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Morre Sarah Fernandes, um dos ícones do Carnaval da cidade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Assim como em 2018, Sarah Fernandes desfilaria em 2019 pela Mocidade Unida da Vilia Falcão

O Carnaval de Bauru vai ficar um pouco menos alegre e iluminado em 2019. Faltando pouco mais de uma semana para a festa no Sambódromo, morreu, na manhã desta quinta-feira (21), a cabeleireira Sarah Fernandes, aos 68 anos.

Conhecida por seu amor ao samba e pelas fantasias luxuosas, ela desfilou por mais de 30 anos em diversas escolas e blocos de Bauru, como a Cartola, a Tradição da Zona Leste e a Esquadra da Indepa. No próximo dia 2 de março, passaria mais uma vez pelo Sambódromo de Bauru defendendo a Mocidade Unida da Vila Falcão.

"A fantasia já estava pronta. Ela desfilaria no chão como a deusa das águas", conta um dos melhores amigos da cabeleireira, Gê Maciel. Ele conta que Sarah não estava se sentindo bem nos últimos dias.

Por volta das 6h desta quinta (21), com fortes dores no estômago, foi levada pelo amigo na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo Geisel. Segundo relato de pessoas próximas, a cabeleireira sofria de hipertensão e, por estar muito nervosa, foi medicada.

Logo em seguida, sofreu uma parada cardíaca e morreu, provavelmente, de infarto, por volta das 9h.

Ao longo de todo o dia desta quinta, inúmeras manifestações de condolências foram prestadas por amigos e admiradores nas redes sociais.

Natural de Ourinhos, Sarah morava sozinha em uma casa do Núcleo Mary Dota, onde funcionava seu salão.

Apaixonada por arte, nos momentos em que não estava trabalhando, gostava de ouvir música clássica e assistir a filmes antigos, ou acompanhar a partidas o seu time do coração, o São Paulo.

LEGADO

Pelos amigos, é descrita como uma mulher intensa, extremamente generosa para quem precisasse de ajuda, ao mesmo tempo em que não deixava de dizer, com veemência, exatamente tudo aquilo que pensava.

Transexual, ela enfrentou, sem medo, o preconceito da sociedade em uma época que o conceito de identidade de gênero era pouco conhecido.

"Ela teve uma história muito forte, deu a cara para bater, literalmente, quando todo transexual preferia se esconder para não ser alvo de preconceito. Ela fez questão de mostrar para as pessoas que iria ocupar o lugar a que tinha direito. Foi vitoriosa e deixa um importante legado de luta para todos os trans poderem viver como qualquer outro ser humano", comenta o amigo Paulo Menezes.

O corpo de Sarah está sendo velado no Velório Municipal, na avenida Rodrigues Alves, e o enterro ocorrerá às 11h de hoje no Cemitério Jardim do Ypê.

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