Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019. Meu filho tinha pedido a mim para participar da seleção de alunos para o curso de ballet do Centro Cultural de Bauru. A seleção começaria às 8h30, mas a orientação foi para chegar 15 minutos antes. Eu sabia desde o começo que seria uma seleção, logo, algumas crianças ficariam de fora dessa oportunidade. Mas é muito diferente chegar até o lugar e ver que algumas crianças ficarão de fora!
Como diria Marina Colasanti, 'a gente se acostuma, mas não deveria'. Quando estamos no local de seleção, essa constatação de que algumas crianças ficarão de fora cria rostos, emoções, nomes.
Ali, vivi um misto de esperança e desesperança na humanidade. Esperança por ver que pais e mães com rostos cansados, provavelmente como um reflexo do equilíbrio diário entre trabalho e família, ainda conseguem ter energia para admirar a arte e incentivar o filho a dançar.
Esperança por observar funcionários atenciosos, prestativos e respeitosos com todos. Esperança por ver pais e mães amáveis abraçando os filhos depois da seleção e falando com voz terna: 'você foi corajoso'. Mas... algumas crianças ficarão de fora.
Desesperança ao constatar que depois que esses pais enfrentaram toda uma maratona para chegar até ali, algumas crianças ficarão de fora! A gente não deveria se acostumar com isso.
Ali, conversando com uma amiga que compartilhava a mesma indignação, pensamos: quanto custaria contratar outros professores de ballet ou ampliar o número de horas aula para os professores interessados em aumentar sua carga horária?
O coração aqui segue apertado. A gente não deveria se acostumar. Nenhuma criança pode ficar fora das oportunidades de desenvolvimento. E, como diriam os Titãs: "A gente não quer só comida. A gente quer bebida, diversão, ballet...".