Muitas pessoas ainda não entenderam a dimensão das consequências do déficit público brasileiro. Quanto maior o rombo das contas públicas, maior o risco de o governo tornar-se insolvente. A dívida pública bruta brasileira atingiu R$ 3,87 trilhões em 2018, o que representa 78,2% do Produto Interno Bruto. A previsão para este ano é que atinja R$ 4,3 trilhões elevando a relação dívida/PIB para 79,3%, saltando o ano que vem para 80,1% até atingir 80,6% em 2021.
A partir de 2021 o quadro pode ser alterado para melhor se as reformas forem implementadas, principalmente a reforma da previdência. Dependendo da dimensão das reformas, o patamar da dívida pública dividida pelo PIB pode cair para 74%.
É evidente que toda economia é bem-vinda, sendo que se observa que atual governo está sendo mais rigoroso com dinheiro público, via enxugamento de ministérios, combate a corrupção, entre outros. Em algum momento, deverão ser enfrentados os gastos, ou melhor, os desperdícios de dinheiro público nos demais poderes (legislativo e judiciário), contudo, a previdência social é a bola da vez. Não dá mais para adiar.
No fechamento do ano de 2018 apurou-se um crescimento de 8% do rombo da previdência. O valor é expressivo: déficit de R$ 290,2 bilhões. Em valores absolutos, o rombo cresceu R$ 21,5 bilhões.
Não é pouca coisa.
Segmentando o buraco das contas da previdência: o setor privado observou rombo de R$ 195,19 bilhões. Os servidores públicos civis deixaram um rombo de R$ 46,4 bilhões. Os militares gastaram mais do que arrecadaram no montante de R$ 43,9 bilhões. Os demais setores do setor público apresentaram déficit de R$ 4,8 bilhões.
Os números são alarmantes e há grande distorção entre o setor privado e o setor público. Enquanto o rombo do setor privado refere-se a praticamente 30 milhões de trabalhadores, o rombo do setor público, incluindo os militares, refere-se a 3,5 milhões. Matematicamente, fica fácil entender que proporcionalmente o problema maior está no setor público, cuja média de aposentadoria é muito superior à do setor privado.
Vale reforçar que o equacionamento do déficit público, estabilizando a relação dívida/PIB, garantirá a retomada da confiança de longo prazo em nossa economia, e com ela a injeção de recursos via investimentos, fazendo a roda da economia girar.
Em última instância, estamos falando da melhoria da renda, via queda no desemprego, e combate às desigualdades sociais. Para que isso seja realidade é preciso fazer o que tem ser feito.
Os números não mentem.
O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.