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Bauru tem 3 mortes suspeitas de dengue

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Arquivo da Família
José Ponce, 82 anos, morreu na última terça-feira (5), segundo atestado de óbito, a causa foi dengue

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, nessa quarta-feira (6), o registro de três mortes de pacientes que receberam o diagnóstico suspeito de dengue em Bauru neste ano. A confirmação, segundo a pasta, ainda depende da análise de exames que já foram encaminhados ao laboratório do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Os resultados ainda não ficaram prontos.

Uma das vítimas é José Ponce, 82 anos, morador do Jardim Bela Vista que morreu na última terça-feira (5) no Hospital Beneficência Portuguesa. No atestado de óbito, consta que o paciente perdeu a vida em decorrência de choque hipovolêmico (choque hemorrágico) e dengue. Ele era hipertenso e tinha diabetes.

Um segundo caso, segundo a secretaria, também é oriundo da rede privada. Já a terceira vítima foi atendida na rede pública. Idades e sexo dos pacientes não foram informados pela pasta.

"O paciente atendido na rede pública recebeu os primeiros atendimentos já em estado grave, com nível baixo de plaquetas. Sequer deu tempo de fazer outros exames", argumenta o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin. Segundo ele, a vítima era idosa, assim como José Ponce, que também teve agravamento rápido do quadro de saúde.

Malavolta Jr.
Segundo José Eduardo Fogolin, sete pessoas foram internadas na rede pública por quadro grave de dengue

O filho Sidnei Ponce, 43 anos, conta que o pai passou mal no último sábado e foi levado ao hospital. Com a confirmação do diagnóstico de dengue, ele passou a fazer o tratamento em casa, mas piorou na terça-feira (5). "Ele chegou a vomitar sangue. A gente acredita que, como ele nunca foi de falar muito, resolveu não comentar que estava sentindo dor, acreditando que seria temporário e iria se recuperar. Quando pediu ajuda, a situação já era grave", lamenta.

O filho conta que foram poucas horas entre o retorno do pai ao hospital e sua morte. "Até os últimos momentos, ele ficou dizendo que estava bem. O que nos conforta é isso: ele teve uma passagem tranquila. Só sofreu um pouquinho nas últimas horas", pontua. José, que deixa a esposa e oito filhos, foi sepultado nessa quarta-feira (6), em Itapuí.

RISCO

Até o momento, em 2019, Bauru já contabiliza 1.137 casos de dengue, sendo que sete pacientes foram internados em hospitais públicos em razão da gravidade do quadro. A Secretaria de Saúde não recebe dados sobre internados em unidades da rede privada.

"Destes sete, um foi o paciente da rede pública que evoluiu para óbito", aponta Fogolin, destacando que o grupo de risco para quadros mais críticos é formado por gestantes, pessoas acima de 65 anos, com diabetes ou doenças cardiovasculares. São sinais de alerta para o agravamento da dengue sintomas como dor abdominal intensa, vômito persistente, pressão baixa, sangramento, diminuição da urina, queda do nível de plaquetas, desconforto para respirar e pele pegajosa e fria.

Já a manifestação clássica abrange febre, dor muscular, dor nas articulações, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, náuseas e manchas avermelhadas pelo corpo.

Em boa parte dos pacientes, contudo, os sintomas podem ser leves, o que leva a alto índice de subnotificações. "Para cada caso notificado, temos 10 não notificados, em média. Às vezes, a pessoa pode ter só uma dor de cabeça com febre e nem procurar o serviço de saúde", frisa.

'Sobrevivi por um milagre', conta vítima da doença

Aceituno Jr.
Com dengue hemorrágica, Laura Chermont ficou internada por dez dias

Na terça-feira (5), a estudante universitária Laura Chermont da Costa, 22 anos, conseguiu acompanhar a filha de um ano em seu primeiro dia na escola. Há menos de duas semanas, um dos seus maiores medos era não poder participar deste momento importante na vida da pequena.

Laura estava em uma cama de hospital, com medo de morrer em decorrência de uma dengue hemorrágica. "Eu senti que ia morrer, mas pedi muito a Deus para poder ver minha filha crescer. Sobrevivi por um milagre", conta a jovem, hoje em casa, já começando a retomar sua rotina.

Ela conta que quase perdeu a vida porque o diagnóstico demorou a vir. Neste meio tempo, foi tratada com diclofenaco, medicamento não recomendado devido ao risco de facilitar o surgimento de hemorragias em caso de dengue.

"Eu havia tido uma infecção na urina antes de começar a ter os sintomas da dengue: muita dor no corpo, febre e vômito, que acabaram sendo confundidos com o problema que eu já tinha", relata.

Segundo Laura, ela foi à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota no dia 16 de janeiro e, sem que exames fossem realizados, tomou diclofenaco até o dia 18, quando voltou a procurar ajuda na UPA do Ipiranga, onde permaneceu internada. Mesmo com a suspensão do medicamento errado, mas ainda sem o diagnóstico de dengue, o quadro de saúde de Laura piorou.

Dois dias depois, já com sangramento, ela foi transferida para UTI do Hospital de Base. "Estava com muita dor abdominal e falta de ar. Minhas plaquetas estavam em um nível mínimo e meu abdômen estava cheio de líquido, com fígado, vesícula e baço inflamados. Do jeito que eu estava, os médicos disseram que não sabiam como eu não tinha morrido", relembra.

Depois de receber o diagnóstico de dengue, a estudante conseguiu se recuperar e recebeu alta no último dia 27, quando finalmente pôde voltar para casa e rever a filha, de quem ficou afastada por dez dias.

Questionado sobre o atendimento prestado nas UPAs, o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, disse não poder comentar informações sobre o prontuário da paciente e que uma eventual investigação sobre a conduta dos médicos será investigada se uma reclamação formal for registrada pela jovem, o que não havia ocorrido até essa quarta-feira (6).

"O que posso afirmar é que, em medicina, casos clínicos podem se sobrepor a outros e tornar o diagnóstico mais complexo. Mas é prematuro dizer que a rede não fez o diagnóstico correto. Pelo contrário, as estatísticas mostram que a conduta dos profissionais tem sido muito satisfatórias", pontua.

Nebulização ampliada

A Prefeitura de Bauru e a Sucen decidiram ampliar a área de nebulização contra o mosquito Aedes aegpyti. Nos dias 8, 15 e 22 de fevereiro, além do dia 1 de março, sempre a partir das 20h, haverá nebulização na região dos bairros Nova Esperança e Edson Francisco da Silva. A recomendação é manter portas, janelas e cortinas abertas e alimentos, filtros de água, utensílios de cozinha e roupas cobertos. É importante guardar bebedouros de animais, gaiolas de passarinhos e aquários. Crianças, idosos e pessoas alérgicas devem permanecer em um cômodo com porta e janelas fechadas durante 30 minutos após a aplicação. Todos os moradores devem ficar dentro de casa.

Alerta reforçado

O secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, informou que o alinhamento sobre a conduta de investigação e terapêutica será reforçado de novo. "Destacamos uma médica que está visitando as unidades de pronto-atendimento para fazer o acompanhamento dos casos, independentemente da gravidade", acrescenta Fogolin. As unidades são orientadas a cumprir o protocolo de exames para os casos considerados suspeitos, com hemograma imediato; o teste Dengue NS1 para a detecção da doença, a partir do terceiro dia do início dos sintomas; e exame de sorologia para identificação do sorotipo do vírus, a partir do sexto dia.

 

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