| Aceituno Jr. |
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| Selma Celestino diz que o projeto visa, além de compartilhar experiências, ofertar cursos gratuitos |
Primeiro, a irmã caçula. Depois, o sobrinho e o filho. Todos eles, envolvidos com drogas como crack e cocaína, fizeram com que Selma de Fátima Cosmo Celestino, de 53 anos, experimentasse momentos tristes e marcantes nos últimos anos. Encontrando forças na fé e motivada por auxiliar quem também convive com essas dores, ela criou o projeto Mães da Fé.
"Eu queria fazer este grupo há muitos anos, mas meu filho sempre tinha uma recaída e eu desistia. Hoje, quase um ano limpo, é ele quem mais me ajuda com o projeto", comenta Selma, que criou o grupo no segundo semestre do ano passado. "A ideia é reunir mães e familiares de pessoas que têm dependentes químicos na família e ajudar com orientações, palestras, além de oferecermos cursos gratuitos", diz.
O projeto - que já tem uma casa sede - oferecerá, neste ano, cursos de artesanato, culinária, inglês e espanhol aos interessados. "Nós temos profissionais que manifestaram interesse em ajudar no projeto e serão voluntários. Com esses cursos, espero que as mães consigam gerar renda e ocupar a cabeça. Sei de pessoas que têm só uma panela em casa e quase não têm comida, porque o filho leva tudo para vender ou trocar por drogas".
O mesmo já aconteceu na casa de Selma e, por conta disso, o principal intuito do projeto é oferecer um espaço de compartilhamento de vivências e força a quem precisa lidar com essa realidade. "É um lugar para que a gente possa se ajudar e compartilhar nossas experiências. Também teremos auxílio de uma pastora que dará orientações e um suporte para nós", acrescenta.
VIVÊNCIA
"Minha imã caçula tem problemas com as drogas desde a adolescência. Hoje, ela tem 45 anos e, há 5 anos, ela teve um edema cerebral e um aneurisma, no mesmo dia. A encontramos em uma situação complicada, no corredor de um hospital em que um homem a teria deixado sem nem informar o nome dela", relembra.
O sobrinho, filho do irmão mais velho de Selma, não resistiu e morreu aos 36 anos. "Vai completar dois anos que ele se foi, em março agora. Também vivia pelas ruas, envolvido com drogas como crack e cocaína, além de muito álcool", afirma.
Já o filho está limpo desde o ano passado e Selma mantém a esperança de que essa realidade não volte mais para sua casa. "Já passei por coisas muito difíceis com ele. Já sofri muito. Mas sempre tive muita fé e acredito que ele vá sair disso. As pessoas falam muito que a culpa de ter uma pessoa viciada em casa é do pai e da mãe, mas eu dei uma educação muito boa para o meu filho e sempre mostrei o caminho do bem. Hoje, quero unir forças com outras mães para que elas saibam que estamos juntas", finaliza.
