Tribuna do Leitor

E o Aeródromo?

Edna Manfio Cardarelli
| Tempo de leitura: 3 min

Dizem que o povo brasileiro não tem memória e, vendo os últimos acontecimentos surgidos com a história do Aeródromo, tenho que concordar.

Lembro-me dos passeios que fazíamos ao Aeroclube e de pessoas ilustres como o sr. Kurt, um alemão que amou o Aeroclube como se fosse a sua casa, instruindo os que se interessavam pelo esporte aeronáutico e cuidando dos planadores; também do ilustríssimo Ozires Silva, fundador da Embraer; o piloto de planador João Alexandre Widmer, o "Batata", lenda do voo à vela bauruense; o astronauta Marcos Pontes, sem contar os inúmeros pilotos e comissários de voo que se formaram no Aeroclube, uma escola de aviação, os quais, com certeza, divulgaram o nome de Bauru e transportaram milhares de bauruenses pelos céus do Brasil e do mundo.

Talvez muitos dos senhores vereadores, por não terem idade avançada, não levaram seus filhos, ainda pequenos, para verem de perto um avião e fazerem fotos ao lado e dentro dele. Não podem se recordar quando o único jato-carteiro chegava, à noitinha, e grande parte da população ia ver o pouso e a decolagem, como algo inédito na cidade. Ainda, após esse período, os vários voos comerciais que movimentavam o céu da cidade e os arredores do Aeroclube.

Mas, os tempos são outros. Agora, a Emdurb vem alegar que tem gastos altos com o Aeródromo e quer vender parte da área que está inclusive em litígio judicial. Esquece o dano ao meio ambiente e à população que usa a avenida Getúlio Vargas para esportes, caminhadas e bate-papo com amigos que encontra pelo caminho. Ninguém se sentirá confortável caminhando frente a edificações que, certamente, com a venda, surgirão. Esquece também dos torneios esportivos que acontecem nas quadras montadas para esse fim. Esquece ainda do perigo que tais edificações vindouras representarão ante a proximidade com as aeronaves.

A quem interessa essa venda?

O dinheiro que entraria com ela sairia da mesma forma, pagando dívidas da Emdurb, e ficaria sem terra e sem dinheiro. Em pouco tempo, a situação de endividamento público se repetirá. Vão se desfazer de uma área verde, nobre, para pagar dívidas? Não seria um caso de má administração da Emdurb? De excesso de funcionários? O antigo órgão, que administrava o Aeródromo antes da Emdurb, tinha tantos funcionários assim?

A Emdurb tem muito por fazer na cidade em vez de ficar se preocupando com a área do Aeródromo. Veja a sujeira em que está a cidade e a vergonha que foi a reportagem feita pelo Jornal Nacional da Rede Globo sobre Bauru (dengue). Que bela propaganda, não!

O Aeródromo pode receber voos domésticos (voos que ocorrem dentro do país), o que seria uma comodidade sem igual para a população e visitantes; e é sabido haver interesse de companhias aéreas em pousarem nele. Há os que alegam que já existe o Aeroporto Moussa Tobias. Entretanto, é um aeroporto que não está em Bauru, e sim em Arealva. E o fomento da economia e a arrecadação de tributos, por exemplo, advindos desses voos, vão para onde, Arealva ou Bauru? Aliás, apenas duas companhias realizam pouquíssimos voos regulares nesse Aeroporto.

Lembremos que a cidade de São Paulo também possui aeródromo (Aeroporto de Congonhas) localizado de maneira semelhante ao de Bauru; e também há outro internacional em Guarulhos atendendo à população; mas o de São Paulo recebe voos comerciais regulares oferecendo grande conforto para todos, o que pode aqui também ocorrer.

Enfim, bem ou mal, o Aeródromo sempre se bastou, antes da Emdurb assumir. Como munícipe, que vivenciou um bom pedaço da história de Bauru, espero que repensem a situação.

Lutem, sim; mas para somar e não para dividir.

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