Não é novidade que nosso país é um dos que mais utilizam agrotóxicos ao redor do mundo, e que, além disso, muitos que são proibidos lá fora são liberados por aqui.
Doses acima das ideais e limites mal estabelecidos são apenas alguns dos problemas que na maioria das vezes nós, cidadãos, não temos conhecimento e/ou acesso e pagamos com a nossa saúde. Mas seriam apenas os agrotóxicos os vilões?
Não, infelizmente não...
Entre tantas substâncias que fazem mal à saúde e já são amplamente conhecidas pela população, encontramos também algumas que estão disfarçadas em nosso cotidiano. Quem nunca ouviu falar do BPA? Mamães com certeza já viram nas embalagens de mamadeiras, mas não é apenas com elas que devemos nos preocupar!
O Bisfenol A (BPA) é uma substância química que pode ser amplamente encontrada em diversos tipos de plásticos, sejam eles mamadeiras, descartáveis, potinhos que usamos no dia-dia e até mesmo em brinquedos.
Sua absorção está relacionada a alterações hormonais, obesidade e diferentes tipos de desregulações no organismo, mesmo em doses muito pequenas e especialmente durante o desenvolvimento das crianças. Plásticos em sua maioria apresentam inúmeras substâncias nocivas que têm a capacidade de confundir nosso organismo, o qual acaba produzindo um tanto a mais ou a menos de hormônios, por exemplo!
A liberação dessas substâncias é ainda maior quando os plásticos são aquecidos. Mas, além dessas substâncias, encontramos também os alimentos transgênicos, com proibições em vários países justamente por apresentarem resultados controversos sobre sua ingestão e ainda medicamentos, como a Nimesulida, também proibida fora daqui devido às consequências do seu uso no corpo humano.
Porém, não são apenas os agrotóxicos, transgênicos, BPAs e Nimesulida os únicos responsáveis pela nossa má saúde, são inúmeras as substâncias nocivas as quais estamos expostos e ainda que não possamos controlar tudo ao nosso redor, geralmente temos opções e conseguimos melhorar nossa qualidade de vida com pequenas mudanças.
Fazer exercícios físicos, optar por orgânicos, ler embalagens, evitar alimentos aquecidos em plásticos e até mesmo ter sua própria caneca (de louça) no escritório já fazem uma enorme diferença na saúde. Com conhecimento e equilíbrio, cada um sabe o que lhe é possível e cabível dentro da sua rotina, vale ter coragem para mudar e encarar novos desafios, a saúde agradece!
A autora é bióloga e PhD em Patologia pela Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp. Pós doutoranda do Depto de Cirurgia, Estomatologia, Patologia e Radiologia da FOB/USP.