| Christiano Diehl Neto/Gazeta de Piracicaba |
![]() |
| Tanquã-Barreiro Rico é Área de Preservação Ambiental (APA) estadual, região é conhecida como “Pantanal Paulista” e se estende para Piracicaba, Botucatu, Anhembi e Dois Córregos |
Uma imensa região semelhante ao pantanal mato-grossense com aves e animais exóticos no centro do Estado de São Paulo pode servir para movimentar o turismo ecológico e sua preservação servir a pesquisas científicas. Desconhecida do público em geral, recentemente o governo do estado criou por lei estadual a Área de Preservação Ambiental (APA) do Tanquã-Barreiro Rico que se estende por matas e alagados na região de Piracicaba e região de Bauru.
Esse ecossistema é um refúgio de aves migratórias, onde podem ser avistadas espécies de garças, colheireiros, socós, tuiuiú (ave símbolo do pantanal mato-grossense), gaviões, ratões-do-banhado e outros mamíferos completam a paisagem.
A APA Tanquã-Barreiro Rico envolve seis municípios em uma extensa área de 14.057,30 hectares, onde vivem animais em extinção entre os municípios de Anhemhi, Botucatu, Dois Córregos, Piracicaba, Santa Maria da Serra e São Pedro, que são banhados pela represa de Barra Bonita, no Rio Tietê.
| Fotos: Paulo Guerra |
Dois carcarás no bairro rural Marambaia, entre Jaú e Itapuí, região igual ao Pantaninho de Ibitinga |
![]() |
| Tucano voando em flagrante feito na Marambaia, região entre Itapuí e Jaú |
Mas a região é rica em avifauna, Ibitinga há 32 anos tem uma APA que foi instituída em 1987 para proteção do "Pantaninho" (várzea do rio Jacaré-Pepira) e "Varjão" (áreas alagadas próximas do Jacaré-Guaçu).
O grande desafio dessas unidades é como será executado o zoneamento dessas áreas e o Plano de Manejo. A APA do Tanquá, criada em 22 de dezembro pelo decreto nº 63.993 do governador Márcio França (PSB), foi uma conquista de ambientalistas para evitar que uma barragem fosse construída em Santa Maria da Serra para ampliar a navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná à região de Piracicaba. A obra ameaçava inundar imensa área que acabaria como "Pantanal Paulista", nome dado ao ecossistema que surgiu nos últimos 50 anos com a construção da represa de Barra Bonita.
Com a criação da APA o objetivo é a conservação da avifauna residente, migratória e a biodiversidade aquática e promoção do turismo com bases sustentáveis.
Na região de Bauru há outro trecho em dimensões menores do que as duas APAs criadas por lei estadual com as características semelhantes ao "Pantanal Paulista". Trata-se da Marambaia na divisa de Jaú com Bariri e Itapuí. O local é destino para migração das aves do Pantanal. Um complexo de águas, onde os córregos Olhos D' água, Pouso Alegre e Ribeirão da Prata desembocam no rio Jaú e Tietê.
A Associação Jauense de Ambiente e Cultura foi fundada em março de 2017 no intuito de atuar na defesa do meio-ambiente e do patrimônio cultural de Jaú, além de estimular e aglutinar aqueles que praticam a fotografia como arte ou lazer. Essa entidade vem fazendo campanhas para preservação da Marambaia.
Pantanal do Bonito integra a APA
Municípios de Botucatu, Dois Córregos e Anhembi têm faixa de terra que será preservada com a aprovação da Área de Preservação Ambiental
| Amanda Vieira/Jornal de Piracicaba |
![]() |
| Tanquã, na região de Piracicaba, tem variedades de aves semelhantes ao pantanal mato-grossense e, agora, é Área de Preservação Ambiental (APA) |
O Mini Pantanal do Rio Bonito na região de Botucatu faz parte da Área de Preservação Ambiental (APA) Tanquã-Barreiro Rico recém aprovada pelo governo estadual que envolve seis municípios: três deles na região de Bauru: Botucatu, Dois Córregos e Anhembi. A área maior, no entanto, desses 14.057,30 hectares do chamado "Pantanal Paulista", fica entre Piracicaba, São Pedro e São Maria da Serra banhada pela Represa de Barra Bonita, no Rio Tietê.
