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Terceiro adolescente de 17 anos é suspeito de massacre em Suzano


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Fotos: Ueslei Marcelino/Reuters
Estudantes da escola que sofreu o atentado diziam não acreditar no que os amigos viveram

São Paulo - Um adolescente de 17 anos participou da elaboração do massacre na escola de Suzano, na Grande São Paulo, na manhã de quarta-feira, que terminou com dez mortos, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes.

O delegado afirmou, em entrevista coletiva, na tarde de ontem, que a polícia foi à Justiça e pediu a apreensão do adolescente.

Caixão com o corpo de Samuel Melquiades Oliveira Silva é enterrado: homenagens o dia todo

Fontes não deu detalhes da participação do adolescente. Apenas disse que ele ajudou na elaboração do crime. O jovem seria colega de classe de Guilherme Taucci Monteiro, 17, um dos autores do ataque. O outro é Luiz Henrique  de Castro, 25.

Os dois mataram cinco alunos, duas funcionárias e um empresário na escola estadual Professor Raul Brasil. Outras 11 pessoas ficaram feridas. Após os crimes, Guilherme matou Luiz Henrique, e cometeu suicídio.

PROMOTORIA

Promotores de São Paulo investigam a possibilidade de o massacre ter ligação com organizações radicais que promovem crimes de ódio ao redor do mundo.

Segundo a investigação, a conduta dos jovens durante ataque a estudantes e funcionários, como o uso de capuzes, os diferentes tipos de armas e o fato de terem disparado contra uma pessoa fora da escola, sugerem táticas adotadas por grupos de ódio. A investigação corre em sigilo.

"Não podemos descartar nenhuma área de investigação, e devemos traçar medidas preventivas para que esse tipo de crime não volte a ocorrer", disse o procurador-geral do estado, Gianpaolo Poggio Smanio. 

A INVESTIGAÇÃO

Os computadores de Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, foram apreendidos e estão sendo analisados por promotores do Gaeco, grupo do Ministério Publico dedicado a investigar o crime organizado. "No Gaeco temos quadros especializados em investigações cibernéticas que estão atuando nesse caso", disse o procurador-geral.

A investigação abordará se os dois jovens participavam de grupos de discussão ligados a grupos terroristas na chamada internet profunda, em que a troca de mensagens ocorre sob pesada criptografia, sem acesso por meio de sites de busca e com monitoramento mais difícil.

Por causa dessa linha de investigação, o Ministério Público tem usado o termo "terrorismo doméstico" pela primeira vez para se referir ao tipo de crime praticado pelos jovens na escola estadual em Suzano.

Amanda Perobelli/Reuters
Escoteiros do Clube Desbravadores rendem a última homenagem

O uso do termo "terrorismo" é defendido pelo procurador-geral, apesar de significar atos de destruição em massa em associação a uma causa política e/ou religiosa, o que não parece ter sido o caso na escola, ao menos neste primeiro momento das investigações.

Velórios tiveram comoção, abraços, choros e assassinos foram sepultados sem cerimônias

As famílias de duas funcionárias e cinco alunos mortos no massacre da escola velaram as vítimas na Arena Suzano. O velório coletivo começou às 7h entre abraços, choros, sussurros e crianças pequenas que acompanham os pais, no local que fica a menos de um quilômetro da escola, palco dos ataques.

Milhares foram ao local prestar homenagens, formando uma grande fila do lado de fora. Alguns familiares chegaram a passar mal, sendo atendidos em ambulâncias. O ministro da Educação, Ricardo Vélez, o secretário estadual da Educação Rossieli Soares e o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, passaram pelo velório.

O movimento de pessoas que não são das famílias foi grande, chegou aos milhares, na Arena circundada por dezenas de coroas de flores. Elas ficaram isoladas por uma grade que as separava dos familiares os únicos próximos aos corpos.

Foram velados os estudantes Cleiton Antonio Ribeiro, 17; Caio Oliveira, 15; Samuel Melquiades Silva de Oliveira, 16; e Kaio Lucas da Costa Limeira, 15.

