| Fotos: Divulgação |
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| Poemas na juventude foram "berço" do projeto que resultou nesta obra: outras virão em breve |
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| Isabel Viotto: primeiro livro traz 42 poemas e ganha "estreia" |
Advogada da área criminal e de família em Agudos, Isabel Viotto lança hoje, às 19h30, seu primeiro livro: "Censura Dores" (Canal 6 Editora). "Eu escrevia na juventude e parei. Voltei há pouco tempo e o livro é resultado dessa produção mais recente", resume.
Como o título indica, a autora reflete - em poesia - sobre a era exibicionista vigente, na qual quase tudo é uma alegria só nas redes sociais, em contraponto com o fato de que as dores da vida podem ser um aprendizado importante.
"Hoje em dia há uma ditadura da felicidade", avalia. "Mas a gente aprende mais sofrendo do que quando é feliz. Se você tirasse os percalços que teve na vida, muito provavelmente pouca maturidade sobraria".
Para ela, "dão aquela maquiada na dor, mas a dor continua lá - e sem ser entendida como episódio para o amadurecimento pessoal".
Os 42 poemas, agrupados nos últimos anos, deixaram a autora, de 48 anos, com ânimo renovado para projetos literários futuros. Por enquanto, contudo, o foco é o livro de hoje. Que, aliás, também é fruto de dores sentidas e absorvidas pela própria Isabel - como quando precisou, por uma combinação de fatores, parar com uma de suas paixões, que era competir em provas a cavalo.
Mãe de dois filhos - Luiz Felipe, 19 e Ana Cristina, 23 -, Isabel entende ser sua produção poética também uma válvula de escape em relação às situações cotidianas com as quais convive na advocacia, como casamentos desfeitos e crianças vitimizadas. "E é bacana notar que um texto, assim como a música, pode incentivar outra pessoa a viajar nos próprios sentimentos dela."
SERVIÇO
Lançamento do livro "Censura Dores", de Isabel Viotto (Canal 6 / R$ 25): 12/2, hoje, às 19h30, no Espaço Histórico Plínio Machado Cardia- rua 13 de maio, 441, Centro, Agudos. Mais informações na página da autora no Facebook e pelo e-mail dr.viotto@superig.com.br
Poema 'Amarras'
Perdi o ponto...
O jeito... a conta...
Perdi a chance...
A paciência... o tempo...
Lancei fora desesperadamente
Sonhos... encantos... desejos...
Expectativa inútil de estancar a dor.
Restaram nesgas profundas...
Retalhos informes
Dispersos por todos os
cantos que vejo.
A tênue amarra permanece.
Não se dá dois passos... lá está ela...
Trazendo de volta o velho servil.
Não há acalentos...
Objetivos ou futuro.
Não há paixão...
Projetos ou encantos.
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