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Entrevista da Semana: Richarlyson Felisbino

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 8 min

Em 2019 o desafio do capitão do Norusca é contribuir com o clube de recolocar a equipe na Série A2
Praticante de crossfit em Bauru
Richarlyson desarmando Ronaldo no clássico
Jogador é ídolo e tricampeão brasileiro com o São Paulo. Richarlyson também foi campeão Mundial com o Tricolor e campeão da Libertadores com o Atlético
Na época como lateral-esquerdo do São Paulo, Rick foi titular em partida da Seleção sob comando de Dunga
Richarlyson ladeado pelo pais Lela e Maria de Lourdes e o irmão Alecssandro, também jogador de futebol
Richarlyson (no colo) com o pai Lela e o irmão Alecssandro

O volante Richarlyson está no Noroeste, atualmente disputando a Série A3 do Campeonato Paulista, após uma carreira onde conquistou os principais títulos do futebol nacional e internacional. Campeão mundial em 2005 e três vezes campeão brasileiro, em 2006, 2007 e 2008, no São Paulo, ele foi também campeão da Libertadores no Atlético Mineiro, em 2013. Nesta época, teve a oportunidade de atuar ao lado do irmão, o atacante Alecssandro. Natural de Natal/RN, Richarlyson veio para Bauru quando ainda era criança.

O esporte está no DNA da família, pois o pai Lela foi jogador profissional, atuando pelo Noroeste e pelo Coritiba, onde foi campeão brasileiro em 1985. Além do futebol, Richarlyson já praticou outras modalidades e, no tempo livre, aproveita para ficar com a família e amigos. O jogador vem se destacando na boa campanha do Noroeste na A3. Após um dos treinos no Estádio Alfredo de Castilho, o atleta conversou com o JC. Confira os principais trechos da entrevista.

JC - Você tem uma carreira vitoriosa, com grandes títulos por onde passou. Como apareceu o seu interesse pelo futebol, teve influência da família?

Richarlyson - Eu acompanho o futebol desde pequeno por causa do meu pai. Desde os 9 anos eu treinava na escolinha dos clubes onde meu pai estava. Meu primeiro time profissional foi o Ituano, onde tive a oportunidade de jogar o Campeonato Paulista e ainda jogava nos juniores. Em 2003, fui campeão da Copa São Paulo no Santo André. Em 2004 fui para a Áustria e, em 2005, cheguei ao São Paulo. Ao longo da minha carreira, passei por poucos clubes, mas pude fazer história onde estive.

JC - E qual foi o melhor momento da sua carreira?

Richarlyson - Em 2007 e 2008, no São Paulo. A gente tinha conquistado o Campeonato Brasileiro de 2006 e, depois em 2007, ganhamos novamente, com cinco rodadas de antecedência e fui escolhido o melhor volante do Brasileirão. No ano seguinte, comecei sendo convocado para a Seleção Brasileira. Acho que o sonho de todo jogador é vestir a camisa da seleção. Apenas 23 atletas são convocados. A gente vinha de conquistas do Mundial em 2005, do Brasileiro em 2006 e de um ano perfeito em 2007. Então, começar o ano de 2008 na seleção foi muito bacana. Em 2013, no Atlético Mineiro, também foi um momento bom. O clube não conquistava um grande título há muito tempo e conseguimos ganhar. Então, foram muito mais alegrias do que tristezas, com certeza.

JC - E os momentos de maior dificuldade que você enfrentou na carreira de atleta?

Richarlyson - A carreira de jogador é feita de sacrifícios. Quando eu cheguei do Santo André para jogar no São Paulo, em 2005, era um momento de desafio, pois vinha de um clube considerado menor para um clube grande. Então tive que provar que havia condição de estar entre os titulares. A cobrança em um clube grande é maior, você acaba quase não saindo na rua, é meio que privado de sua vida no aspecto social. Mas no geral, por onde passei, tive muito mais felicidades do que momentos negativos. Acho que as lesões foram complicadas. Em 2013, eu tive que operar o ligamento cruzado anterior, no joelho, e fiquei fora do Mundial pelo Atlético Mineiro. Depois, tive a mesma lesão na Chapecoense, em 2015. Eu já estava com uma idade em que era complicado parar por mais de seis meses. Eu só não parei porque muitas pessoas me deram força. Além da minha família, muita gente que gosta do meu trabalho. Isso fez com que eu continuasse. E teve aquele episódio com o árbitro, em 2014. Eu cheguei a dizer que estaria aposentando, mas novamente muitas pessoas pediram para continuar.

JC - Você chegou há pouco tempo no Noroeste e o torcedor o apoia bastante. Como está sendo?