CHORO E DOR

A estudante Sofhia Cristal Reis, 16, foi ao velório do amigo Caio, "porque de alguma forma precisava estar com ele. Mas às vezes, eu paro para pensar e não parece real ainda".

Ela não estava na Raul Brasil porque este ano letivo trocou de escola.

"Recebi a notícia e sai correndo. Vi que era ele pelos vídeos, fotos. Fiquei apavorada, conta ela, que dividia com o amigo o gosto por trap (subgênero do rap). Um dia ele tá lá tão sorridente com a gente, no outro ele tá deitado num caixão".

ESCOTEIROS

Sobre o caixão de Samuel Melquiades repousa a bandeira do Clube Desbravadores, uma espécie de grupo de escoteiros ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Sua equipe, os Soldados da Fé, veio a caráter ao velório calça verde escura, blusa branca com distintivos bordados, um lenço amarelo no pescoço e sapatos sociais.

SEM IMPRENSA

Os corpos dos atiradores Guilherme Taucci Monteiro, 17, e de Luiz Henrique de Castro, 25, deixaram o IML (Instituto Médico Legal) de Mogi das Cruzes (Grande SP) ao meio-dia e em seguida, sem cerimônia. Guilherme foi sepultado no cemitério São João Batista e Luiz, no São Sebastião. O enterro foi fechado à imprensa. No de Guilherme havia apenas cinco pessoas, entre elas a mãe, Tatiana Taucci.

OS FERIDOS

Há ainda outros sete feridos hospitalizados. Um deles segue em estado grave. É o estudante Anderson Carrilho de Brito, 15, transferido de Suzano para o Hospital das Clínicas, na capital paulista.

Não haverá aulas na rede em Suzano nesta sexta (15). Na próxima semana, a Raul Brasil estará aberta para alunos e professores, mas apenas para atendimentos, reuniões e rodas de conversa.

As famílias deverão receber apoio de dois psiquiatras e um psicólogo que atuarão com a equipe do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Suzano.

INDENIZAÇÃO

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou que o Estado vai pagar uma indenização de R$ 100 mil por vítima às famílias das sete vítimas do ataque: duas funcionárias e cinco estudantes. Doria ressaltou que a indenização é uma atitude do governo e não depende de ações judiciais. "Não há necessidade disso (de judicialização)", comentou.

Como foi

Os assassinos se inspiraram no massacre de Columbine, ocorrido em 1999, nos Estados Unidos. A dupla usou um revólver, carregadores, uma arma medieval e uma machadinha.

Antes do ataque na escola, mataram o tio do adolescente. Morreram os estudantes Kaio Lucas da Costa Limeira, Cleiton Antonio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquiades Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino e as funcionárias Marilena Ferreira Umezu e Eliana de Oliveira Xavier.

O crime ocorreu em meio ao debate sobre posse de armas e chama a atenção por ter sido cometido em dupla e longamente planejado. Segundo um policial que acompanha o caso, o ataque começou a ser planejado  há cerca de um ano e meio. A Polícia Militar chegou à escola Professor Raul Brasil em Suzano, região metropolitana de São Paulo, quando os dois atiradores, ainda faziam os disparos e estudantes deixavam o prédio desesperados. Segundo o comandante-geral da PM, Marcelo Vieira Salles, ao que tudo indica, quando eles [atiradores] viram a Força Tática, entraram para dentro de um corredor e Guilherme atirou na cabeça de Luiz e depois se suicidou. Os atiradores são ex-alunos da instituição.

Homenagens em Bauru e região

“Só a proximidade nos faz perceber as necessidades e conflitos dos outros”. As palavras, tiradas de um texto do Padre Fábio de Melo, simboliza iniciativas registrada nessa quinta-feira (14) em várias escolas públicas e privadas, inclusive de Bauru e Região. Alunos das mais variadas idades se uniram para prestar homenagem, respeito e solidariedade às famílias das vítimas em Suzano. Em alguns estabelecimentos, como na Escola estadual Professor Eduardo Velho Filho, em Piratininga, uma roda de oração reuniu estudantes e professores. Em outros pontos, eles se mobilizaram para fazer um minuto de silêncio ou debateram as questões que envolvidas no caso.

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