Política

Equipamentos chegam na ETE, mas estão sem local construído para ficar

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
O prefeito Clodoaldo Gazzetta e o presidente do DAE, Eric Fabris, nessa quarta-feira (27), no canteiro de obras

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa recebeu nessa quarta-feira (27) equipamentos de fabricação estrangeira. Com peso de 48 toneladas, os materiais fazem parte do sistema de secagem térmica. Contudo, o espaço para abrigar o equipamento ainda será construído, uma vez que não possui projeto.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), o vice-prefeito Toninho Gimenez (PTB), o presidente do DAE, Eric Fabris, o secretário de Administrações Regionais, Eduardo Borgo, e a diretora de Assuntos Jurídicos do DAE, Mayra Fernanda da Silva, acompanharam a chegada do equipamento, que estava no Porto de Santos desde o começo do ano, onde aguardava a liberação alfandegária.

O transporte foi realizado por dois caminhões. Uma parte pesa 16 toneladas, e a outra parte, apesar de menor, tem peso de 32 toneladas. O custo foi de R$ 6.157.511,00, e está dentro do contrato da empresa COM Engenharia, que faz a construção.

De acordo com o prefeito Clodoaldo Gazzetta, a chegada de equipamentos é uma etapa importante da obra. "Realmente tivemos problemas com os projetos complementares, mas agora vamos ter esses projetos e a obra não parou em nenhum momento. A produção dos equipamentos já está acontecendo, o investimento é grande, e os equipamentos estão chegando aos poucos. Este que chegou agora é importante, pois faz a secagem do lodo. Agora estamos começando uma nova etapa da obra, com a chegada de equipamentos durante este ano, e o avanço do que falta", comenta.

ABRIGO

O equipamento faz parte do sistema de tratamento de fase sólida, o lodo, composto ainda por outros equipamentos como adensadores e centrífugas. O presidente do DAE, Eric Fabris, cita que cerca de 90% da ordem de serviço para a compra de equipamentos já foi emitida, e cerca de um terço foi entregue. O investimento em equipamentos chega a mais da metade do valor da obra - o contrato original era de R$ 129 milhões, mas já está em R$ 144 milhões, e deve ir a mais de R$ 160 milhões com possíveis novos aditivos e reajustes. Os equipamentos correspondem a cerca de R$ 80 milhões desse valor, e o restante, está nas obras civis, que estão 80% concluídas, estima o governo.

Alguns equipamentos chegaram no ano passado, como os da estação elevatória e do tratamento preliminar, que já foram instalados, e os demais estão chegando neste ano. "O secador de lodo vai ter agora projetado o barracão onde ficará, é uma obra rápida, de estrutura metálica. A empresa que fazia os projetos não entregou isso, e será feito pela Fundação da USP de São Carlos que estamos contratando. Esse equipamento vai entrar em operação depois que a estação começar a funcionar, então não é algo crítico, a intenção é ter o projeto e fazer a obra o mais rápido possível, teremos várias frentes de trabalho na construção", lembra.

O projeto do espaço que abrigará o equipamento deveria ter sido apresentado pela Arcadis Logos, mas como isso não aconteceu e houve a ruptura da prefeitura com a empresa, a USP é que vai desenvolver o projeto para depois a COM Engenharia construir a estrutura física. Antes disso, o secador térmico entregue ontem e outros equipamentos, onde também faltam projetos, ficarão na ETE aguardando a instalação em um espaço. O presidente da autarquia diz que os materiais são resistentes e não há risco de danos até a conclusão das obras, afirma.

Contrato dos projetos complementares chega perto de R$ 3 milhões

O contrato da Prefeitura de Bauru com a Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (Fipai), da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, será de R$ 2.945.000,00. Como a entidade está vinculada a uma instituição pública, a contratação será por dispensa de licitação, e o contrato deve ser assinado nesta semana.

Para a semana que vem, a Fipai deve apresentar um cronograma de entrega dos projetos e permitir assim que a COM Engenharia também defina prazos para a entrega dos setores onde as obras precisam avançar. Conforme o JC mostrou, pelo menos 500 projetos e mapas complementares deverão ser desenvolvidos pela Fundação da USP, em várias áreas, e ainda o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO). A prefeitura anunciou também uma ação judicial contra a empresa Arcadis Logos, que comprou a Etep, a empresa que fez o projeto original, entregue em 2011 por cerca de R$ 1,2 milhão, valor considerado defasado para o tamanho da construção, e uma sindicância na prefeitura e no DAE para apurar os erros no edital de contratação do projeto. A entrega da ETE ficou para setembro do ano que vem.

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