Richarlyson - Eu nunca tinha jogado aqui, mas me sinto bauruense, porque apesar de ter nascido em Natal, vim bem pequeno para cá. O meu propósito com o Noroeste é ajudar, por tudo o que o clube representa, em sua história vitoriosa. As pessoas abraçaram a minha ideia. Os torcedores têm retribuído esse carinho, onde vou tenho percebido. A palavra que eu mais escuto é 'obrigado'. Mas na verdade, eu não estou fazendo por obrigação, mas por prazer. Isso para mim é gratificante, é como se eu estivesse fazendo mais do que pensava, é um carinho que procuro retribuir em campo. Isso é algo que motiva bastante.

JC - Para você que vem de competições da elite do futebol nacional e internacional, como está sendo a adaptação na A3 do Paulista?

Richarlyson - A diferença maior são os campos, o gramado. A gente estava acostumado a jogar em estádios com gramado bom. No início da carreira, fui várias vezes a campos que não eram tão bons e agora estou tendo que me acostumar um pouco de novo, porque não vamos encontrar o que tem na elite. O campo do Noroeste é o melhor que eu joguei na A3. A grama aqui, apesar de não ser a mais usada nos campos da Fifa, é boa. Nos demais estádios, encontramos problemas. A arbitragem também: boa parte dos árbitros é jovem, então nem sempre tem o mesmo padrão dos campeonatos de divisão de cima. E o estilo de jogo: a gente aqui no Noroeste procura jogar, propor o jogo, mas em outras equipes vemos sempre formações mais defensivas, com ligação direta da defesa para o ataque. Essas são as diferenças principais.

JC - O primeiro objetivo é a A3, mas a ideia é conquistar algo a mais aqui?

Richarlyson - Vamos primeiro pensar no presente, que para o Noroeste é a Série A3 do Paulista. Este é o primeiro degrau, o primeiro é o acesso, e hoje em dia é mais difícil porque antes subiam quatro, agora só dois. Então não é algo fácil. Classificar entre os oito para a segunda fase é uma obrigação e vamos tentar ficar entre os quatro primeiros para decidir em casa. Mas a próxima fase é outro campeonato, um jogo ruim e você pode não conseguir reverter. Então, o primeiro objetivo é buscar o acesso para a A2 e depois tentar levar o Noroeste para uma Série A1 e pelo menos uma Série C do Campeonato Brasileiro. Ainda é algo distante, mas é algo palpável.

JC - Na sua família, com pai e irmão ligados ao futebol, este é o assunto que vocês mais conversam?

Richarlyson - A minha família é muito unida. Mas não conversamos tanto sobre o futebol. Meu pai, pela vivência que já teve, às vezes fala algo, mas procuramos conversar de outras coisas, até para tirar um pouco essa tensão do dia a dia. Atualmente, é algo prazeroso jogar em Bauru e ter sempre 20 pessoas ou mais da família torcendo por mim, o meu pai no estádio. Eu, meu irmão e meus pais estamos sempre conversando. Um se preocupa muito com o outro, se está tudo bem. Temos muito esse cuidado um com o outro.

JC - E outros esportes, o que você gosta?

Richarlyson - Desde que eu era criança, sempre gostei muito de esporte. Joguei vôlei, basquete, futebol. Onde tinha algo de esporte, eu procurava estar. No ano passado, fiquei um tempo sem jogar e entrou na minha vida o crossfit. E foi uma surpresa. É um esporte desafiador e que gostei muito. Hoje já tenho 36 anos, então preciso mesclar o esporte com o descanso. Faço uma ou duas vezes quando temos alguma semana com apenas um jogo, para não atrapalhar o trabalho aqui no clube. Talvez, após encerrar a carreira no futebol, poderei me dedicar ao crossfit. Outra possibilidade é ajudar o meu irmão. Ele tem a vontade de ser empresário ou treinador. Caso ele seja técnico, tem essa chance de atuar como auxiliar dele. Mas por enquanto, eu não procuro pensar na idade de parar. Me sinto realizado. Então, será uma passagem para outra fase da vida.

JC - No seu tempo livre, o que você gosta de fazer?

Richarlyson - Eu gosto bastante de ficar com a família, ir ao cinema. Eu também recebo amigos em casa. Boa parte não é do futebol, então acabam surgindo outros assuntos, é algo bom. Como eu sempre fiquei longe da família, agora posso ficar mais perto deles, algo que é bom.

Perfil

Richarlyson Barbosa Felisbino nasceu em Natal/RN, em 27 de dezembro de 1982, tem 36 anos de idade, é filho de Reinaldo Felisbino (Lela) e Maria de Lourdes e irmão de Alecssandro. Tem como livro de cabeceira a Bíblia e gosta também de romance, drama e literatura policial. O pagode e funk são os estilos musicais preferidos. No cinema, gosta de filmes de terror. Dá nota 10 aos seus pais e nota 0 para a política.

Bruno Freitas/Noroeste
Richarlyson é o capitão do Noroeste na Série A3 do Paulista; tem feito boa campanha

 

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