Infelizmente, sou impelido a novamente fazer reparos a um texto do leitor Pedro Valentim, publicado neste domingo, sob o título de Hino Nacional. O texto se referia ao decreto do ministro da Educação sobre a obrigatoriedade de que as escolas cantem o hino nacional. Os comentários emitidos por Valentim, embora óbvios, eram quase de concordância geral.
No entantom o polêmico missivistam no final, emitiu comentários sobre "religiosos" e o Carnaval, citando para respaldar o comentário o texto bíblico de Salmos capítulo 150, verso 4 (neste caso, para situar o contexto, ampliaremos o texto a partir do verso 1):
1 "Aleluia! Louvem a Deus no seu Templo, Louvem o seu poder que se vê no céu 2. Louvem pelas coisas maravilhosas que tem feito. Louvem a sua imensa grandeza.3 Louvem com trombetas, com harpas e liras. 4. Louvem o Senhor com pandeiros e danças. Louvem com harpas e flautas. 5 louvem bem alto com pratos sonoros. 6 Todo ser que respira, louve ao Senhor ".
No entanto, o missivista Valentim, retirando o texto isolado do verso 4 do seu contexto, concluiu que deveríamos "louvar" ao Momo da mesma forma com pandeiros e danças. E só faltou justificar também o uso do tamborim. Desatentamente, deixou de observar que o louvor com pandeiros e dança eram dirigidos exclusivamente a Deus.
Esclarecendo para o interessado neófito sr. Valentim. O texto claramente fala de louvor a Deus, no Templo pelo seu poder e grandeza, pelas maravilhas que tem feito. Não se trata da participação em uma festa, onde reina o deus Momo da mitologia grega e romana. Deus pagão do sarcasmo e do delírio. Frequentando as orgias na Grécia aos bacanais de Roma.
Momo que "reina" de forma não menos prejudicial no Carnaval brasileiro de hoje, com sexo, bebida, drogas, gravidez precoce de adolescentes e utilização de verbas públicas em detrimento de saúde, educação e segurança, é o exato oposto do texto bíblico.
Na Bíblia, como em qualquer outra interpretação secular, analisar o texto fora do seu contexto é sempre um pretexto. No caso do sr. Valentim, este tipo de equívoco já é recorrente, e quase sempre vem acompanhada de um pseudo respaldo bíblico, que, sendo feita de forma superficial e equivocada, representa um desrespeito a um grande grupo de leitores, que como eu acredita que a Bíblia é regra de fé e prática.