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Com 12 mortes suspeitas, Saúde cria Posto Avançado da Dengue no PAI

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 6 min

Priscila Medeiros/Divulgação
Secretário de Saúde, Fogolin atualizou os números da doença e apresentou novas medidas

Prefeitura de Bauru, através da Secretaria Municipal de Saúde, revelou nessa sexta-feira (22) que a cidade conta com 3.510 casos confirmados de dengue. E o mais grave: investiga 12 mortes que podem ser ligadas à doença. Diante desse quadro assustador, criou o Posto Avançado da Dengue (PAD), que começou a funcionar nesta sexta, no antigo prédio do Pronto Atendimento Infantil (PAI, ao lado do PS Central), situado no Centro. O local visa atender somente pacientes considerados graves. 

Esta e outras medidas foram anunciadas nessa sexta, durante uma coletiva de imprensa, convocada pelo titular da pasta, José Eduardo Fogolin. De acordo com o secretário, os pacientes graves são classificados em C (amarelo) ou D (vermelho), porque apresentam os sintomas alarmantes da dengue, que são: dificuldade para respirar, pele pegajosa, dor abdominal e sangramentos.

Assim que dão entrada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), estes pacientes são levados, de ambulância, ao PAD, que já está equipado para atender tal demanda, desafogando as UPAs, cuja movimentação apresentou aumento de 80%, devido à epidemia.

No Posto Avançado, há equipes, formadas por enfermeiro e técnicos de enfermagem, disponíveis 24 horas por dia. Além disso, diariamente, quatro médicos, entre infectologistas, epidemiologistas e clínicos, visitam os pacientes.

Hoje, o município costuma atender, a cada dia, 12 pessoas classificadas como C ou D. O novo espaço possui 20 leitos. "Acredito que, inicialmente, a demanda esteja suprimida, porém, não descartamos a possibilidade de ampliar o serviço", frisa Fogolin.

EM NÚMEROS

Conforme dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro do ano passado, houve 15.723 notificações de dengue em todo o território paulista. Do total, 1.514 foram confirmadas. Já no mesmo período de 2019, foram 44.206 registros, sendo 13.456 atestados.

Em Bauru, entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro deste ano, o Estado registrou 4.272 notificações e 2.715 confirmações. O município, por sua vez, atestou 3.510 ocorrências da doença.

O secretário explica que esta divergência entre os números estaduais e municipais se dá porque a pasta, em Bauru, realiza a notificação imediata. "O paciente busca pelo atendimento da rede pública e faz o teste rápido. Se der positivo, o registro já é gerado, não esperamos sete dias para fazer o exame clínico", justifica.

Ainda na cidade, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo investiga quatro óbitos. Já o município apura, ao todo, 12 mortes suspeitas. "Nós tivemos informação de 12 óbitos nos hospitais, mas não há confirmação. Às vezes, o paciente vai à óbito e a notificação demora para chegar ao Estado", complementa o secretário.

A confirmação, segundo Fogolin, depende do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

OUTRAS MEDIDAS

Além disso, quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) já atendem pacientes com suspeita de dengue, das 14h às 23h (neste sábado e domingo, o expediente, por conta da montagem das equipes será das 17h às 23h). São elas: Bela Vista, Mary Dota, Jussara/Celina e Geisel (veja quadro no início).

Quanto às UPAs, o sistema de atendimento também foi alterado. Quem apresentar os sintomas da doença pode se direcionar a um guichê exclusivo. A partir daí, o paciente é levado a uma triagem própria para este tipo de situação, composta por um enfermeiro e dois técnicos de enfermagem.

A equipe, então, classifica o usuário em A, B, C ou D. Em seguida, o direciona para uma sala especial, dentro da UPA, onde recebe o soro de hidratação oral antes de passar pelo médico.

Por fim, o paciente sai da consulta médica com uma receita padronizada, fato que dá fluxo ao atendimento. O serviço foi criado, justamente, para não ter "competição" com os demais pacientes.

