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Abelhas migram durante o verão e ocorrências disparam

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Vinte anos para cá, as abelhas têm desaparecido, mas o número de ocorrências em cidades ainda é grande

Mais comuns na primavera, as ocorrências envolvendo abelhas também registram alta frequência no verão. Isto porque esta é a época da migração das espécies europeia e africanizada. E, no percurso até o local perfeito para abrigar o novo enxame, elas podem se instalar em lugares inusitados por até 3 dias.

O Corpo de Bombeiros tem atendido cerca de cinco ocorrências diárias. Já um dos principais apicultores da cidade relata receber até 18 chamados por dia e alerta que este processo de migração natural deixa o inseto mais nervoso, o que pode facilitar acidentes.

Oficial de relações públicas dos bombeiros, o tenente Victor Tozi frisa que, de vinte anos para cá, as abelhas têm desaparecido, mas o número de ocorrências em cidades ainda é grande, principalmente em virtude do desmatamento. Ao longo do percurso, as operárias podem instalar o enxame em locais provisórios.

"Atendemos a chamados em locais inusitados, até em sacadas de prédios. Mas as abelhas são tuteladas, protegidas pela lei ambiental, não podemos exterminar. Então, isolamos os locais apenas", cita Tozi.

RETIRADA

Em riscos extremos e de ameaça à população há possibilidade, no entanto, de a corporação agir. "É um serviço que deve ser feito por apicultor, só agimos em último caso e se há risco alto para a vida humana e a família não tiver dinheiro para pagar", acrescenta. Já que não há serviço público para a remoção dos enxames e soltura na natureza, os bombeiros orientam a realização do serviço particular.

Desde a infância lidando com abelhas, Cirço de Araújo é um dos apicultores mais procurados em Bauru por sua experiência. Íntimo do inseto, até na boca ele deixa as abelhas entrarem. "Nesta época, ocorre a migração porque começa a liberação das rainhas, uma nova rainha nasce e mata as outras. Daí ela libera o enxame e as operárias vão atrás de novos locais para se instalarem", explica Cirço.

Acionado, ele recolhe o enxame e solta na natureza. "Não tem um preço fixo, eu não cobro visita, mas avalio o local antes de dizer o valor", detalha. Segundo ele, as abelhas podem se instalar em lugares que ofereçam o mínimo de proteção e abrigo, mas fogem de sujeira e mau cheiro.

Elas também procuram evitar locais com luz. "Quando elas se encontram com lâmpadas acesas ficam batendo até morrerem queimadas. E é aí que acontecem alguns acidentes, porque elas caem no chão ou até em sofás. O melhor é apagar a luz, porque assim elas saem", ensina Cirço.

Medidas ajudam a evitar problemas

Mantenha distância do enxame e isole o local

Acione o Corpo de Bombeiros ou um apicultor, se o enxame estiver instalado há mais de três dias

Nunca jogue veneno em um enxame, independentemente da hora do dia (à noite elas costumam se acalmar)

Não ligue som alto próximo a um enxame, isso pode irritá-las

A fumaça e cheiros fortes como o do diesel também podem provocar o enxame

Não deixe luzes acesas próximas ao enxame

Alergia e susto

Alérgica à picada da abelha Europa, a auxiliar Haydee Canaver, 55 anos, levou um susto enquanto esperava o ônibus para trabalhar, na manhã de 17 de janeiro. Após ser picada por uma abelha no ponto de ônibus, ela precisou ser socorrida pelo resgate até o Pronto-Socorro Central (PSC). Lá, foi submetida a procedimentos para minimizar os efeitos da alergia.

"Minha garganta fechou, não falava e nem respirava. O corpo todo inchou, na verdade. Fiquei o dia todo no soro", conta Haydee.

Como forma de evitar a aproximação desses tipos de insetos, ela conta que não costuma se aproximar de flores e até perfume deixou de usar. "Não dá para brincar, tudo o que puder evitar eu faço, porque o susto é grande", reforça.

SERVIÇO

Cirço atende pelo telefone (14) 9 9686-8180. Bombeiros: 193.

 

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