| Aceituno Jr./JC Imagens |
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| O arquiteto Jurandyr Bueno mostrando o desenho do Anfiteatro Vitória Régia que, segundo sua concepção arquitetônica, visto de cima, mostra a imagem de Nossa Senhora estilizada |
Em 6 de fevereiro de 2009, o então vereador e arquiteto Jurandyr Bueno Filho deixava esta terra de passagem de forma inesperada, acometido de complicações após um infarto. No dia que completa uma década da morte de um de seus principais entusiastas da ocupação urbana ordenada, Bauru retoma, coincidentemente, uma das propostas de Jurandyr, a instalação de parques lineares em fundos de vale.
O ex-prefeito e ex-deputado Alcides Franciscato, presidente dos grupos Prata e Cidade, amigo de décadas de Jurandyr, que foi seu secretário no desenvolvimento urbano da cidade e companheiro de jornadas políticas, afirma que "mesmo 10 anos depois de nos deixar, Jurandyr, um ícone da arquitetura e do urbanismo no País, tem suas ideias e conceitos ainda muito contemporâneos e avançados. Se estivesse aqui, estaria prestando um serviço público inestimável a Bauru, e a cidade certamente estaria ainda mais bela e funcional. Foi um homem muito inteligente e capaz que tive o privilégio de conhecer e ter como amigo de muitas horas".
Projetista do Parque Vitória Régia, Jurandyr deixou precocemente o mandato de vereador. "Ele estava muito animado, cheio de energia e esperançoso de que os novos projetos que idealizou iriam transformar a paisagem urbana e a qualidade de vida da cidade. Logo no início do mandato, ele já iniciou contatos e rediscussão dos projetos, entre eles o dos parques. O Jurandyr lutou por anos para que o Parque do Castelo (espaço ainda não urbanizado como parque e que leva seu nome), da Água Comprida, na baixada do Sambódromo, e da área do Pátio Ferroviário saíssem do desenho, do projeto", lembra o então assessor parlamentar do arquiteto, Hélio Anselmo de Souza.
Hélio mantém farto material que levantou sobre a trajetória e a agenda cidadã de Jurandyr. "Eu já fazia pastas com o material dele, do que ele discutia, reuniões, do que falava, de propostas, projetos que defendeu. Quando ele assumiu como vereador, em 2009, ele não me pediu, mas eu passei a formar as pastas que guardo até hoje. Recebi muito do vestuário do Jurandyr. Até hoje uso camisas de linho italianas que parecem durar para sempre, em razão da qualidade. O Jurandyr amava Bauru, era um cara muito humano. Sinto muita falta dele", conta, emocionado, Hélio, que já trabalhava com Jurandyr dois anos antes do início do mandato na vereança.
Para o presidente da Câmara de Bauru, engenheiro José Roberto Martins Segalla, o coletivo estava presente na trajetória de Jurandyr. "Um homem de vocação pública, um apaixonado pela cidade e pelos projetos de desenvolvimento da cidade. Um entusiasta por projetos urbanos, que privilegiam a ocupação ordenada e o desenvolvimento. Como também engenheiro, penso que Bauru jamais poderá esquecer Jurandyr Bueno Filho, porque suas concepções urbanísticas estão presentes em nossa cidade o tempo todo, pelos diferentes e principais pontos do município".
HISTÓRIA
Nascido em 1942, em Bauru, filho caçula de Zibelina Bueno, dona de casa, e Jurandyr Bueno, trabalhador ferroviário da Noroeste do Brasil (NOB), o arquiteto perdeu o pai quando tinha apenas 4 anos. Mostrou aptidão, e gosto, pelo desenho desde os 10 ano. Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo na USP, em 1967, sendo colega de Chico Buarque na mesma época. Ainda na USP, Jurandyr fez pós-graduação. Lecionou arquitetura na Universidade Estadual Paulista no período em que esta era fundação e, depois, Unesp, entre 1984 até 1996.
Na década de 70, Jurandyr Bueno Filho foi vice-prefeito de Bauru na gestão de Edmundo Coube e foi secretário da área de Planejamento Urbano nos mandatos de Alcides Franciscato e Osvaldo Sbeghen É deste período que nasceram os principais projetos urbanísticos públicos que marcaram sua trajetória. Vieram o Parque Vitória Régia, projeto em 1976, após o arquiteto ter visto, anos antes, na Grécia, a ocupação de espaços ao ar livre (Ágora grega). Várias das principais avenidas e viadutos, além de estádios distritais, Pronto-Socorro Central e outras obras municipais nasceram dos traços de Jurandyr.
Os parques lineares defendidos pelo arquiteto vieram mais tarde. Em 1968, passou a trabalhar na ideia do Plano Diretor da cidade, o que veio a ser lei apenas nos anos 90. "O Jurandyr tem, em pelo menos 52 casas de porte de Bauru, sua assinatura, e inúmeras obras e projetos de intervenção urbana, como a USC, o prédio da Cohab, o Terminal Rodoviário, a sede do Sindicato Varejista e o Santuário do Sagrado Coração de Jesus.
Já em outra fase, o projeto do Parque do Castelo hoje previsto para a Nações Unidas Norte, o da Água Comprida, que agora está sendo retomado e inúmeros outros em todo o Estado", elenca Hélio.
Em 2005, ele recebeu o prêmio Cosipa-Usiminas na Bienal Internacional de Arquitetura pelo projeto do Posto RodoServ Star, localizado às margens da rodovia Castelo Branco, em Pardinho. Foi membro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (International Concil of Monuments and Sites - ICOMOS), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e integrou a comissão da Unesco. Em setembro de 2007, ele deixou o PSDB e filiou-se ao PPS, vindo a ser eleito vereador na disputa de 2008 nas eleições municipais. Jurandyr participou de apenas duas sessões legislativas e faleceu por complicações decorrentes de um infarto em 6 de fevereiro de 2009.
Jurandyr doou, em testamento firmado ainda em 2002, todos os seus bens (imóveis), a quatro pessoas que trabalharam com ele por anos, sendo o eletricista José Carlos Ferraz, o construtor Carlos Alberto Borges da Silva, a esposa do ex-secretário do arquiteto, Maria Rinaldi Gabas, e o secretário particular à época, Júlio Cesar Chaves de Oliveira.
