Polícia

'Noias' usam Ecopontos para se drogar

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Além das drogas, os usuários consomem álcool e cigarro

Fechados à noite e aos domingos, os Ecopontos são invadidos por "noias", que consomem drogas ilícitas, cigarro e álcool em, pelo menos, três destes locais. Os moradores do entorno dos Ecopontos da Bernardino de Campos, do Mary Dota e da Pousada da Esperança 1 temem pela própria segurança. Em vista disso, o município visa deixá-los abertos 24 horas por dia, porém, não há previsão para que o projeto, de fato, saia do papel.

Morador do Mary Dota, o aposentado Mário Antônio Perseguim, de 59 anos, alega que os usuários de drogas estão cada vez mais ousados, porque o fazem em qualquer horário do dia, independentemente de ter ou não alguém por perto. "Nós até estamos acostumados", observa.

Além de invadirem estes locais, os "noias" fazem a maior bagunça por lá, como revela o funcionário de um dos Ecopontos, que pediu para não ser identificado. "Eles espalham tudo o que estava armazenado corretamente, deixando o ambiente propício para o desenvolvimento do mosquito da dengue", descreve.

O aposentado Mário Antônio Perseguim vê usuários consumindo drogas pelo Mary Dota em qualquer momento do dia

O cenário é o mesmo no Ecoponto da Pousada da Esperança 1, que chegou até a pegar fogo no último dia 10 (leia mais nesta página). A auxiliar de limpeza Jamilly Nayara Garcia Vieira, de 23 anos, que vive ao lado do espaço, acredita que a segurança das filhas, de 4 e 6 anos, esteja ameaçada.

Para piorar, o local, que fica entre as ruas Maurícia Pereira Lima e Joaquim Gonçalves Soriano, não possui sequer um poste de iluminação pública. "Eles se aproveitam do Ecoponto fechado e escuro", acrescenta a moradora.

Já a auxiliar de limpeza Jamilly Nayara Garcia Vieira, que vive ao lado do Ecoponto do Pousada 1, teme pelas suas filhas, de 4 e 6 anos

Titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues explica que os servidores da pasta já encontraram cachimbos de crack, bitucas de maconha e pinos de cocaína vazios espalhados pelos Ecopontos da Bernardino de Campos, do Mary Dota e da Pousada da Esperança 1.

Ainda de acordo com o secretário, o prejuízo do vandalismo é grande, principalmente, se for considerado o fato de o município estar em plena epidemia de dengue. "Os Ecopontos armazenam corretamente os resíduos, evitando o acúmulo de água parada e, em consequência, a proliferação do Aedes aegypti", pontua.

E AGORA?

Agora, Sidnei estuda algumas possibilidades. Entre elas, está a implantação do videomonitoramento, já existente nas escolas municipais, que eram alvos frequentes de furto e vandalismo.

Outra ideia é manter os Ecopontos abertos 24 horas por dia, desde que a sua gestão seja transferida para as quatro cooperativas de reciclagem do município.

Segundo o secretário, a maior parte dos materiais destinados aos Ecopontos é reciclável. Para se ter ideia, enquanto a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) coleta 100 toneladas deste tipo de resíduo por mês, em toda a cidade, só estes locais recebem, mensalmente, outras 100 toneladas.

Logo, a prefeitura enviou uma proposta às cooperativas, que ficariam responsáveis por administrar os sete Ecopontos e os materiais recicláveis, além de receber até dois salários mínimos por unidade.

Contudo, as cooperativas consideraram o valor insuficiente e ficaram de enviar uma contraproposta ao prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).

Enquanto nenhuma destas possibilidades é executada, Sidnei pretende recorrer à ronda, feita pela Divisão de Vigilância do poder público. Sempre que detectarem algo ilícito, os servidores incumbidos do serviço devem acionar a Polícia Militar (PM).

Douglas Reis
O incêndio atingiu um contêiner utilizado por funcionários do poder público

Incêndio

Conforme o JC já noticiou, um contêiner utilizado pelo município, no interior do Ecoponto da Pousada da Esperança 1, foi destruído por um incêndio, no início da noite do último dia 10, um domingo.

Na ocasião, pessoas, ainda não identificadas, invadiram o local e atearam fogo em um sofá, que era utilizado por funcionários do poder público. O secretário Sidnei Rodrigues acredita que o crime tenha sido cometido por usuários de drogas.

Logo, a Semma aconselha que os entulhos desta região sejam levados ao Ecoponto do Mary Dota, que fica na quadra 4 da rua Américo Finazzi, porque não há previsão, por enquanto, de normalização do atendimento no local afetado.

Investigações

Assistente da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), Giuliano Travain explica que a função da Polícia Civil, neste caso, é enquadrar os suspeitos por porte de drogas e dano qualificado, desde que haja flagrante.

Ainda de acordo com o delegado, o porte de drogas não prevê pena restritiva de liberdade, ao contrário do dano qualificado. Nesta situação, a pena é a detenção de até 3 anos.

Além disso, Travin esclarece que não há denúncias sobre tráfico nas três regiões. "O que ocorre é o consumo de entorpecentes, cujas providências cabíveis serão tomadas pela Civil, se houver flagrante", defende.

Já a Polícia Militar (PM), em nota, informa que, em tempos anteriores, intensificou o patrulhamento nestas regiões e o problema foi solucionado. Agora, os três pontos estão inseridos no planejamento operacional da instituição.

A corporação reforça, também, que a comunidade deve acioná-la sempre que presenciar qualquer tipo de crime ou contravenção penal, por meio do 190.

Sobras de jardinagem

Há 9 anos, o secretário Sidnei Rodrigues, idealizava os Ecopontos, com o intuito de evitar que as pessoas descartassem entulho e volumosos - sofás, geladeiras e outros móveis - em qualquer lugar. Em parte, deu certo.

Agora, o próximo passo será preparar estes locais para receber, também, sobras de jardinagem. Até o momento, quem o faz é o Eco Verde Municipal, situado na quadra 1 da rua Henrique Hunzicker, no Jardim Bom Samaritano. Lá, uma parcela do material é transformada em adubo e a outra, enviada ao Aterro Sanitário.

Porém, segundo Sidnei, muitos munícipes argumentam que fica fora de mão e o ideal seria que o serviço estivesse disponível em vários pontos da cidade.

Logo, a Semma prepara uma licitação para adquirir caçambas de 30 metros cada, que serão realocadas para os sete Ecopontos. A expectativa é de que os equipamentos estejam disponíveis dentro de dois meses. Os itens deverão abrigar as sobras de jardinagem.

 

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