O secretário revela, ainda, que as UPAs do Bela Vista, Geisel, Ipiranga e Mary Dota tiveram o efetivo reforçado. Para tanto, o município passou a pagar hora extra e os servidores optaram por trocar o período de férias.

Por fim, uma parceria da Prefeitura de Bauru com a USP e a Uninove levará os alunos de Medicina às unidades de saúde. A ideia é que eles orientem, sob supervisão, os pacientes com suspeita de dengue.

Ações já desenvolvidas

Com o propósito de enfrentar a epidemia da doença, o município afirma que já desenvolve uma série de ações, que consistem em, basicamente: Vigilância Epidemiológica, que faz a notificação dentro das UPAs; Vigilância Ambiental, responsável pelas visitas casa a casa, aplicação de biolarvicida, limpeza e nebulização; assistência aos pacientes; educação e mobilização social; comunicação, por meio de notas semanais e coletivas de imprensa; e gestão de crise.

Mesmo assim, o secretário José Eduardo Fogolin destaca a importância da vacinação. "Doença viral, como é o caso da dengue, é controlada com imunização. Logo, precisamos desenvolver, nacionalmente, a vacina, além de combater o vetor, que é polivalente, ou seja, transmite dengue, chikungunya e zika", justifica.

Quanto à assistência, a Secretaria Municipal de Saúde vem capacitando a equipe médica e de enfermagem. "Além de saber diagnosticar, o profissional tem de convencer o paciente a se tratar e a retornar à unidade", explica.

Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o município executa a triagem qualificada, ou melhor, logo que o paciente chega com a queixa, já pede o hemograma completo. O protocolo clínico, por sua vez, corresponde à hidratação.

Já os pacientes em observação ou internados são acompanhados pela Vigilância Epidemiológica, diariamente.

Além disso, a pasta havia ampliado a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista. Agora, as UBS do Bela Vista, Mary Dota, Jussara/Celina e Geisel também atendem os casos de dengue, das 14h às 23h.

Reunião com o Estado

Entre quarta e quinta-feira, Fogolin se reuniu com o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, e representantes de outros 104 municípios paulistas.

Na ocasião, a pauta da dengue ganhou destaque, principalmente, porque a cidade ocupa o 1.º lugar do ranking com o maior número de casos da doença. "Como secretário e médico, eu sei da gravidade das ocorrências e o município optou por identificá-las e acompanhá-las", afirma.

Porém, o secretário alega que, além da situação de epidemia, este aumento significativo é justificado pelo processo de notificação imediata, no qual os casos são registrados logo após o teste rápido dar positivo.

Ainda durante a reunião, Fogolin e outros representantes dos municípios paulistas pediram que a Secretaria de Estado voltasse a repassar os recursos do "Todos Juntos contra a Dengue", justamente, para que os agentes façam a fiscalização dos "sujões", também, aos finais de semana.

Município segue fechando o cerco aos 'sujões'

Além do secretário José Eduardo Fogolin, outras autoridades participaram da coletiva de imprensa, ontem pela manhã, no auditório da Prefeitura de Bauru. Entre elas, estavam os vereadores Manoel Losila (PDT) e Maria Helena Catini (PDT).

Na semana que vem, inclusive, a Câmara sediará audiência pública para discutir a dengue no município.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) também participou da coletiva e afirmou que está prestes a anunciar um conjunto de medidas envolvendo a limpeza urbana. O foco, segundo ele, estará na região Noroeste.

Ainda de acordo com o prefeito, na próxima segunda, o município tomará ciência do ganhador do certame aberto para contratar a empresa que deverá limpar os terrenos particulares, a partir do dia 2 de março. "Nós limparemos e enviaremos a conta aos responsáveis, que serão autuados".

Hoje e amanhã, conforme o JC noticiou, ocorre o mutirão "Limpeza pra Valer" nos bairros Núcleo Edson Francisco da Silva, Nova Esperança e Jardim Prudência.

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