Tribuna do Leitor

Capitanias hereditárias?

Sônyah Moreira
| Tempo de leitura: 2 min

Um pouco de história não faz mal a ninguém! Essa maravilhosa benesse (capitanias)teve início em 1532, D. João III pediu aos seus aspones que lhe trouxessem um mapa da recém-descoberta colônia, pátria amada...

Com o mapa em mãos, o rei divide as belas capitânias hereditárias, ou seja, para todo sempre. O "que seja eterno enquanto dure" foi de apenas 16 anos, até 1548, quando ele no alto de seu poder revogou as benesses, quem havia investido toda a fortuna ficou a ver navios e muitos morreram na miséria. Coisas de Brasil. Talvez seja esta a razão de algumas maldições, vai saber!

Fiz esta pequena viagem no tempo em nossa curta história para chegar aos dias atuais, em nossa mais ilustre capitania, a belíssima capital federal. Nossos funcionários federais, aqueles eleitos meses atrás, simplesmente marcam ponto de presença e se desembestam como gados para o aeroporto. Precisam voltar aos seus estados de origem para compromissos; em pleno carnaval! Faz-me rir!

A herança do sistema de capitanias hereditárias pode ser sentido até hoje através do coronelismo e das famílias que seguem mantendo o poder em certos estados. Tudo culpa de D. João III, alguns estados têm coronéis bem populares e sobrenomes centenários e a hereditariedade desde daquele tempo. Passam-se os currais, aos netos, bisnetos e assim por diante.

Será que precisaremos de mais 500 anos para purgar nossos carmas? Que maldição é essa? Que entra governo sai governo, e nós, o povo, continuamos a pagar a conta?

Em qual empresa do setor privado marcamos o ponto de presença e nos ausentamos? Onde está a honestidade tão apregoada em seus discursos de campanha?

Pagamos salários vultosos, e continuamos a ser os palhaços. Detalhe, caso algum coronel seja confrontados por algum descontente com o papel de palhaço, ele descaradamente e sem a menor cerimônia pede à aeronáutica que o leve as suas capitanias em nossos aviões da FAB. Estou aqui pensando! Quanto custa o querosene para levantar o voo de uma bosta daquela? Perdoem-me, mas estou incomodada com o colarinho de palhaço, está me sufocando, talvez o defunto fosse menor! Assim como o sistema de capitanias, o ser palhaço também passa de pai pra filho.

É ou não é uma farra? Opa! Ou melhor, é carnaval! E o palhaço, o que é? É ladrão...

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