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Famílias sofrem com falta de fraldas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Produto essencial na garantia da dignidade e na qualidade de vida das pessoas, especialmente as idosas e doentes, as fraldas tamanho adulto têm se tornado alvo de preocupação de famílias em Bauru. Isto porque, nos últimos meses, elas têm tido dificuldade para obter gratuitamente o produto, mesmo com mandado judicial que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer. A Secretaria de Estado de Saúde diz que está providenciando os itens. 

Sem as fraldas obtidas junto ao governo do Estado, o segurança Francisco Carlos Silveira, 55 anos, diz que tem gasto até R$ 400,00 por mês com a compra do produto para a filha autista, que tem 28 anos.

"Desde novembro do ano passado, não veio mais. Nossa liminar é antiga. Recebemos as fraldas desde quando ela tinha 8 anos. Sempre faltou, mas, de uns tempos para cá, a coisa piorou muito", conta Francisco. "É um dinheiro que faz falta. E tem pessoas que conversamos e está em situação até pior, que são acamada e também não receberam", denuncia.

Valquíria Vera Correa, 38 anos, passou pela mesma situação. Desde 2016, ela possui liminar para obter fraldas para a irmã de 36 anos, que ficou acamada após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).  "Passamos outubro, novembro e dezembro no sufoco, tendo que comprar. De tanto eu ir lá e insistir, consegui hoje (segunda-28) uns pacotes que darão para o mês. Mas, em fevereiro, tenho certeza que será outra luta pra conseguir", afirma a mulher. "Eu ainda tive sorte, porque tem muita gente que vai embora de mãos vazias", completa.

A distribuição é feita no prédio do Departamento Regional de Saúde, próximo ao posto de saúde do Centro.

OUTRO LADO

Por meio da assessoria de comunicação, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru alega que fraldas não fazem parte da lista de produtos definida pelo Ministério da Saúde para distribuição pelo SUS, uma vez que esses produtos não têm relação com o tratamento de doenças. "Ainda assim, mensalmente, o DRS fornece cerca de 51 mil fraldas aos pacientes, de diversos tamanhos".

Sobre os casos citados da reportagem, a pasta confirma que a irmã de Valquíria foi contemplada nessa segunda-feira (28). Já a filha de Francisco "será contatada tão logo ocorra a entrega da fralda, que está em processo de aquisição".

"Em todos os casos de decisões judiciais, o DRS inicia imediatamente o processo de aquisição tão logo recebe a notificação. Porém, alguns fatores alheios ao planejamento, podem prejudicar a agilidade no processo, como ausência de receita médica no processo; documentação incompleta; o atraso por parte do fornecedor; os pregões 'vazios'; ou até os pregões 'fracassados'", completa a nota.

Vivendo de ajudas

Malavolta Jr.
Mulher de 34 anos tem paraplegia congênita e família precisa de fraldas

Aos 57 anos e desempregada para poder cuidar da filha de 34 anos com paraplegia congênita, Senhorinha Alves Pereira faz parte de um outro grupo de famílias, que não possui respaldo da Justiça para conseguir a fralda, mas também tem o produto como uma das principais preocupações da casa. Ela conta que a filha passou a sofrer com atrofia no último ano.

Sobrevivendo com doações, a família moradora do Distrito Industrial 3 reclama de ineficiência do Estado. "É muito burocrático conseguir a liminar. Quando reuni todos os documentos, o prazo tinha passado, então, vou ter que ingressar novamente. Meu marido está desempregado. Não temos dinheiro nem para colocar álcool no carro e ir atrás da Justiça. Moramos longe", conta. "Quando chegam as contas de água e luz já é tortura. Não temos um centavo pra comprar fralda",  completa.

Em nota, o Estado afirma que a fralda nunca fez parte da lista de produtos distribuídos pelo SUS e que apenas os casos por meio de demanda judicial são atendidos.

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