| Divulgação |
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| Em 2016, o chef Moacir foi finalista do Que Seja Doce, do GNT |
Um talento gastronômico revelado após um castigo na infância. É assim a história do baiano Moacir Santana, hoje considerado um dos melhores chefs de cozinha de Bauru e de toda a região. Foi após ser dedurado por vizinhos temerosos por um incêndio, enquanto ele preparava uma cocada junto com os irmãos no quintal do abrigo em que vivia, que ele recebeu como punição a tarefa de ajudar na cozinha. Mas o que era castigo despertou um dom e revelou um grande cozinheiro ainda na adolescência.
Aos 14 anos, Moacir já trabalhava na área. Aos 19, estava formado em Gastronomia pelo Instituto Jorge Amado, em Salvador, cidade onde nasceu.
Mas foi em Jaú que ele conseguiu sua primeira oportunidade de emprego após a formação. Chegou na região apenas com uma troca de roupa e um livro. E, três anos depois, mudou-se para Bauru, onde ficou conhecido com a venda de acarajés. Hoje, ele é sócio proprietário do Bar da Rosa, destacado pelo Guia Garfo de Ouro como um dos melhores endereços gastronômicos do País.
Conheça, a seguir, um pouco da deliciosa receita de sucesso composta por colheres de garra, dedicação e, claro, um imensa pitada talento desse chef arretado:
| Arquivo pessoal |
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| Irmãos do orfanato (da esquerda para direita): Lucivaldo, Valmorio, Ivo, Diego, Marquinhos, Wiliames, Elias e Moacir |
Jornal da Cidade - Como foi a sua infância?
Chef Moacir Santana - Fui abandonado pela minha mãe biológica, ainda recém-nascido, em uma caixa na porta do abrigo em Lauro de Freitas (30 quilômetros de Salvador). Fui criado com outros 50 irmãos pela minha mãe Marina Sampaio de Castro, que largou a carreira de aeromoça e abriu a porta da sua casa para crianças que precisavam. Ela tem uma filha biológica também, que, hoje, mora nos Estados Unidos.
| Arquivo pessoal |
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| Moacir Santana (primeiro na frente à esquerda) com os irmãos em festinha junina no orfanato |
JC - É verdade que um castigo no abrigo deu o pontapé em sua carreira na cozinha?
Chef Moacir - O orfanato era cheio de pés de frutas no quintal e eu e meus irmãos inventamos de fazer cocada depois de ver um programa de TV. Fizemos uma fogueira, só que a folha de bananeira soltou muita fumaça e o vizinho ligou para minha mãe, que veio correndo achando que era incêndio. Ficamos de
| Arquivo pessoal |
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| Moacir Santana aprendeu a cozinhar no orfanato em que morava na adolescência; na foto, lembrança de uma das ceias de Natal produzidas por lá por ele |
castigo e ela me colocou na cozinha para ajudar. Foi aí que eu percebi que tinha feeling para cozinha e, logo, já estava fazendo doces, bolos e pães. Aliás, meu primeiro trabalho foi aos 14 anos, na padaria do orfanato. Produzíamos para consumo interno e também para a comunidade local. Eu virei o braço direito da tia Lindaura na cozinha.
| Vanessa Soares/Divulgação |
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| Chef Moacir Santana é sócio proprietário do Bar da Rosa, destacado pelo Guia Garfo de Ouro como um dos melhores endereços gastronômicos do País |
JC - Foi aí que você decidiu pela gastronomia?
Chef Moacir - Sim, minha irmã Patrícia e minha mãe me incentivaram. Eu trabalhava em uma pizzaria para pagar o curso. Só me sobravam R$ 50 na carteira no fim do mês. Foi um período difícil, mas muita gente me ajudou.