Um dos últimos atos do governador Márcio França (PSB) foi assinar o decreto nº 63.993, publicado no Diário Oficial em 22 de dezembro do ano passado, que criou a APA para conservação da avifauna residente, migratória e a biodiversidade aquática para possibilitar ações de manutenção e melhoria da qualidade da água e promoção do turismo com bases sustentáveis. Nessa região também tem colonia de pescadores.
No banhado é comum ver garças, biguás, carcarás, jacarés-de-papo-amarelo e até onças-pardas, comuns no pantanal mato-grossense. Esse ecossistema foi formado há cerca de 50 anos após a construção da barragem da usina hidrelétrica de Barra Bonita, no Rio Tietê.
![]() |
O secretário municipal do Verde de Botucatu, Márcio Piedade Vieira, cita que a nova APA estadual integra a fazenda Barreiro Rico pertencente àquele município. "É uma região de banhado do Tanquã, popularmente chamado de Mini Pantaninho do Bonito. Nessa fazenda tem remanescente da Mata Atlântica, uma das maiores concentrações de macacos por área. Por isso pensou-se fazer a reserva ecológica, juntando com o banhando do Tanquá, região diferenciada no Estado de São Paulo", diz Vieira. O local é de banhando e não atinge o Bonito, onde há orla e várias chácaras no município de Botucatu.
A nova APA é uma reivindicação de ambientalistas para preservar área que esteve ameaçada de desaparecer, quando houve estudos do governo do estado de construir uma nova barragem para a ampliação da navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná. O barramento ficaria próximo ao Rio Piracicaba, em Santa Maria da Serra, o que inundaria uma área de 67 km2, deixando debaixo d'água o Tanquã.
O secretário destaca que, o fato de ser APA não impede as atividades agrícolas, mas terá um grupo de gestão ambiental para elaborara um Plano de Manejo, que terá que ser aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente. "Onde está essa mata não poderá ser derrubada, mas ela já é uma área que não pode desmatar mesmo antes da criação da APA. É importante preservar essa área para estudar esse bioma", cita o secretário do Verde.
A Fundação Florestal de São Paulo identificou nessa região de APA mais de 100 aves aquáticas que vivem nos leitos do Tanquã-Barreiro Rico-Piracicaba, afluentes do Rio Tietê, cinco espécies de primatas, inclusive o maior macaco das Américas. Também tem várias madeiras nobres, como espécies de peroba rosa e jequitibá.
A Fundação para a Conservação e Proteção Florestal do Estado de São Paulo (Fundação Florestal), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, vai administrar a APA.
O secretário ressalva que para o turismo sustentável é bom, mas isso tem que ser controlado, com estudos para saber a capacidade que essas matas têm para receber visitas. "Se tiver o equilíbrio, vamos chegar a um meio termo. É bom ter esse ambiente preservado e não vai atrapalhar os proprietários de terra da região", finaliza.
Represa de Barra Bonita ‘criou’ banhados
| Prefeitura de Botucatu |
![]() |
| O secretário do Verde de Botucatu, Márcio Vieira, diz que APA é importante à região |
O geógrafo Roberto Braga, professor do Instituto de Geociências Exatas (IGCE) do câmpus de Rio Claro, explicou ao JC que a construção da barragem de Barra Bonita em 1963 transformou uma antiga área de várzea em banhado, formado por lagos dos afluentes do rio Tietê, como o rio Piracicaba.
O professor elaborou parecer sobre o impacto ambiental na área quando da possibilidade da construção de nova barragem no rio Piracicaba em Santa Maria da Serra a pedido do Ministério Público. Na ocasião foi acionado o MP para analisar o projeto de extensão da navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná pelo trecho do Tanquã. "Ali é área do remanso da represa de Barra Bonita e, antes da construção da hidrelétrica, não existia aquele banhado. O ecossistema acabou sendo criado com características muitos peculiares, com avifauna bastante parecida com o pantanal mato-grossense quando da inundação da área. Há tuiuiú, colhereiros, jacaré-do-papo-amarelo, ratão do banhado, uma fauna muito rica", cita em entrevista por telefone.
A formação do lago ocorreu com represamento da barragem de Barra Bonita do qual inundou a área de banhado no remanso próximo ao rio Piracicaba. "Naquela área inundável há muitas aves migratórias e espécies que não se encontram em outras áreas do Estado", afirma. Braga salienta que a criação dessa APA é muito importante para preservação ambiental, ali tem um ecossistema único, tanto o Tanquã como Barreiro Rico. "A ideia é ter um plano de manejo e fazer mudança para valorização da área por ser muito procurada para turismo e observação de aves. É o primeiro passo para ter a correta valorização não só do Tanquã como o do Barreiro Rico, com remanescente da Mata Atlântica com a existência de onças. Essas duas áreas têm importância ecológica fundamental no interior paulista", finaliza.
