duas turbinas em operação, com capacidade instalada de 82 megawatts, energia suficiente para atender 200 mil habitantes, e opera desde 2010. Seu reservatório de 22 quilômetros quadrados.

Por meio de nota, a ANA informou que está em constante comunicação com os órgãos e autoridades federais e estaduais, inclusive no âmbito de recente Acordo de Cooperação sobre Segurança de Barragens, que está permitindo troca facilitada e mais rápida de dados sobre a situação no local do evento.

"A ANA está monitorando a onda de rejeito e coordenando ações para manutenção do abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba", declarou. "A fiscalização da barragem rompida, de acumulação de rejeito de mineração, cabe à autoridade outorgante de direitos minerários", informou a agência, referindo-se à Agência Nacional de Mineração (ANM).

Instituto Inhotim é esvaziado e deve permanecer fechado no fim de semana

Wikimedia Commons
Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina

O Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina e localizado em Brumadinho, foi esvaziado por segurança após o rompimento de barragem, informou o instituto em nota divulgada em suas redes sociais.

Segundo comunicado, a partir de recomendação da Polícia Civil, o instituto esvaziou a área de visitação do museu e orientou visitantes e funcionários a deixar o local. O instituto informa que, por ora, a área do Inhotim não foi atingida, assim como não foram registrados feridos ou prejuízos às obras, instalações ou jardins do museu.

Ainda de acordo com a nota, o instituto permanecerá fechado “em solidariedade ao município e a todos os atingidos”. “Aguardamos mais informações para definir a data de reabertura”, diz ao instituto.

Também em nota, o Ministério do Turismo lamentou “profundamente” o rompimento da barragem, e prestou solidariedade à comunidade afetada. A pasta reconhece que a maior preocupação, no momento, dever ser com as “vidas impactadas pela tragédia”, mas destaca que ela afeta o Instituto Inhotim, “importante atrativo turístico do Brasil”.

“Desde já, o Ministério do Turismo se coloca à disposição para trabalhar em parceria com outros órgãos do governo no amparo às famílias e na recuperação da região para minimizar o impacto da catástrofe e, por meio do turismo, ajudar a comunidade a superar o trauma e retomar a vida.”

Uma barragem da mina de ferro Feijão, da Vale, rompeu-se no município de Brumadinho no início da tarde desta sexta-feira, atingindo parte da comunidade da Vila Ferteco e a área administrativa da companhia, deixando feridos.

Barragem em Brumadinho tem volume de 12,7 milhões de m³ de rejeitos

Reprodução
Não há informações sobre a dimensão do acidente

De acordo com informações apresentadas no site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1, que se rompeu hoje, foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito à seco, ainda de acordo com o site.

As principais preocupações dos órgãos no momento, entre eles a Defesa Civil, é com resgate de vítimas e proteção de pontos de captação de água, disse o Ibama. "O Ibama acompanha o evento também por meio do Grupo de Informações de Emergências em Barragens, integrado pela Defesa Civil e os órgãos fiscalizadores de barragens. A Defesa Civil confirmou a existência de pessoas isoladas."

Ainda de acordo com o Instituto, em situações de emergência, a competência primária para acompanhamento é dos órgãos licenciadores no Estado. "A competência federal, na situação, será estabelecida se o incidente ultrapassar os limites territoriais ou atingir significativamente um bem da União", afirmou o órgão federal. O Ibama garante que continuará acompanhando o evento e prestando o apoio necessário aos órgãos públicos.

Força-tarefa

O governo de Minas Gerais enviou uma força-tarefa ao local do rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, para "acompanhar" a situação e "tomar as primeiras medidas".

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão no local da ocorrência e há cinco helicópteros que sobrevoam a região para o atendimento às vítimas, afirma nota oficial divulgada pelo governo do Estado. O governo estadual anunciou que montou um "gabinete estratégico de crise" para acompanhar as ações na cidade.

Gabinete de crise

Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília

Um gabinete de crise já foi montado no Palácio do Planalto para acompanhar todo o desenrolar da situação decorrente do rompimento da barragem da mineradora Vale na Mina Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Esse gabinete vai coordenar os esforços de todos os ministérios que estarão envolvidos na busca de soluções para o rompimento da barragem e redução de danos. O presidente Jair Bolsonaro está reunido em Brasília com vários ministros para determinar as primeiras ações e equipes técnicas serão deslocadas para a região.

Auxiliares diretos do presidente consideraram o episódio uma verdadeira "tragédia ambiental". Por determinação do presidente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, irá para Minas Gerais ver de perto o tamanho do estrago causado. O Planalto deverá divulgar uma nota sobre o rompimento.

O presidente deve ir no sábado de manhã para a região atingida e lamenta “eventuais perdas de vidas” ocasionadas pelo acidente, disse o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, nesta sexta-feira.

O porta-voz classificou como “lastimável” o acidente ocorrido e afirmou que o presidente determinou o estabelecimento de um gabinete de crise para acompanhar a situação tanto no Palácio do Planalto quanto no Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, vários ministérios foram acionados para acompanhar a situação.

Repercussão internacional

O rompimento de barragem da Vale é destaque da imprensa internacional. A tragédia foi noticiada pelos jornais americanos The New York Times, Washington Post, e The Wall Street Journal, pela emissora americana CNN, pelos ingleses The Guardian e Financial Times e pelo francês Le Monde.

Le Monde, Wall Street Journal e Financial Times citam em seus textos que a Vale é uma das proprietárias da Samarco, que viu uma de suas barragens romper, em 2015. Na ocasião, o distrito de Bento Rodrigues foi soterrado e 19 pessoas morreram.

Financial Times, que tem ênfase na cobertura econômica, incluiu a informação da queda de 8% das ações da Vale listadas na bolsa de Nova York.

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