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Dengue: Saúde acha larva do mosquito em piscinas e até em água para santo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

O que era para ser demonstração de fé tornou-se pesadelo, afinal, os agentes de endemias, em Bauru, chegaram a encontrar larvas do mosquido da dengue dentro de um copo d'água ofertado a um santo. E não para por aí. A falta de consciência de alguns munícipes leva estes profissionais a acharem focos do Aedes aegypti em outros locais bastante inusitados. O que mais preocupa, entretanto, são as piscinas.

É o que revela a encarregada da equipe de Informação, Comunicação e Educação da Divisão de Vigilância Ambiental, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, Sílvia Maria Riccó Xavier.

Segundo ela, que trabalhou por 15 anos visitando casa a casa, os agentes já encontraram larvas do mosquito em copo com dentadura, bandeja de bebedouro, casca de caramujo morto, lata de tinta, caixa dos Correios, tampa de hidrômetro e, recentemente, túmulo vazio. "Havia um buraco na tampa da necrópole, por onde a água da chuva entrava", justifica.

EPIDEMIA

Embora pareça cômica, a situação é trágica, já que o município luta contra uma epidemia de dengue. Inclusive, a cidade registrou, por enquanto, 1.547 casos da doença, seis internações e três mortes suspeitas.

Ainda hoje, a assessoria de imprensa da prefeitura ficou de atualizar estes números, como o faz toda sexta-feira.

Além disso, o JC já noticiou que Bauru é o 2.º município de todo o Estado de São Paulo com o maior número de ocorrências de dengue. Se considerar a incidência da doença por habitante, um em cada 220 bauruenses recebe tal diagnóstico.

AÇÕES

Entre as ações desenvolvidas pelo poder público, está o bloqueio dos criadores em até 1,2 mil imóveis por dia, conforme informações da Secretaria Municipal de Saúde. E mais: diariamente, 450 edificações são submetidas à nebulização portátil e 160 quadras, à nebulização acoplada a veículo.

De acordo com Sílvia, a equipe que ela coordena também executa atividades educativas. Neste sábado, por exemplo, os servidores estarão no Nova Bauru, na Vila São Paulo, na Vila Dutra e no Santa Edwirges.

Já no domingo, eles irão até a feira livre da Gustavo Maciel e o Zoológico Municipal, cujo Bicho do Mês - brincadeira baseada em adivinhar qual é o animal, com base em placas espalhadas por todo o local -, é o próprio Aedes aegypti.

Piscinas deixam município em alerta

Fotos: Douglas Reis
Piscina suja e com água: multa de R$ 600,00 a R$ 6 mil

Nada mais propício para a proliferação do Aedes aegypti do que água parada. Sem manutenção adequada, as piscinas são ambientes ideais para o desenvolvimento da larva do mosquito transmissor da dengue.

Segundo o agente de saneamento Bento Benedito Fermino Júnior, muitos munícipes não dão conta de executar tal serviço, considerado caro. Por isso, a cidade está em alerta quanto ao possível criadouro.

Tanto que, nessa quinta-feira (14), Bento foi até uma residência que abriga uma piscina desativada. O fiscal chegou ao local através da denúncia de um morador do entorno, preocupado com a saúde da família.

Bento Benedito Fermino Júnior, fiscal: "Vivemos em meio à epidemia e não podemos deixar passar este tipo de ocorrência"

O agente explica que, diariamente, o município visita casa a casa. Porém, quando os servidores não conseguem ter acesso aos imóveis - principalmente, porque os moradores não estão por lá -, o setor de Bento entra em ação.

PASSO A PASSO

O procedimento é simples. O fiscal dá início ao auto de infração e o proprietário da casa tem até 15 dias para recorrer. Caso o recurso seja indeferido, mas o responsável execute a limpeza, recebe apenas uma advertência.

Entretanto, se o dono perder o recurso e deixar de limpar o imóvel, é passível de multa, que varia de R$ 600,00 a R$ 6 mil, dependendo da gravidade da situação.

No caso da residência visitada por Bento, nessa quinta-feira (14), o homem que se diz proprietário alega que a piscina havia sido drenada e abrigava pouca água, oriunda da chuva.

Mesmo assim, o dono do imóvel, que pediu para ter a identidade preservada, será autuado e o local receberá larvicida ainda hoje. "Vivemos em meio a uma epidemia e não podemos deixar passar este tipo de ocorrência", pondera o fiscal.

EM NÚMEROS

Para se ter ideia, em 2018, a prefeitura autuou 60 munícipes, aplicando advertência a 15 e multa a 16. Neste ano, foram 13 autos de infração, nenhuma advertência e quatro multas. Do total dos processos instaurados, em 2019, pelo menos, quatro são decorrentes da falta de manutenção das piscinas.

MAIS ÁGUA PARADA

Preocupante é que local abriga água parada; e na Alfredo Maia (à dir.), trilho está coberto pela água

Um leitor do Jornal da Cidade flagrou uma situação considerada, por ele, muito grave. Desta vez, o acúmulo de água parada e mato alto preocupa os moradores do entorno da linha férrea, ao lado da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), situada na avenida Alfredo Maia, na região central da cidade. Como o trecho é de responsabilidade da Rumo, a assessoria de comunicação da empresa alega, em nota, que a instituição executa a limpeza do local regularmente, mas o excesso de chuva causa este tipo de problema. Além disso, a região faz parte do cronograma interno da companhia, que critica, também, o descarte irregular de lixo. "É fundamental que as pessoas joguem este tipo de material em locais adequados, atitude que contribui para eliminar os focos do Aedes aegypti", argumenta a Rumo, em nota. Já a Vigilância Ambiental informa que, apesar do local não ser considerado um ponto estratégico do trabalho contra a dengue, realiza a sua vistoria periodicamente. Hoje, o órgão ficou de enviar um fiscal para verificar a área e aplicar larvicida, se houver necessidade.

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