APA de Ibitinga completa 32 anos
Município tem unidade de conservação de uso sustentável desde 1987 criada por lei estadual, mas não tem até hoje Plano de Manejo
![]() |
Com rica fauna e as mesmas características do pantanal mato-grossense, Ibitinga tem uma Área de Proteção Ambiental criada pela lei estadual nº 5.536, de 20 de janeiro de 1987, que contou com o apoio do então deputado estadual bauruense Roberto Purini. Neste ano completou 32 anos da implantação da Unidade de Conservação de Uso Sustentável.
Batizada de APA Ibitinga é uma área protegida que permite o uso conforme as orientações do Plano de Manejo que, após três década, não foi elaborado.
A área alagada é na várzea do rio Jacaré-Pepira e "Varjão" do rio Jacaré-Guaçu com remanescentes de vegetação em estágio avançado de regeneração e fauna com animais como tamanduá-mirim, lobo-guará, onça-parda, alguns ameaçados de extinção, aves e peixes.
A Prefeitura de Ibitinga tem plano de explorar o turismo sustentável nessa área, mas o primeiro passo é o zoneamento e elaboração do Plano de Manejo. O vice-prefeito e secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Frauzio Ruiz Sanches, explica que esse é o desafio da atual administração. "A APA de Ibitinga quando foi criada, conforme relatos de prefeitos da época, teve objetivo de proteger os dois atributos ambientais que trazem o título para a cidade de estância turística devido ao 'Pantaninho Paulista'. Com a aprovação da lei para proteger essas duas áreas ninguém explica o motivo de ter sido zoneado o município inteiro. Isso foi uma falha que dificulta o desenvolvimento da cidade para trazer empresas. Por ser APA fica mais complicada a aprovação dos órgãos ambientais", declara.
| APA Ibitinga/Divulgação |
![]() |
| Jacaré-de-papo-amarelo pode ser visto no “Varjão” do Guaçu no chamado Pantaninho de Ibitinga |
Sanches cita que o objetivo da criação da APA foi proteger as áreas do rio Jacaré-Pepira e o "Varzão" do Jacaré-Guaçu, mas o governo do estado não fez o zoneamento e plano de manejo. "Faltou vontade política do governo do estado nesses últimos anos de fazer esse zoneamento, apesar da luta do sindicato rural e das gestões municipais anteriores. Nada aconteceu. Agora de tanto pressionar o Conselho da APA de Ibitinga tem o desafio de fazer esse Plano de Manejo por meio da Fundação Florestal contratada pelo governo do Estado", ressalta o vice-prefeito.
Sanches acrescenta que assim o "Varzão" do rio Jacaré-Guaçu e a área do Jacaré-Pepira vão continua protegidos, sem a necessidade de zoneamento do município inteiro de Ibitinga. "Se depender de nossa vontade, acho que esse momento para solucionar essa questão. Vamos fazer todo o esforço para fazer essa regulamentação e o Plano de Manejo", cita.
Por enquanto, essa região não é explorada com turismo sustentável. O secretário cita que o alpinista brasileiro Rodrigo Ranieri tem uma agência de turismo de aventura e tem familiares em Ibitinga. Ele está ajudando o município em viabilizar o turismo ecológico e de aventura. "Estamos investindo recursos do Departamento para Desenvolvimento das Estâncias Turísticas (DADE) na área da balsa com a implantação de atracadouro para trazer barcos para passeios no município. O objetivo é transformar o local para receber turistas", citou.
|
Área tem mais de 55 espécies de plantas
A Área de Proteção Ambiental (APA) de Ibitinga abriga pelo menos 24 espécies de mamíferos, 270 de aves, 83 répteis e anfíbios, e mais de 55 espécies de plantas. Esses dados foram levantados pela Fundação Florestal que encomendou a uma empresa a pesquisa de campo através da metodologia de Avaliação Ecológica (AER).
Conforme o site da APA Ibitinga, as duas áreas alagadas são verdadeiros paraíso da águas e da biodiversidade com florestas e mata ciliar, além de manchas de cerrado (áreas com vegetação de porte médio com troncos grosso e tortuosos como Barbatimão, ipê-amarelo do cerrado ou angico do cerrado.