JC- Como você veio parar em Bauru e como o acarajé te ajudou a crescer por aqui?
| Bar da Rosa/Divulgação |
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| Reconhecimento: Léo Young, campeão do Masterchef 3.ª edição, almoçou um prato do chef Moacir Santana nesta última semana |
Chef Moacir - Eu recebi um convite do Guga, que fez o curso comigo. O tio dele tinha um bistrô em Jaú. No dia seguinte em que me formei, já embarquei para cá (Jaú), com uma roupa e um livro apenas. Fui chef lá por três anos. Depois, mudei para Bauru e fui chef no Turquez e no Marchante. E, nas horas vagas, passei a atuar como "chef em casa". Também participava de eventos, como a feirinha Miscelânea, vendendo acarajé. Na época, um tio me mandava os camarões secos e defumados da Bahia por Sedex, além do óleo de dendê. O acarajé fez tanto sucesso que passei a ser convidado por outros lugares.
| Vanessa Soares/Divulgação |
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| O acarajé é uma das especialidades do chef Moacir Santana |
JC - Como surgiu o Bar da Rosa na sua vida?
Chef Moacir - Em um desses convites, o Beto e a Pati, proprietários do Bar da Rosa, me chamaram para fazer acarajé todas as quartas-feiras. Meses depois, viramos sócios. É um bar que sempre me encantou pela pluralidade de público. Foi aqui que eu me encontrei na gastronomia, servimos desde coxinha até prato elaborado. Cozinho o que cresci comendo na Bahia e as minhas especialidades: o bobó de camarão, a moqueca, o baião de dois... São pratos que Bauru não tinha. Trouxe para cá um pedacinho da Bahia, que é minha essência, e deu muito certo.
JC - Algo te surpreendeu em relação ao paladar no Interior de São Paulo?
Chef Moacir - O pessoal gosta muito de carne suína por aqui. Mas o que mais me surpreendeu foi o Sanduíche Bauru, que, na minha terra, era de presunto, queijo, tomate e orégano. O verdadeiro é maravilhoso. Tem várias texturas, maciez e crocância. Gosto de algo além do sabor e esse lanche é fantástico, o ácido do picles dá todo o tchan.
JC - Soube que você adaptou a receita dele na Rosa. O que acrescentou?
Chef Moacir - Orégano no queijo e maionese da casa.
JC - Para quais personalidades você já cozinhou?
Chef Moacir - Para o prefeito de Salvador, para o camarote da Stock Car, para a global Rosana Jatobá, para o Marcos Palmeira e para o Léo Young, que esteve aqui nesta semana para almoçar. Eu o conhecia de uma feira gastronômica em São Paulo. Servi para ele um joelho de porco com arroz tropical, novidade do cardápio. Ele elogiou e os pratos voltaram vazios.
JC - Quais prêmios e destaques já recebeu?
Chef Moacir - Fui finalista no programa Que Seja Doce, do canal GNT, em 2016. Também tive um pudim de coco com caldo de rapadura e farofa de pé de moleque premiado pela Secretaria de Cultura do Estado e pela revista Prazeres da Mesa. O bolinho de tapioca com linguiça calabresa também foi premiado pela Secretaria de Cultura do Estado. Em 2018, o Bar da Rosa foi indicado como destaque pelo Guia Garfo de Ouro. Atualmente, somos finalistas de um concurso nacional da Smirnoff, com a caipiroska de limão siciliano, pimenta rosa, gelo de água de coco e flor de hibisco.
JC - Como você avalia Bauru em termos gastronômicos?
Chef Moacir - Bauru tem potencial para muito mais. Temos restaurantes maravilhosos, desde um lanche na avenida Rodrigues Alves aos que vendem comida francesa, mineira, japonesa. Só falta promoção. O concurso de Comida de Boteco, promovido pela prefeitura, valorizou legal nossa gastronomia. Coisas assim trazem pessoas de outros Estados para cá, o que gera renda e emprego.
JC - O que é a alta gastronomia para você?
Chef Moacir - É conseguir fazer algo gostoso e que deixe a pessoa satisfeita e feliz, independentemente de ser uma moela, uma coxinha ou um pato confit. Acho bobagem nomear de alta gastronomia pratos compostos apenas por produtos caros. Você pode fazer algo surpreendente com uma tapioca e um frango caipira, entende?
JC - Projetos futuros?
Chef Moacir - Vou para Salvador nesta semana me reciclar e fazer parcerias para trazer produtos. Tenho fornecedores na Feira de São Joaquim e na Feira de Itapuã, que me mandam camarão e outros produtos. Também pretendo levar minhas consultorias para outros Estados e montar uma franquia do Bar da Rosa em São Paulo.






