Tribuna do Leitor

Propaganda anônima

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Circulou pela região dos Altos da Cidade um panfleto anônimo com críticas a um posto de gasolina da região que oferece descontos, que representavam cerca de dez centavos por litro abaixo do preço dos demais. Argumentavam eles que isto representava menos de R$ 5,00 em média por tanque e ainda que o posto não oferecia serviços e lembrava da demora e o tempo perdido no abastecimento, devido ao grande movimento.

Neste caso, ficamos sem entender o porquê do anonimato? Por que se esconder atrás dele? Aí lembrei-me que há alguns anos postos combinavam os aumentos de preços de combustíveis e o Ministério Público Federal abriu inquérito contra eles.

Lembrei-me também que vários donos de posto se queixavam da pressão exercida para que todos tenham preços iguais e elevados artificialmente e em conjunto e o prejuízo disto para a população.

Sei que isto não passa só por estes donos de postos, mas é orquestrado por distribuidoras e muitas vezes até pela própria refinaria estatal. Mas reclamar de uma promoção bem-sucedida, ou seja, que atendeu o desejo de seus clientes, é uma demonstração de pouca competitividade, de desobediência das leis e principalmente de completa miopia dos princípios elementares do marketing moderno.

Ao invés de fazer pressão e gastar com nada éticos panfletos, por que não pesquisar o desejo dos consumidores por novos e melhores serviços e oferecê-los, ou ainda se organizar em cooperativas para obter melhores preços para repassarem aos consumidores, já que, como dizem, a diferença é pequena? Por que não pressionar as distribuidoras por melhores preços e até o governo via Petrobrás?

Na verdade, estes postos reduzem seus atendentes e os obrigam a oferecer aditivos para motor, limpadores de para-brisa de qualidade duvidosa, sachês com odores duvidosos para explorar seus clientes ao máximo, ao invés de prestarem serviços como deveriam.

Além de antiéticos e possivelmente ilegais, porque ferem a concorrência e a liberdade de mercado, estas atitudes mostram por que muitos postos antigos estão fechando, menos pela concorrência de grandes grupos econômicos e muito mais pela postura retrógrada destes empresários, perdidos no tempo e no espaço.

Quero ressaltar que estes empresários são uma minoria, embora ruidosa, e que suas associações ou sindicatos patronais deveriam se manifestar repudiando atitudes como esta e reiterando sua fé no livre mercado, incentivando a inovação e a criatividade.

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