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Fenômenos psicológicos que alteram padrões de comportamento das pessoas em multidões

Fabiano de Almeida Serpa
| Tempo de leitura: 3 min

Devido aos recentes fatos ocorridos em Bauru no último final de semana, quando ocorreu evento carnavalesco no Parque Vitória Régia, venho trazer informações relevantes para compreendermos porque, em determinados momentos ou situações, pessoas pacatas, equilibradas emocionalmente, gente de bem, quando se encontra em um número grande de pessoas, constituindo uma massa, adota comportamentos e atitudes muito diferentes de quando se encontra sozinho. Essa é uma situação bastante comum em estádios de futebol, shows de música e, claro, em qualquer situação onde haja grande concentração de pessoas, como no caso em questão.

A Polícia Militar adota padrões internacionais, metodologias e conceitos profissionais de trabalho para executar o policiamento em eventos desse tipo que são utilizados nos mais modernos países do mundo. Vou discorrer sobre esses conceitos que estão contidos no manual de policiamento em eventos da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e difundidos em todo o terreno paulista.

Vejamos. Há diferença de comportamento quando se analisa um indivíduo que se encontra isolado, sozinho e quando faz parte de um grupo, ou seja, quando está inserido na massa: de maneira geral, quando sozinho, o indivíduo preocupa-se com as consequências de suas ações; aceita passivamente as situações do dia a dia; raciocina antes de tomar decisões; é mais inibido, contido; e preocupa-se com sua imagem. Já quando em grupo, liberam-se os sentimentos, comportando-se de forma não convencional e, consequentemente, assume comportamentos que lhe são estranhos no dia a dia; prevalece a imagem do grupo; age-se e reage-se conforme a massa: por fazer parte de um todo, dificilmente sua conduta será diferente daquela adotada pela massa e, neste contexto, o indivíduo não raciocina, age e reage de acordo com o que a coletividade lhe impõe ou lhe sugere.

Isso ocorre porque fatores psicológicos influenciam o comportamento do indivíduo em massa. Estes fatores psicológicos podem muitas vezes tornar a pessoa irreconhecível por conta do que ele é capaz de fazer. Cabe salientar que não são necessariamente sinônimo de atos maldosos ou reprováveis.

São eles: Número: A consciência que os indivíduos têm do valor numérico da massa que constitui, aumentando sensação de poder e segurança. Sugestão: as ideias se propagam desapercebidas, sem que os indivíduos raciocinem ou possam contestá-las. Contágio: as ideias difundem-se e a influência transmite-se de indivíduo a indivíduos.

Anonimato: acobertado pelo anonimato, o indivíduo poderá perder a noção de respeito e consequentemente sentir-se-á não responsável por seus atos quaisquer que sejam, já que acha que não será identificado. Novidade: Face as circunstâncias novas e desconhecidas nem sempre o indivíduo reage conforme as normas e ações habituais. Poderá agir de formas inesperadas.

Expansão das Emoções Reprimidas: Preconceitos e desejos insatisfeitos, normalmente contidos expandem-se concorrendo como poderoso incentivo à prática de desordens. Imitação: O desejo irresistível de imitar o que os outros estão fazendo.

Os fatores psicológicos expostos levam os expectadores a reagir agressiva e até violentamente a estímulos muitas vezes insignificantes, revelando-se através de provocações verbais, impropérios, arremesso de objetos e até tiros de rojões e armas de fogo. Além dos fatores psicológicos, a euforia pode ser agravada pelo uso de bebidas alcoólicas e outras substâncias gerando, brigas, desordens, tumultos e pânico.

Nossa sociedade possui padrões de comportamentos socialmente aceitos, e quando alguém extrapola os padrões, causa a quebra da ordem pública e provoca uma reação da Polícia para o restabelecimento da paz social. Essa reação se dá pelo escalonamento proporcional da força, podendo iniciar pelo diálogo (quando possível), seguido do uso de munições não letais (como uso de força física, cassetetes, munição química - gás pimenta, balas de borracha), até mesmo munição letal, apenas nos casos mais extremos.

O autor é major de Polícia Militar, onde trabalha há 28 anos, e atualmente é subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM/I).

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