| Peter Leone/Futura Press/AE |
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| Pedrinho, "meia que gosta de flutuar", é efetivo na armação e conclusão de jogadas |
No duelo tático entre Fábio Carille e Jorge Sampaoli, dois jogadores em especial guardam a esperança do drible e da criatividade parar quebrar esses esquemas no clássico de hoje entre Corinthians e Santos, na Arena Corinthians, pelo Campeonato Paulista. O meia Pedrinho e o atacante Rodrygo têm a função principal de fazer o inesperado e tirar seus times de dentro das caixinhas táticas.
Principais revelações de Corinthians e Santos nos últimos anos, os jovens estão em degraus diferentes na carreira. Aos 18 anos, o santista já realizou o projeto que Pedrinho adiou e não sabe se vai conseguir realizar: jogar em um grande clube da Europa.
Vendido ao Real Madrid por cerca de R$ 193 milhões, Rodrygo tem contrato até junho e se apresenta ao clube espanhol no mês seguinte. A grosso modo, ele está fazendo sua despedida para o grande salto de sua carreira. Falta pouco mais de três meses para fazer as malas.
Depois de fracassar com a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano Sub-20 - pela terceira vez, o time não foi ao Mundial nas últimas quatro edições e ficou em quinto lugar no hexagonal -, o atacante de 18 anos busca uma grande atuação. Em 2019, Rodrygo participou de quatro jogos e marcou dois gols pelo Santos.
Após ótimo jogo contra o América-RN, pela Copa do Brasil, ele quer consolidar o bom momento no clássico. "Marcar em clássico é o mais importante, na base fazia muito. Contra o Corinthians, não fiz nos dois jogos. Espero que dê tudo certo para eu fazer o gol."
As conversas com Sampaoli se dividem entre o presente e o futuro. Conhecedor do futebol espanhol depois de dirigir o Sevilla, o técnico dá conselhos para que ele não sofra tanto na Europa. "Falou de intensidade no treino e de reagir rápido depois de perder a bola. São essas as coisas que vão encurtar meu caminho para a adaptação lá", contou o santista.
ENSAIO
Pedrinho já ensaiou essa transição - Brasil/Europa -, mas ficou no meio do caminho. Ele teve proposta da China, mas descartou de imediato. Ajax, Borussia Dortmund e até Barcelona e Real Madrid fizeram sondagens, mas elas não se transformaram em ofertas de papel passado. Seu estafe acredita que 2019 é o ano para deslanchar.
O entusiasmo da torcida esfriou um pouco. Revelado na Copa São Paulo de 2017, o meia franzino e habilidoso fazia o estádio vibrar quando o sistema de som anunciava seu nome. Hoje, o barulho já não é tão forte. Gustavo puxou para si os holofotes. Mas o meia de 20 anos continua com cartaz com o treinador, que o define como um "meia que gosta de flutuar".
Pessoas próximas ao meia afirmam que ele está ainda se adaptando às novas funções: a faixa da direita do campo com liberdade para "cair" pelo meio e a obrigação de marcação.
Ele prefere jogar pelo meio, mas a concorrência é pesada. Pedrinho ganhou espaço com a contusão de Jadson, que está recuperado de dores no joelho e deverá jogar apenas meia hora hoje. Também está na briga o equatoriano Sornoza, que deu passes para seis gols do time. Pedrinho tem contrato até 2020. O Corinthians se precaveu e fixou multa em 50 milhões de euros (R$ 218 milhões). Gustavo é desfalque no ataque corintiano. Boselli ganha a vaga.
Santos domina nas estatísticas
Com mais posse de bola, gols marcados e finalizações, o Santos tem também números defensivos melhoeres do que os do Corinthians no Campeonato Paulista. O clube do Parque São Jorge repatriou Fábio Carille para repetir a mágica de 2017, quando teve a melhor defesa do País.
Comandado por Jorge Sampaoli, o Santos tem o melhor ataque do torneio (19 gols), é quem tem maior posse de bola (média de 64%) e o segundo que mais finaliza ao gol (16 por partida, atrás do Red Bull).
Os números são superiores aos do Corinthians, que anotou oito gols (10º lugar no ranking), é o segundo que menos finaliza (8,8 de média) e tem 57% de posse de bola por jogo.
Mesmo atacando mais, o Santos tem números defensivos melhores que os do rival. Os dois sofreram oito gols no Paulista até agora, mas o visitante de hoje é a equipe que menos permite finalizações do adversário no Estadual (7,7 de média), contra 12,7 do Corinthians.
Com 22 pontos, o Santos possui a melhor campanha do Estadual. O que antes da temporada não era esperado. Em entrevista à reportagem, o próprio presidente do clube, José Carlos Peres, previu ano "extremamente difícil" por causa da falta de dinheiro.
O Corinthians esperava repetir o que fez no ano passado, quando foi campeão, comandado pelo mesmo Fabio Carille. Ainda é possível. Com 14 pontos, pode ficar perto da classificação se vencer o clássico. O Santos já se garantiu nas quartas de final.
"Conheço bastante o Corinthians. Estamos analisando a partida que já jogamos contra eles e a partida contra o Racing. Sabemos que vai ser um clássico intenso, entre equipes com estilos diferentes. O Corinthians nos conhece muito bem", disse Sampaoli após a goleada por 4 a 0 sobre o América-RN na última quinta. O resultado classificou o time para a 3ª fase da Copa do Brasil.
Antes do início do Estadual, Santos e Corinthians se enfrentaram em amistoso também em Itaquera. Empataram em 1 a 1. Foi o primeiro jogo de Sampaoli no futebol brasileiro.
O trabalho do argentino tem sido elogiado desde então por ter conseguido dar padrão de jogo para elenco de poucos reforços, que perdeu seus melhores atacantes (Bruno Henrique e Gabriel) e terminou 2018 sem nenhum título.
Carille reconhece a qualidade do trabalho desenvolvido pelo rival, mas confessa se sentir incomodado quando é dito que ele apresenta inovações no futebol brasileiro.
"Por característica, não deve ter 5% de técnicos que façam o que ele faz. Algumas coisas que incomodam é uma boa parte da imprensa falar como inovação. É um trabalho de início brilhante, mas é falta de respeito com o que Fernando Diniz fez no Audax, tirando Palmeiras e Corinthians, e jogando melhor que o Santos (na final do Campeonato Paulista de 2016). Assemelham-se as ideias", ressalta o corintiano.
Para o técnico do Corinthians, é tudo uma questão de estilo de futebol. Ele afirma ter montado sua filosofia com Mano Menezes e Tite, de quem foi auxiliar no Parque São Jorge. "É o que vejo também em (Diego) Simeone e (José) Mourinho, mais de linha de quatro (jogadores). A dele (Sampaoli) é mais de movimentação", completa.
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