| Aceituno Jr. |
![]() |
| Bruna Caroline Souza e a sogra Marisa Souza entraram para as estatísticas da dengue em 2019 |
Pelos bairros de Bauru, não é difícil encontrar em uma mesma quadra mais de uma pessoa na vizinhança que não tenha contraído dengue neste ano. Porém, no Conjunto Habitacional Primavera, região do Jardim Redentor, a doença atingiu três pessoas da mesma família: a dona de casa Bruna Caroline Mendes da Silva Souza, 24 anos, a sogra Marisa, 52 anos, e a cunhada Juliana, 26 anos.
Bruna conta que Juliana foi a primeira a manifestar os sintomas da doença, em janeiro. Na mesma semana, ela também foi diagnosticada com a doença e, no começo de fevereiro, foi a vez da sogra.
"Quando eu comecei a me recuperar, ela ficou ruim. Das três, a minha cunhada foi a que ficou em pior estado, mas foi uma seguida da outra", relembra, relatando que a sogra já havia sido infectada pelo vírus da dengue no passado.
Bruna afirma que mantém seu quintal e a casa livres de criadouros do mosquito Aedes aegypti, mas que os terrenos baldios no entorno são vilões contra os quais ela não tem armas para lutar. "É complicado, muito mato alto e lixo. Eu tenho filha pequena em casa e fico morrendo de medo, passando repelente o dia inteiro, até a hora que vai deitar", revela.
APELO
A grande quantidade de pessoas infectadas - já são 2.423 casos confirmados neste ano - motivou a ativista bauruense Maria Inês Faneco a repintar o muro da sua casa com um pedido de conscientização aos munícipes: "Dengue mata! Limpe seu quintal, denuncie a sujeira do seu vizinho!".
Ela já havia feito apelo semelhante em 2013, quando 7.742 pessoas contraíram a doença na cidade. A foto da pichação ficou conhecida por ter sido incluída em uma das questões do vestibular de 2014 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), depois que uma reportagem sobre a iniciativa da moradora foi publicada no JC.
"Eu perdi dois primos nos últimos três meses por causa da dengue. Pessoas estão morrendo, as unidades de saúde estão lotadas. A situação está muito grave, extrema, mas ainda tem gente que não está entendendo, continua deixando água e lixo acumulados. Isso precisa mudar", lamenta.
| Divulgação |
![]() |
| Maria Inês Faneco repintou o muro da sua casa com um pedido de conscientização |
Ações ampliadas
Em razão do aumento de pacientes nas UPAs e Pronto-Socorro Central, a Prefeitura de Bauru e a Secretaria Municipal de Saúde informaram que medidas de notificação imediata dos casos foram adotadas. A ação, ainda de acordo com a administração, tem permitido acompanhar os casos de dengue e reduzir casos graves e óbitos.
Além disso, também foi implantada triagem específica para buscar pessoas com suspeita de dengue nas UPAs e aberta a Unidade Básica de Saúde do Bela Vista, com equipe adicional exclusiva para atender pacientes com suspeita de dengue. Durante os atendimentos, estas pessoas recebem um cartão para acompanhamento e orientação em casos de sinais de gravidade. Outras medidas serão adotadas nesta semana, como a abertura de outras Unidades Básicas de Saúde para atender os casos e hidratar a população. Haverá, ainda, ampliação de salas de hidratação na urgência, atendimento diferenciado para pessoas com sintomas de dengue e abertura de salas exclusivas para estes pacientes. Quem aguarda atendimento médico e está com suspeita da doença receberá hidratação via oral e cuidados para amenizar os sintomas. Os mutirões de limpeza, que já acontecem diariamente, inclusive nos finais de semana, também serão intensificados.