No estudo de diagnóstico da APA consta que devido a intenso uso e ocupação do solo, as áreas naturais foram quase, que na sua totalidade, removidas ou alteradas. O processo de ocupação nessa região foi impulsionada pela cultura cafeeira e pela expansão ferroviária. Com o declínio da cafeicultura propagaram-se as lavouras permanentes de citrus, pastagens, produção graneleira e canavieira, consta nos primeiros divulgados no site da APA Ibitinga.
|
Ajac luta para preservar ecossistema perto de Jaú
| Paulo Guerra |
![]() |
| Garça Moura flagrada “pescando” em um alagado na Marambaia, localizada entre Itapuí e Jaú |
A Associação Jauense de Ambiente e Cultura foi fundada em março de 2017 no intuito de atuar na defesa do meio-ambiente e do patrimônio cultural de Jaú, além de estimular e aglutinar aqueles que praticam a fotografia como arte ou lazer.
Como extensão de sua atuação, surgem como questões relevantes a defesa de campanhas como a preservação da Marambaia, uma região localizada na foz do rio Jaú que engloba as fronteiras dos territórios de Jaú, Itapuí e Bariri e a parceria e apoio à Reserva Ecológica Amadeu Botelho, na cidade de Jaú.
A Ajac é filiada à Confederação Brasileira de Fotografia (Confoto), sendo que vários de seus fundadores atuam no campo da fotografia, inclusive representando a cidade em diversos concursos nacionais e internacionais. Nesse sentido, a Ajac apoia a implantação de um concurso fotográfico que possa perenizar a defesa da fotografia de natureza, sem esquecer os outros segmentos e categorias dessa expressão artística.
Marambaia é mini pantaninho regional
| Paulo Guerra |
![]() |
| Marambaia fica próximo de Jaú e Bariri e também é uma região com aves migratórias |
A Marambaia, na divisa de Jaú com Bariri-Itapuí no centro do Estado de São Paulo próximo a Bauru, é destino para migração das aves do pantanal. Um complexo de águas, onde os córregos Olhos D' água, Pouso Alegre e Ribeirão da Prata desembocam no rio Jaú e Tietê.
Nesse local vários fotógrafos de natureza já flagraram vários pássaros e um ecossistema semelhante à APA de Ibitinga e à APA Tanquã-Barreiro Rico na região de Piracicaba e Botucatu.
A Marambaia, com aves características do Pantanal, atrai observadores de aves todo o país. O bairro rural no passado chegou a ser populoso e teve até uma estação de trem, antigo ramal da Estrada de Ferro Dourado desativada em 1964. Com a construção da hidrelétrica Álvaro de Souza Lima, entre os municípios de Bariri e Boraceia, parte dessa área ficou alagada em 1965 o que fez desaparecer a fauna e a vegetação, mas ao longo dos anos ressurgiu várzeas e brejos com aparecimento de aves migratórias.
O fotógrafo Paulo Guerra, presidente da Associação Jauense de Ambiente e Cultura (Ajac), lidera um movimento para buscar a preservação desse "refúgio ecológico". Há um site com fotos belíssima da fauna. Nessa região foram catalogadas 210 aves, informa Guerra.
O complexo tem extensos brejos e áreas de várzea que se formam na época das chuvas. Ele depende, após o represamento, do regime das comportas da represa de Bariri. A ocupação do solo, a pesca sem critérios, a poluição das águas e a ausência de proteção municipal e estadual são as ameaças para esse ecossistema.
Guerra já fotografou nessa região várias espécies de aves, como o tuiuiú, ave símbolo do pantanal mato-grossense.
João André de Almeida Prado, também integrante da Ajac, relembra que foram feitas várias ações para a preservação da área. "O principal entrave é o apoio político de um deputado. Quem tem mais colaborado é o deputado estadual de Botucatu Fernando Cury, mas encontramos uma resistência do setor agropecuário. A criação de uma unidade de conservação gera uma zona de amortecimento, o que limita o uso para setor agropecuário, do qual ficou preocupado. Por isso demos uma recuada. Não queremos criar atrito", declarou João André Almeida Prado.
A associação defende que algum deputado da Assembleia encampe a ideia e faça um estudo jurídico para criar uma unidade de conservação, mas que são se tão limitante.
.jpg)
Dois carcarás no bairro rural Marambaia, entre Jaú e Itapuí, região igual ao Pantaninho de Ibitinga






