| Quioshi Goto/JC Imagem |
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| Cidimar Pantanegro foi de Bauru, do Pantanal e de Três Lagoas |
| Samantha Ciuffa |
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| Claudemira Aparecida do Nascimento, filha de Cidimar Pantanegro, com filhos Maria Emília, Cidimar Beloni e Rodrigo Beloni |
| Reprodução |
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| Material de divulgação do cantador encantado pelo Pantanal |
Cidimar Pantanegro era um devoto festivo da música de fronteira produzida entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, aquela inspirada pela vida no campo e os encantos do Pantanal. Também viveu em Três Lagoas (MS), onde foi radialista nos anos 90. Em Bauru, morava no Jardim Solange.
E se, por vezes, parecia meio reservado, "na dele", o ambiente logo virava festa regada a piadas e ritmos regionalistas quando se prendia ao violão para soltar o vozeirão.
A voz e o violão de Cidimar saíram de cena às 11h32 da última terça-feira, 29/1. Ele tinha 74 anos e a causa da morte foi uma potente combinação de pneumonia, insuficiência renal aguda, hipertensão e o derradeiro choque séptico.
Coisa demais para o coração do cantador.
"Coloquei a mão em sua testa, fiz uma oração e o sinal da cruz e vi que uma lágrima nele se formou. Assim acabou e ele se foi", relembra a neta Maria Emília Aparecida do Nascimento, 32 anos, que esteve com Cidimar no Hospital de Base em momento final. Ele deixou, aliás, 11 netos e quatro filhos.
ATÉ LUTA LIVRE
No Memorial Bauru, agora, está o homem que, vigoroso na juventude, misturava música com... ringue.
Assim contou Cidimar à repórter Luciana La Fortezza, do JC, em abril de 2015: "Nós fazíamos em circo luta livre e também cantávamos. Nós brigávamos, saíamos no tapa até terminar. Tínhamos que fazer isso para aumentar o cachê. A gente fazia academia e aprendeu cair. Depois, a Copacabana nos viu e nos contratou".
O "nós" se refere a Cardosinho, com quem Cidimar construiu trajetória: juntos, gravaram discos e o de estreia foi em 1979 ("A Dupla Diferente do Brasil"). Ali estão composições de Cidimar como "Linda Cuiabana" e "Paraíso da Vida" (parceria com Matogrosso).
Pouco antes, em 1/8/1978, Cardosinho e Cidimar cantaram na inauguração do Parque Vitória Régia - mesma cerimônia que contou com os já consagrados Pedro Bento & Zé da Estrada. Joel Antunes Leme, o Pedro Bento, morreu em São Caetano do Sul, aos 85 anos, 25 dias antes de Cidimar - em 4/1 de 2019, portanto. Zé da Estrada faleceu em 2017, aos 88 anos.
REPERCUTE
A morte de Cidimar foi noticiada em Três Lagoas por rádios e sites. Por aqueles lados, como radialista, ele tinha um curioso apelido: "Ui Ui Ui". Era sua marca registrada, no ar em emissoras, em shows e até em músicas gravadas. Dizia, quase cantarolando: "Ui ui ui, gente Maravilhosa. Ui ui ui, que bailinho dos bons...".
Por essas bandas bauruenses, Cidimar foi tocando a vida nos últimos anos com saúde vacilante, principalmente por causa de uma gota persistente. A cadeira de rodas entrou na sua rotina. Algo, no dia a dia, não se alterou: "O violão e a cantoria", destaca Maria Emília. "Ele não vivia sem a música".
Agora é a música, na família de Cidimar, que vai ter que aprender a viver sem ele.
| Samantha Ciuffa |
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| Violão, chapéu, discos e pasta com letras de Cidimar na casa da neta, Maria Emília |
'Pantaneiro paulista'
Aparecido José do Nascimento, nascido em Valparaíso, em 15/9/1944, já vivia em Bauru na primeira infância e, por aqui, aos 7 anos, frequentava o cinema que funcionava na Vila Falcão (São Rafael). Adulto e em Três Lagoas, onde virou radialista popular, chegou a se candidatar a vereador, mas os quase 500 votos não foram o bastante. Curioso, gostava de falar guarani e arranhar o castelhano - os idiomas do Paraguai. Compositor, fez guarânias, rasqueados e também músicas de homenagens: ao lanche bauru e ao piloto Ayrton Senna, por exemplo.
Música do disco de 1979
| Reprodução |
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| Cardosinho e Cidimar: dupla literalmente lutava pela fama (em ringues) |
Confira, logo abaixo, "Mineiro Respeitado", com Cardosinho e Cidimar:




