| Fotos: Samantha Ciuffa |
| O empresário Jad Zogheib foi o anfitrião da reunião com Luiz Antônio Sola e Capitão Augusto |
Sediada em Bauru, a empresa Transfesa S/A se reuniu na última segunda-feira (11) com o deputado federal Capitão Augusto (PR) para pedir a intercessão do parlamentar junto ao governo federal para tentar viabilizar a revitalização da ferrovia Métrica Norte, que inclui a Estrada de Ferro Sorocabana, passando por Bauru, para transporte de cargas. O trecho, de 1.680 quilômetros, parte de Mairinque, a 60 quilômetros da cidade de São Paulo, e termina em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com a Bolívia.
Diretor-presidente da Transfesa S/A, Luiz Antonio Sola explica que, para tornar a reforma possível, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) precisaria liberar um empréstimo de quase R$ 4 bilhões. "O problema é que a instituição exige garantia fiduciária, ou seja, um bem em garantia de pagamento. Mas é um patrimônio que a Transfesa não tem", pondera.
Por isso, recorreu ao Capitão Augusto para intermediar uma possível exceção sobre esta obrigação diretamente com o presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar solicitou para que Sola providencie maiores detalhes sobre o projeto, mas, de antemão, se comprometeu a agendar encontro para discutir o tema com o presidente da República. "Assim que ele receber alta médica, vamos levar esta ideia até lá", informou.
O trecho ferroviário entre Mairinque e Corumbá, que margeia 62 cidades de São Paulo e Mato Grosso do Sul, está sob concessão da Rumo Logística. De acordo com Sola, as negociações com a empresa e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), iniciadas em 2016, já estão avançadas para que a Tranfesa se torne subconcessionária da ferrovia, assim como já é das oficinas localizadas em Bauru, que prestam serviços para a Rumo.
"Nós queremos o empréstimo não para investir em uma empresa particular, mas sim em uma estrutura que é do próprio governo e que está sucateada. Tem gente que pode achar que ferrovia é coisa do passado, mas, na verdade, é coisa do futuro. E a Transfesa existe para ajudar a ferrovia a ser grande", argumenta.
A ideia é que os R$ 4 bilhões sejam aplicados principalmente para a substituição de trilhos e dormentes, dentro de um cronograma que, em alguns anos, viabilizaria financeiramente o funcionamento da ferrovia. O valor seria devolvido ao banco ao final de 20 anos.
Com a conclusão da revitalização, Sola projeta que as composições poderão voltar a trafegar com maior velocidade - a média, atualmente, é de 12,5 quilômetros por hora - e, assim, transportar 26 milhões de toneladas de carga por ano, tais como commodities agrícolas, combustíveis, celulose, madeira, cimento e açúcar, entre outros.
O diretor-presidente acredita que terá condições de negociar o empréstimo com o BNDES por possuir bom histórico junto ao banco, que já o financiado para a aquisição de ações da ferrovia e posterior fundação da Transfesa S/A, em 1996, época das privatizações no Brasil. Formada por 932 sócios, a empresa fabrica peças como vagões e locomotivas e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), além de realizar, nas oficinas, serviços de manutenção neste tipo de veículo.
Em 2018, conforme destaca Sola, a Transfesa foi a vencedora do prêmio oferecido pela revista Maiores & Melhores do Transporte, na categoria indústria ferroviária, por elaborar o primeiro protótipo de uma locomotiva movida a eletricidade no País. A escolha contou com a participação da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol).